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Voos VI | Flies VI

14 Janeiro, 2012

Aqueles que buscam este título com a intenção de verem imagens nítidas de aves em voo vão ficar desiludidos. Nesta sexta edição há três diferenças em relação às anteriores. Ausência de insectos, uma só espécie de ave e nitidez ausente ou reduzida.

A ave escolhida é a Abibe-comum (Northern Lapwing) uma invernante comum do Continente e rara nos Açores e na Madeira. O seu voo do tipo mariposa não é muito rápido, ocorre na maioria dos casos em campo aberto e portanto sem a interferência de árvores e de outros elementos que podem prejudicar a composição.

Abibe

A primeira imagem está nítida mas tem o inconveniente,sob o ponto de vista estético, de incluir o excremento do gado bovino. Para um naturalista além de mostrar a enorme envergadura das asas acrescenta alguns elementos sobre o habitat da ave. E se fosse acompanhada do som-ambiente seria possível ouvir o chamamento de alarme, um estridente pi-uí. O ornitólogo não ficaria tão satisfeito porque não são visíveis várias partes do corpo da ave nem as cores da respectiva plumagem. A fotografia pode ser boa mas para efeitos de identificação fica um pouco aquèm da ilustração.Para os bons guias de aves esta é preferida* em detrimento daquela. Nesta série de voos da Abibe não preocupei com as preferências quer dos naturalistas quer dos ornitólogos. Desculpem o egoísmo mas apenas procurei satisfazer as preferências artísticas de um fotógrafo amador e amante da natureza ou seja, as minhas preferências.


Abibe

A segunda imagem além de bastante descentrada tem ainda um alguma nitidez levando-me a reduzir um pouco mais a velocidade do disparo. Convém ter presente que,quando a ave levanta voo e se afasta,os segundos iniciais são cruciais. Por outro lado são de evitar as imagens com as duas asas na horizontal porque grande parte do peito fica encoberto. Na imagem seguinte esse inconveniente está minimizado porque não há qualquer propósito ilustrativo e o flou das asas é um elemento que a valoriza.

Abibe

Por fim as duas imagens que sob o ponto de vista estético me satisfazem plenamente.

Abibe

Abibe

Aquilo que vou escrever pode fazer aflorar alguns sorrisos a visitantes menos crédulos.Há um certo misticismo na captura destas imagens. A concentração é de tal ordem que conduz a um total alheamento do meio envolvente. O equipamento é uma segunda natureza que se manuseia como fazendo parte da visão. Só existo eu e a ave. E o meu desejo é que a sua imagem fique registada nos sensores da câmera no preciso momento em que a sigo com o olhar mas não com a nitidez a que a vista sã, felizmente, está condicionada. O anátema da reprodução automática que em épocas passadas foi utilizado para menosprezar a fotografia está completamente ultrapassado. Estes momentos de abstracção, tão raros e difíceis de alcançar, estão cheios de magia.

*No passado mês de Outubro foi editado um livro com o título “Aves de Portugal”. Hélder Costa, um dos melhores ornitólogos do nosso país, em co-autoria com Eduardo de Juana e com as excelentes ilustrações de outro espanhol, Juan Varela, deu à estampa um guia de campo com a avifauna do Continente, e das Ilhas dos Açores, da Madeira e das Selvagens. Um guia para ter na mochila junto dos binóculos ou para transportar no porta-luvas da viatura. Os meus parabéns, embora um pouco atrasados, a Helder Costa.

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Graciphoto 22

10 Janeiro, 2012

 

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No Reino de Poseidon | In Poseidon’s Kingdom

16 Dezembro, 2011

Poseidon ou Posídon para os gregos e Neptuno para os romanos. Importante deus do Olimpo. Era o deus dos mares,dos rios,das fontes e da água doce.

Em Lisboa,no centro do Largo Dona Estefânia,há um pequeno lago com uma estátua da divindade empunhando o tridente e tendo a seus pés dois peixes com a boca aberta. Poseidon parece que tinha mau feitio e quando estava enfurecido e queria tempestades usava o tridente para bater nas águas dos mares e partir os rochedos. Mas a literatura mais acessível é omissa acerca da relação que manteve com a maioria dos seus súbditos, os peixes.

 

Embora não seja um praticante da fotografia subaquática seleccionei quatro imagens de seres que vivem em águas doces.

Girinos

Esta é de girinos,não sei se de rã se de sapo,numa poça de água que encontrei no meio de uma estrada florestal em plena charneca ribatejana. Será possível algum destes seres ter sobrevivido com tão pouca água e com a agravante de estar poluída? Mas há outras águas, águas profundas, onde vivem tubarões e outro peixe graúdo que se alimenta do peixe miúdo. Perante condições de vida tão díspares alguém acredita que a crise é para todos?

Peixes

 

Peixes

 

Peixes

As três imagens com peixes enquadram-se num tema que me é caro.Por isso peço que me acompanhem na seguinte analogia com o reino da Europa. A primeira representa os povos do sul.Os governos destes povos com o seu desgoverno e obedecendo a ordens do Olimpo encheram os respectivos países de gorduras balofas. Com argumentos falaciosos sobre economias de escala os países do sul foram instigados por professores celestiais a desmantelar frotas pesqueiras,a destruir olivais e vinhedos,a matar vacas para eliminar a produção excedentária de leite, a receber subsídios para manter terrenos incultos e a não produzir, etc, etc.  Enfim,houve até quem fosse enaltecido por ser bom aluno. A corrupção instalou-se e nunca foi reprimida. Mentes megalónamas fizeram obras públicas faraónicas sem qualquer controlo orçamental. Esses responsáveis continuam impunes. Quase todos usam suspensórios e por isso dizem aos pobres, aos reformados e aos desempregados que para saír da crise (por eles criada com a ajuda da banca e dos paraísos fiscais) é necessário apertar os cintos.

Estes países que agora estão falidos e endividados precisam,como pão para a boca,da ajuda dos deuses da Bruxelândia. Mas este reino,onde funciona o núcleo duro do Olimpo, está agora submetido aos interesses de dois Poseidones. Um é pequenino, irrequieto e fraco dançarino. O outro mudou de sexo mas continua a usar vestes masculinas. A dupla é matriarcal.Pois este par de Poseidones que sempre prometeu um reino unido europeu quer agora, segundo dizem as más línguas, desunir a União criando um reino dos países ricos com um turbo-euro e abandonar os países pobres do sul para que estes se governem com um eurocaracol.

Se isto for verdade e vier a acontecer não tenhamos dúvida que a segunda imagem representa o reino do euro vertiginoso e a outra, a negra, a do euro baboso.

Estes novos Poseidones que com os seus tridentes fazem tremer o peixe miúdo de certo que não esperam que lhes coloquemos coroas de ramos de pinheiro como faziam aos vencedores dos antigos jogos em sua honra. Se é para viver na escuridão e na miséria como nas catacumbas nada mais resta aos degradados senão cerrarem fileiras frente aos ataques dos senhores da Bruxelândia e voltarem a usar um peixinho na lapela.

 

Peixe e pescador

 

Poseidon, o verdadeiro, terá menosprezado os seus súbditos. O mesmo não aconteceu nas religiões antigas onde a imagem do peixe estava simbòlicamente associada ao amor e à fecundidade. Mais tarde, nas civilizações ocidentais, passou a ter um cunho religioso servindo como sinal de identificação e reconhecimento entre os primeiros cristãos que nesta época foram ferozmente perseguidos a mando dos senhores de Roma. Então porque escolheram como símbolo o Peixe? Porque a palavra “PEIXE” em grego é “IKHTHUS” hoje interpretada como um acrónimo de “Iésus Khristos Théos Huios Sóter” que em português significa “Jesus Cristo, filho de Deus, Salvador”.

(Este post foi escrito no passado mês de Novembro quando voltou a circular a notícia de uma “Europa a duas velocidades”)

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Amendoeiras em flor | Almond trees in flower

15 Dezembro, 2011

Finalmente um velho desejo concretizou-se. Já aqui tinha manifestado o meu pesar por nunca ter presenciado o espectáculo das amendoeiras em flor. Mas no passado Inverno fui à região do Douro Superior nos primeiros dias do mês de Março.E não estou arrependido. É realmente a natureza no seu máximo esplendor. Nas zonas onde há maior concentração de amendoeiras a visão das suas copas floridas é deslumbrante.

Amendoeiras em Castelo Melhor

Amendoeiras em Freixo Espada Cinta

Apenas percorri algumas zonas dos concelhos de Figueira de Castelo Rodrigo,Vila Nova de Foz Coa e Freixo de Espada à Cinta. Mas tenho a certeza que se estendesse a visita aos concelhos de Mogadouro, Torre de Moncorvo e Vila Flor o tempo não seria perdido. No entanto, e fazendo agora uma anotação final sobre o fenómeno que a natureza nos oferece anualmente,fica-se com a sensação que estamos a assistir às representações finais de um espectáculo grandioso e ímpar. Quero com isto dizer que se não houver renovação dos pomares a dimensão da floração irá gradualmente diminuindo e, o que é mais grave para a região, perdendo interesse turístico. Faço a observação mas desejo que esteja enganado.

Flores de Amendoeira

Flores de Amendoeira

Quem esteja perto de Freixo-de-Espada-à-Cinta e goste da ornitologia e da fotografia de aves tem uma paragem obrigatória, o Penedo Durão. Um local de excelência para ver e fotografar aves de grande porte,especialmente necrófagas.Além disso tem um bónus. Uma vista,daquelas de cortar a respiração, sobre o vale do rio Douro. A não perder sob qualquer pretexto.

Grifo no Penedo Durão

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Graciphoto 21

10 Dezembro, 2011

 

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Cabo Verde V | Cape Verde V

1 Dezembro, 2011

No Monte Verde além do pardal também fotografei o Peneireiro-vulgar. Em Portugal esta espécie tem o nome científico de Falco tinnunculus mas o de Cabo Verde, mais precisamente o da ilha de S.Vicente, embora semelhante e com o mesmo comportamento em voo, chama-se Falco neglectus. Nesta ilha também vi, mas não fotografei, Corvos no Monte Verde, duas Codornizes na ribeira do Calhau e uma Águia-pesqueira sobrevoando o porto do Mindelo.

Falco neglectus

Falco neglectus

Na ilha de Santiago a minha presença foi breve o que naturalmente se reflecte no número de fotografias a aves.

Fiz o percurso que vai da povoação de Rui Vaz á Cidade Velha que numa dedicação exclusiva à ornitologia e à fotografia a ela associada daria resultados muito animadores. Mas a pressa era muita e os objectivos díspares.

Mesmo assim consegui fotografar o Falcão característico desta região e que,além de Santiago,só se encontra no Fogo e na Brava. É um falcão também parente do “tinnunculus” mas maior.Cauda maior e peito mais riscado. Na língua inglesa tem o nome de Alexander´s Kestrel ou Great Cape Verde Kestrel.Para os cientistas é o Falco alexandri.

Falco alexandri

Falco alexandri

Neste percurso fora do asfalto também vi Corvos e um bando de Galinhas-do-mato ou Peladas (Numida meleagris). Tal como a codorniz em S. Vicente é uma espécie introduzida.

A ave que mais me cativou pela sua beleza foi o Guarda-rios. Não admira que os cabo-verdianos a tenham eleito Ave Nacional. O nosso Guarda-rios é o Alcedo althis e pertence à família Alcedinidae. O de Cabo Verde pertence á família Halcyonidae e tem o nome científico de Halcyon leucocephala. Designativo da espécie com raíz  grega. De leukós “branco” e kephalo “cabeça”. Ou seja Alcion de cabeça-branca. E é este o nome vulgar que lhe dão os espanhois “Alcion cabeciblanco”. Os franceses e os de língua inglesa fogem um pouco do branco e chamam-lhe, respectivamente, ”Martin-chasseur à tête grise”e “Grey-headed kingfisher”. Com bastante surpresa os naturais de Cabo Verde mandaram tudo isto às malvas e tratam-na carinhosamente por “Passarinha”. Estranho, não é?

A Passarinha embora seja um “Martin-chasseur” ou um kingfisher” não faz vida junto da água. Até é frequente vê-la nos meios urbanos em cima das antenas e dos postes de telefone. A sua alimentação é à base de insectos, frutas e repteis. Embora seja considerada uma ave comum só se encontra nas ilhas do Sotavento ou seja na Maio,  Santiago, Fogo e Brava.

Passarinha

Passarinha

Esta imagem foi captada na Cidade Velha. Sobranceiro a esta zona costeira fica o morro com a Fortaleza de S. Filipe. No final do dia tive a oportunidade de a fotografar em contra-luz.

Fortaleza S.Filipe

Fortaleza S.Filipe

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A Água e a Luz III | The Water and the Light III

15 Novembro, 2011

Nesta terceira edição a água é salgada. É água do mar.

Na segunda e terceira imagens ela já não é visível porque se evaporou ou se infiltrou na areia. Todas elas foram captadas em período de férias. Já por diversas vezes me tinha arrependido de não levar para a praia a máquina fotográfica. É entre a praia-mar e baixa-mar, mais perto desta do que daquela, que a natureza, neste caso a água das ondas na fase de recuo, imprime na areia imagens de grande beleza. Não é cómodo levar para a a praia o equipamento fotográfico. Ao mencionar “equipamento” refiro-me não só à câmera e à objectiva (de preferência um zoom) ,mas também ao tripé. Mas porquê o tripé, é mesmo necessário? É.

Já ouviram falar da “twilight”, aquela luz crepuscular que surge meia-hora antes do nascer do Sol e volta a sugir após o seu ocaso por outro período de meia-hora? Muitos fotógrafos consideram que é nestes dois pequenos períodos que geralmente ocorre a melhor luz para a fotografia. Mas há mais dois períodos. Um na primeira meia-hora de luz do Sol e outro na última meia-hora, a que antecede o pôr do Sol. Para fotografar os desenhos na areia prefiro estes dois últimos  periodos. A luz é suave e de cores quentes. Outro factor determinante é ser razante. Ao projectar sombras em qualquer saliência da areia dá maior volume ao desenho e fá-lo ressaltar do meio envolvente.
Os americanos designam este efeito por “pop up”.

Mas então onde é que aparece o tripé? O tripé tem de estar sempre presente. A luz é fraca e os pontos dominantes escasseiam ou não existem. Se queremos todo o objecto nítido é necessário uma velocidade lenta e uma abertura pequena (f de valor alto) para uma boa profundidade de campo. Isto só se consegue com a câmera num suporte estável. Não havendo ponto dominante o tripé tem de ser colocado na altura máxima. Ah e a sensibilidade, o ISO !!!? Em alguns casos podemos ser tentados a aumentá-lo, especialmente se houver muito vento, mas temos de estar conscientes da degradação da qualidade da imagem.

A água e a luz

A água e a luz


A água e a luz

A água e a luz

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Graciphoto 20

10 Novembro, 2011

 


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Insectos III | Insects III

1 Novembro, 2011

Desta vez escolhi dois insectos relativamente vulgares cada um com duas imagens.Eis as do primeiro:


Lilioceris lilii

Lilioceris lilii em cópula

Este bonito escaravelho pertence,òbviamente, à ordem Coleoptera. Dentro desta ordem está integrado na família Chrysomelidae, sub-família Criocerinae, e género Lilioceris. O seu nome científico é Lilioceris lilii.

 
Os ingleses chamam-lhe “Scarlet lily beetle” e os franceses “Le Criocère du lis”. Para os espanhois é o “Criócero de la azucena” mas entre nós desconfio que não tem nome vulgar. Talvez seja apenas um pequeno escaravelho bonito com um vermelho brilhante. Mas,como em quase tudo na vida, ”Não há bela sem senão”. Estamos perante um destruidor implacável das plantas liliáceas. É por isso que os espanhois se referem á açucena,uma liliácea.

Flor de Açucena

Esta flor de açucena – Lilium longiflorum – a que os ingleses chamam Easter lily, nasceu, por puro acaso, voltada para a parede.Não o fez para se defender do escaravelho. Se este estivesse presente ela nunca veria a época da Páscoa porque seria comida enquanto botão floral.
Trata-se de um insecto muito bem estudado porque nas últimas duas décadas alargou extraordinàriamente a sua área de distribuição. Em algumas zonas é até considerado uma praga infestante. Supõe-se que a sua origem é euroasiática. No Reino Unido em 1939 foi referenciada uma pequena colónia no Surrey que se manteve confinada a esta parte SE até finais de 1980. A partir daí deu-se uma “explosão” demográfica e territorial. Esta alteração ficou provada no estudo que a Royal Horticultural Society efectuou entre 2008 e 2010 ao receber mais de 4500 registos da presença da espécie sendo a maioria provenientes de novas áreas.Já repararam!! Um estudo para conhecer a distribuição de um pequeno escaravelho. É outro mundo. Actualmente distribui-se por toda a Europa. Na Ásia pode ser visto na China, Mongólia, Casaquistão e Turquia. Em África a sua presença apenas foi referenciada em Marrocos e na Argélia. Já na América do Norte estende-se pelos
EUA e pelo Canadá. O segundo insecto é um himnóptero.

Bombus pascuorum


Bombus

Está identificado como Bombus pascuorum pertencente à família Apidae e à sub-famílía Bombinae. Para os ingleses é o “Common carder bumblebee” e para os franceses o “Bourdon roux”ou “Bourdon des champs”. Este abelhão é um insecto social que vive em colónias anuais. O ninho é construído em cavidades naturais do solo ou na base de tufos de ervas. Por vezes também se localizam em ninhos abandonados de aves. O ninho consta de alvéolos de cera ou de resina.

É um insecto pouco agressivo e que só pica se for incomodado.A sua longa tromba ou língua serve para penetrar nos cálices florais e aí aspirar o nectar e o polen. Voando e andando de flor em flor tem um importante papel como polinizador.

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2011 – Três Livros | Three Books

20 Outubro, 2011

No primeiro semestre do corrente ano foram dados à estampa dois livros que poderão interessar a quem visita esta página.
O primeiro é sobre Ernst Haas cuja carreira foi em dado momento prejudicada por pessoas influentes no mundo da fotografia americana nas décadas de 60 e 70 do século passado.Para estes críticos e detractores a fotografia de Haas era demasiado simplista e bastante comercial.Além disso,se por vezes se assemelhava a um certo tipo de pintura era por não ser suficientemente fotográfica. Acontece que Haas sendo um artista de grande sensibilidade tirava fotografias fora do contexto comercial apenas por puro prazer pessoal. Do seu espólio de 200000 diapositivos na Getty Images de Londres foram agora seleccionadas as imagens incluídas neste livro de William Ewing com um ensaio do historiador e curador Phillip Prodger sobre a carreira de Haas com o título “Ernst Haas-Another History of Color”. Estas 186 fotografias nunca antes publicadas provam que Haas estava longe de ser um fotógrafo fácil e puramente comercial.

Sobre-capa do livro

Vale a pena ler o ensaio para se compreender a personalidade e a grandeza artística do fotógrafo e analisar as 186 imagens que revelam a faceta menos conhecida da sua obra. Só um grande fotógrafo consegue transformar o óbvio e banal em complexo e extraordinário.Pura magia.
O outro livro é um guia de campo.Um livro pequeno,compacto,feito por finlandeses,com boas fotografias e muita informação sobre 444 espécies de borboletas diurnas da Europa.

Capa do Livro

É claro que Portugal sendo um país sem interesse comercial não é tratado com a devida atenção. Quando no final do livro são listados Guias Regionais seria de toda a justiça incluir o livro “borboletas de portugal”de Ernestino Maravalhas. Se o tivessem feito e consultado teriam evitado o erro de considerar a Aricia eumedon e a Lycaena virgaureae fora da fauna portuguesa.

A. eumedon na Serra da Nogueira

L. virgaureae no PN Montesinho

Apesar destas falhas, e eventualmente de outras, trata-se de um bom livro com informação pormenorizada e actualizada.

PS : E já que estamos em maré de livros devo confessar que eu próprio tenho pronto para impressão um livro cuja capa é a da imagem

É um livro com muitas imagens, todas as cores e, na sua maioria, com texto alusivo. Para mim este é o momento mais difícil, encontrar um editor. Eu sei, sabemos,que o tempo é de crise,mas não haverá por aí um Mecenas que aceite meter mãos à obra?

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Ver ou não ver | To see or not to see

15 Outubro, 2011

To be or not to be that is the question.
To see or not to see that is one answer
Ernst Haas, Photographer

2011 – Nas crises e no futebol a história repete-se

      Desacordo ortográfico e político

Vermelho e preto

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Graciphoto 19

10 Outubro, 2011

 

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Dedaleira | Foxglove

30 Setembro, 2011

Um pequeno livro intitulado “A Photographic Guide to Wild Flowers of Britain and Europe”de Paul Sterry e Bob Press, editado pela New Holland em 1995 inclui uma imagem desta planta e o respectivo texto começa com a seguinte frase: ”The bell-shaped flowers make this one of western Europe´s most distinctive plants”. Eu concordo com a afirmação. Mas, atenção, estamos na presença de uma planta bastante tóxica e por isso os mais jovens ou os menos esclarecidos devem ser alertados para os perigos com o seu manuseamento. Embora a cor e o formato sejam bastante apelativos não devemos tocar nas flores. Deixemos essa tarefa para os abelhões e para profissionais da saúde. É verdade,  esta planta apesar de tóxica é medicinal. Infusões e macerões de folhas secas feitas sob vigilância médica ou farmacêutica podem ser usadas para suprir necessidades cardiotónicas devido à presença de uma droga,a digitalina. Quem diria que estamos na presença de uma flor do coração.

Dedaleira

A Dedaleira, com o nome científico de Digitalis purpurea, é também conhecida por erva-dedal e abeloura. É uma planta da família das Escrofulariácias, bienal ou vivaz, de caule erecto e que pode atingir mais de metro e meio de altura.Flores em cacho,cada uma em forma de dedo ou dedal, de cor purpura, rosada e até vermelha com pintas escuras na parte interna. A floração ocorre de Maio a Setembro. Encontra-se muitas vezes nas bermas de caminhos,em terrenos artificialmente modificados e por isso se diz que faz parte da vegetação ruderal.

Dedaleira

Abelhão e Dedaleira


Dedais

Dedais

Refira-se ainda que na região mediterrânea existem outras espécies pertencentes ao género Digitalis como é o caso da ferruginea, da laevigata, da lanata, da obscura e da viridiflora.
Mas a espécie “purpurea”é a mais conhecida. O seu historial como planta medicinal remonta ao século XVIII.

O homem que introduziu a Dedaleira na prática médica foi William Withering, um inglês nascido em 1741 em Wellington e que concluíu o curso de medicina em 1766. Na altura a Dedaleira era o único medicamento conhecido para o tratamento da Hidropisia, nome dado ao excesso de serosidade (líquido) no organismo. A sua utlização como tónico cardíaco com base na digitalina só surgiu talvez duzentos anos mais tarde. Já no século XIX o avô de Charles Darwin, o Dr. Erasmus Darwin, usou a planta com tão bons resultados que lhe dedicou uns versos. Mas não foi o único. Na poesia italiana é bem conhecido o poema “Digitale Purpurea” da autoria do poeta Giovanni Pascoli. E a um nível mais popular há também em Itália uma banda de música metálica com o nome científico da planta.

Parece que ninguém fica indiferente perante Dedaleira. Mas, cuidado, nunca se deve meter na boca qualquer parte da planta.Este atrevimento ou descuido pode ser fatal.

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Padrões, texturas e outras arquitecturas III | Patterns, textures and other architectures III

15 Setembro, 2011

Nesta série de quatro imagens apresentamos contruções recentes,ou relativamente recentes,destinadas à actividade comercial e industrial. Qualquer delas foi captada a partir do rio Tejo para a sua margem direita a jusante da Póvoa de Sta. Iria.Estas construções pelas suas características, quer de cor quer de forma ou conjugação de formas,
ressaltam da paisagem em que se encontram inseridas.

 

 


 

 

 

 

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Graciphoto 18

10 Setembro, 2011

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Aceras anthropophorum

1 Setembro, 2011

O termo Aceras tem origem no grego. De “A” que significa “Sem” e “Keras” que significa corno ou haste.

Ficamos logo a saber que as flores não têm haste ou seja não têm esporão. Mas já li algures que a pretendem renomear para “Orchis”. Por outro lado “Anthropos”significa “Homem” e “Phorum” “Que traz, que transporta”. É por isso que os ingleses lhe chamam “Man orchid”,os franceses “Homme-pendu ou Porte-homme”. Na península ibérica a voz popular foi dramatizada.”Flor del Hombre ahorcado”em Espanha e “Erva-do-homem-enforcado”em Portugal. Entre nós também é conhecida por “Flor dos rapazinhos”.

Planta vivaz com caule erecto,cilíndrico e com numerosas folhas. As folhas inferiores são em forma de roseta. Sépalas com os bordos vermelhos e formando um capuz. Flores amarelo-esverdeadas em espiga terminal, densa (até 50 a 60 flores) e erecta. Labelo trilobado, pendente e de cor amarelo-esverdeado a laranja.

Esta orquídea pode encontrar-se até aos 1300 m de altitude, isolada ou em colónias, em substractos calcáreos de meia-sombra a plena luz.

Aceras anthropophorum (colónia)

Em Portugal distribui-se pelo Algarve, Beira Litoral, Estremadura e Ribatejo. Na vizinha Espanha não é vista nas províncias que definem a nossa fronteira oriental com excepção de Huelva. Encontra-se em quase todas as regiôes de França – excepto Bretanha, Baixa Normandia e Limousin –, nas regiões calcáreas da Bélgica e no Reino-Unido as principais populações concentram-se na zona SE, Kent e Surrey.
Goza do estatuto de protegida na Bélgica e no Luxemburgo e em áreas regionais de França.

Aceras anthropophorum e O. italica

Nesta segunda imagem temos uma Aceras anthropophorum e ao lado uma Orchis italica. Em Portugal podem ver-se híbridos das duas plantas bem como da Aceras anthropophorum com a Orchis purpurea.
A imagem seguinte foi captada na Serra da Arrábida. É estranho que o livro “Flores da Arrábida, Guia de Campo”, escrito por dois especialistas, e que já vai em 2ª edição ( a 1ª edição é de 1998), não faça qualquer referência a esta orquídea.

Aceras anthropophorum

Terminamos com uma imagem onde se pode ver em pormenor as flores da espiga.

Aceras anthropophorum

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Cabo Verde IV | Cape Verde IV

15 Agosto, 2011

Desta vez vamos sair da cidade. A viagem não é muito longa mas convem ir de viatura. A partir do Mindelo toma-se a estrada para a Baía das Gatas da qual a certa altura nos desviamos para a direita com destino ao Monte Verde. O cume deste monte fica à altitude de 750 m e é o ponto mais alto da Ilha de S.Vicente. Já em 01 de Maio passado apresentámos duas imagens captadas a partir deste monte.Hoje são imagens de pequenos seres que nele vivem.

Subi duas vezes este monte até à zona onde se situam as antenas de rádio e de televisão. Da primeira vez pouco vi porque toda a parte superior do monte estava coberta de nuvens. Na segunda as condições atmosfèricas eram um pouco melhores. Para a fotografia apenas aceitáveis.

O monte chama-se verde porque é o lugar da ilha mais rico em vegetação. Tinha lido que nele havia mais de nove dezenas de espécies de plantas. Acredito, mas talvez por ser Julho apenas vi em flor a espécie Lantana camara que domina toda a área à volta dos muros que circundam as antenas. Mais surpreendido ainda fiquei por apenas ter referenciado duas espécies de borboletas. E não é que são idênticas às vulgaríssimas Vanessa cardui (Bela-Dama) e Lampides boeticus de Portugal Continental!!

A Bela Dama

Lampides boeticus

A variedade de aves do arquipélago é modesta embora haja espécies que são endémicas e só nele podem ser vistas. Também neste caso não tive sorte, ou melhor, não tive muito tempo disponível para dedicar em exclusivo às aves. Limitei-me a fotografar o Pardal-das-casas ( Passer domesticus) que corresponde ao nosso Pardal-de-telhado. Esta espécie só existe na Ilha de S. Vicente e como se pode observar nas imagens do macho o colorido das suas penas é mais diversificado e saturado que o do Pardal-de-telhado.


Parda-das-casas (Macho)

Parda-das-casas (Macho)

Parda-das-casas (Fêmea)

Outra característica: é uma ave confiante que consente boas aproximações sem qualquer camuflagem.

(Continua)

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Graciphoto 17

10 Agosto, 2011

 

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Moçambique IV | Mozambique IV

31 Julho, 2011

Nesta edição apresentamos duas imagens do património arquitectónico da Ilha de Moçambique.

A primeira foi captada na chamada Contra-Costa. Enquadrada pelos ramos de uma casuarina pode ver-se a praia e o Fortim de Santo António. A construção original deste fortim começou no último quartel do século XVI. Durante os séculos XVII e XVIII ter-se-âo feito várias obras e remodelações mas só no século XIX, em 1820, foi dado como definitivamente construído. Inicialmente funcionou como importante ponto de defesa da Ilha. Depois veio a ser prisão e mais tarde asilo para velhos.

Paisagem com Fortim de Sto. António

Fortaleza da Ilha de Moçambique
(Pormenor)

Sobre a segunda imagem não tenho a certeza se faz parte da Fortaleza de S. Sebastião se da capela que lhe fica ao lado, a Capela de Nossa Senhora do Baluarte. Em qualquer caso trata-se de um pormenor lindíssimo e de alto nível artistico que revela a nossa presença naquelas paragens. Segundo notícias recentes que li na Internet grande parte das obras arquitectónica da Ilha encontra-se bastante degradada e alguma até completamente abandonada. É uma pena. Ambos os conjuntos estão, desde 1991, classificados pela UNESCO como Património Mundial.

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Uma cena de outro Mundo | A scene from other World

15 Julho, 2011

Em conversa com pessoa amiga, que estava furiosa por se ter esquecido de um compromisso a que dava grande importância, ouvi-lhe o seguinte desabafo: “Eu devia era ir para o outro mundo apanhar  Sol…” Neste caso é fácil deduzir que “o outro mundo” é qualquer lugar com excepção daquele onde a pessoa se encontra. Mais dificil é saber o que é o mundo: a Terra, o Sistema Solar, a Via Láctea ou esta e outras galáxias?

Por vezes também se houve uma expressão do género: Aquilo foi  ”uma cena do outro mundo”. As pessoas estão-se a referir a qualquer coisa que sai fora do habitual. Assistiu-se ou viveu-se um acontecimento extraordinário que admitimos poder existir fora da Terra.

Mas, não vale a pena ir tão longe.

Na década de noventa do século passado um conhecido fotógrafo americano resolveu presentear os amigos com um postal de Boas Festas onde se via um urso branco a perseguir um pinguim. É claro que estamos perante”uma cena do outro mundo”. Neste nosso mundo, a Terra, os ursos brancos e os pinguins (não sabemos se existem fora da Terra) nunca se encontram porque aqueles só vivem no Pólo Norte e estes no Polo Sul. A fotografia com a pretensa perseguição foi conseguida através de uma hábil manipulação informática que juntou uma fotografia de um urso e outra de um pinguim, ambos em paisagem com gelo. Esta “cena do outro mundo foi obtida com uma falsa fotografia.

Mas, não vale a pena ir tão longe.

Todos sabemos que o Rouxinol – Luscinia megarhynchos – é uma ave difícil de fotografar. O seu canto inconfundível apenas revela, na maioria dos casos,a presença do seu autor por ser executado em posições encobertas pela folhagem. É por isso que o Guia de Aves de Lars Svensson e Peter Grant, o Guia de Campo mais completo das Aves de Portugal e da Europa, editado pela Assírio & Alvim com a
colaboração de conhecidos ornitólogos da SPEA, refere que ele “é mais ouvido do que visto”. É de facto uma ave bastante tímida que tem como habitat matas ribeirinhas e zonas de vegetação densa.

Rouxinol

Atendendo a estas características quando vemos um Rouxinol, apesar de jovem, a comer numa malga será adequado dizer que estamos na presença de “uma cena do outro mundo”.

Rouxinol a comer larvas de mosca

Rouxinol a comer larvas de mosca

Estas duas imagens foram captadas no meu quintal.

Mas, não vale a pena ir tão longe.

Nem apanhar Sol, nem construir uma fotografia falsa, nem ir ao meu quintal. A partir de agora para ver  “uma cena do outro mundo” basta visitar esta página na Internet.

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