No próximo dia 01 de Dezembro passa mais um ano sobre a Restauração da Independência Nacional. É um feriado nacional e por isso a Bandeira Nacional é hasteada com pompa e circunstância nos principais edifícios públicos, monumentos e quartéis. Atendendo à passagem desse feriado considerei oportuno publicar com alguma antecedência as imagens e o texto que se seguem.
Uma cobertura de varanda
Um pano roto
Uma águia maior que voa mais alto
Lanudos sem cabeça
Para o Campeonato Europeu de Futebol (Euro 2004),realizado em Portugal, mobilizou-se a população através da distribuição maciça e gratuita da Bandeira Nacional. A iniciativa teve o maior sucesso pois a ela aderiram, entusiasticamente, não só clubes e organismos ligados ao futebol mas também altas entidades do nosso sistema político-administrativo. Para um político, para qualquer político, convém participar em manifestações simpáticas e que envolvam grandes massas populacionais. É a maneira de alcançar uma boa posição para as eleições que vierem a seguir. Mas este é outro campeonato.
No Euro 2004 Portugal não atingiu o objectivo principal mas obteve um honroso 2º lugar. E foi lindo ver em muitas casas e jardins,tanto nas cidades como nas vilas e aldeias, as bandeiras nacionais novas a tremular ao vento. Mas com esta acção banalizou-se um dos principais símbolos da unidade nacional.
Segundo os dicionários banalizar significa tornar vulgar, o que quer dizer tornar baixo, ínfimo, reles, etc. Foi isso que fez boa parte da população. A situação fez-me lembrar a imagem dos “Lanudos sem cabeça”. Já no século XXI, com tanta escolaridade obrigatória, há gente que parece não ter cabeça ou se a tem é a um nível rasteirinho. Só assim se compreende que a nossa bandeira seja tão maltratada. Ou então o culto dos símbolos nacionais já não faz parte dos programas escolares. Mas nisto não quero acreditar.
Tendo como único apelo a colocação da bandeira nacional nas varandas e janelas as entidades que o promoveram são responsáveis por uma falha grave. Os grandes símbolos são para os grandes momentos e os grandes momentos são sempre breves. Aquele apelo devia ser acompanhado do pedido de retirada das bandeiras logo após o campeonato do Euro 2004 e o tecido que materializa o símbolo ser guardado em local digno para uso posterior. Isto não foi feito. Sem pretensos nacionalismos ou patriotismo quero aqui deixar registado o meu protesto pelo espectáculo degradante, presente um pouco por todo o lado, de que está a ser vítima um símbolo nacional e de que as imagens são prova irrefutável. A causa do futebol é, actualmente,uma causa muito popular mas não é uma causa pública. Quem andou a incentivar a distribuição das bandeiras tem agora um dever a cumprir: pedir à população, usando os mesmos meios de comunicação que foram mobilizados para o Euro 2004, para recolher a Bandeira Nacional, esclarecer que ela é muito mais que um simples trapo e que quando está hasteada é ela que faz sombra sobre todas as outras e nunca o contrário.
Possivelmente nada será feito. Mas então não se queixem que há um desinteresse generalizado pela causa pública.















































































