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Orquídea | Orchid – Orchis mascula

15 Novembro, 2009

A etimologia desta orquídea, mascula, do latim “masculus”, ou seja, macho, viril,  tem origem no aspecto das suas partes subterrâneas o qual é reforçado pela configuração fálica e postura do esporão de muitas flores.

É uma das orquídeas mais comuns de Portugal. Encontra-se em todo o território continental com excepção de uma área mais ou menos coincidente com o Douro Litoral. Em Espanha apenas não existem registos da sua presença na região da Corunha. Globalmente a sua área de distribuição abrange toda a Europa e estende-se pelo NW de África e W da Ásia. Esta ampla disseminação deve-se ao facto de germinar numa grande variedade de solos sendo, no entanto, mais frequente em terrenos calcários. A espécie está legalmente protegida na Bélgica e no Luxemburgo.

Entre nós é vulgarmente conhecida por Escroto-canino, Pata-de-lobo, Salepeira-maior e Satírião-macho. Os ingleses chamam-lhe, simplesmente, Early-purple orchid. Os franceses além de Orchis mâle dão-lhe nomes curiosos: Pentecôte, Soupe-à-vin e Mâle-fou. Para os nossos vizinhos é Cañamón, Sangre-de-Cristo, Satirión macho,etc.

Alguns especialistas consideram que a espécie é constituída por quatro subespécies das quais só duas existem em Portugal: a O. mascula subsp. mascula e a O. mascula subsp. olbiensis. Nesta a inflorescência é menos densa variando o número de flores entre 6 e 15. Naquela o número de flores é maior que 15 podendo chegar às 50. Outros especialistas consideram que a “olbiensis” é uma espécie independente da “mascula”. Para um terceiro grupo, e esta parece ser a mais recente tendência, não existem subespécies.

As flores são de cor vermelha-púrpura ou violáceas e, por vezes, rosadas ou brancas. A variedade de flores brancas é a mais rara e tem origem numa anomalia da pigmentação conhecida por hipocromia. Os botânicos não atribuem a este fenómeno relevância taxonómica classificando-o como variedade na forma albiflora.

09.11.15.01 O.mascula

O. mascula

09.11.15.02 Duas O.mascula

O. mascula

09.11.15.03-O.mascula

O. mascula

09.11.15.04-O.mascula

O. mascula

09.11.15.06-O.olbiensis

O. olbiensis

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A Bandeira | The Flag

1 Novembro, 2009

No próximo dia 01 de Dezembro passa mais um ano sobre a Restauração da Independência Nacional. É um feriado nacional e por  isso a Bandeira Nacional é hasteada com pompa e circunstância nos principais edifícios públicos, monumentos e quartéis. Atendendo à passagem desse feriado considerei oportuno publicar com alguma antecedência as imagens e o texto que se seguem.

09.11.01.01 Uma cobertura de varanda

Uma cobertura de varanda

09.11.01.02 Um pano roto

Um pano roto

09.11.01.03 Uma águia é maior e que voa mais alto

Uma águia maior que voa mais alto

09.11.01.04 Uma carneirada-Lanudos sem cabeça

Lanudos sem cabeça

Para o Campeonato Europeu de Futebol (Euro 2004),realizado em Portugal, mobilizou-se a população através da distribuição maciça e gratuita da Bandeira Nacional. A iniciativa teve o maior sucesso pois a ela aderiram, entusiasticamente, não só clubes e organismos ligados ao futebol mas também altas entidades do nosso sistema político-administrativo. Para um político, para qualquer político, convém participar em manifestações simpáticas e que envolvam grandes massas populacionais. É a maneira de alcançar uma boa posição para as eleições que vierem a seguir. Mas este é outro campeonato.

No Euro 2004 Portugal não atingiu o objectivo principal mas obteve um honroso 2º lugar. E foi lindo ver em muitas casas e jardins,tanto nas cidades como nas vilas e aldeias, as bandeiras nacionais novas a tremular ao vento. Mas com esta acção banalizou-se um dos principais símbolos da unidade nacional.

Segundo os dicionários banalizar significa tornar vulgar, o que quer dizer tornar baixo, ínfimo, reles, etc. Foi isso que fez boa parte da população. A situação fez-me lembrar a imagem dos “Lanudos sem cabeça”. Já no século XXI, com tanta escolaridade obrigatória, há gente que parece não ter cabeça ou se a tem é a um nível rasteirinho. Só assim se compreende que a nossa bandeira seja tão maltratada. Ou então o culto dos símbolos nacionais já não faz parte dos programas escolares. Mas nisto não quero acreditar.

Tendo como único apelo a colocação da bandeira nacional nas varandas e janelas as entidades que o promoveram são responsáveis por uma falha grave. Os grandes símbolos são para os grandes momentos e os grandes momentos são sempre breves. Aquele apelo devia ser acompanhado do pedido de retirada das bandeiras logo após o campeonato do Euro 2004 e o tecido que materializa o símbolo ser guardado em local digno para uso posterior. Isto não foi feito. Sem pretensos nacionalismos ou patriotismo quero aqui deixar registado o meu protesto pelo espectáculo degradante, presente um pouco por todo o lado, de que está a ser vítima um símbolo nacional e de que as imagens são prova irrefutável. A causa do futebol é, actualmente,uma causa muito popular mas não é uma causa pública. Quem andou a incentivar a distribuição das bandeiras tem agora um dever a cumprir: pedir à população, usando os mesmos meios de comunicação que foram mobilizados para o Euro 2004, para recolher a Bandeira Nacional, esclarecer que ela é muito mais que um simples trapo e que quando está hasteada é ela que faz sombra sobre todas as outras e nunca o contrário.

Possivelmente nada será feito. Mas então não se queixem que há um desinteresse generalizado pela causa pública.

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Eliot Porter (1901-1990)

15 Outubro, 2009

Eliot Furness Porter, fotógrafo, escritor, naturalista, químico e médico.

Nasceu em 1901 em Winnetka, Illinois, EUA.Estudou em Harvard. Por se ter licenciado em química e em medicina é, por vezes, referido como Dr Porter. De facto, após obter em 1929 o Medical Degree, deu aulas de bacteriologia e bioquímica na Escola Médica de Harvard, durante dez anos. E foi precisamente aos dez anos, quando passou umas férias na Penobscot Bay, que começou a fotografar as zonas costeiras do Maine. A partir daí só parou ao falecer em 1990.

Como era um apaixonado tanto pela fotografia como pela natureza tornou-se um verdadeiro especialista em ornitologia e na fotografia de aves. Mas também não foi por este tipo de fotografia que ficou tão conhecido. As suas fotografias de aves, como acontece com as de outros excepcionais praticantes, não fazem parte dos compêndios de história da fotografia. Apenas são incluídas em livros de aves, prática que as desqualifica face às fotografias que envolvam a figura humana (retrato, nus, moda, problemas sociais,etc.) e as paisagens. Até mesmo a flora tem, neste aspecto, um estatuto superior ao da fauna.

Só quem alguma vez fotografou aves pode dar o devido valor ao livro “Birds of North America – A Personal Selection”com texto e imagens de Eliot Porter. Uma maravilha. É certo que a fotografia daquela época, com aves a alimentarem os filhotes no ninho, está hoje condenada.Lembro que estou a falar de fotografias a cores, e que cores!!, das décadas de 40,50 e 60 do séc.XX.

No início da década de 30 Porter teve a sorte de ser apresentado a Ansel Adams e a Alfred Striglitz,duas das personalidades mais influentes no mundo da fotografia na primeira metade do séc.XX.Ao verem as suas imagens aconselharam-no a dedicar-se à fotografia a tempo inteiro.E foi o que ele fez.Em 1939 abandonou a carreira de professor em Harvard e passou o resto da vida viajando por todo o mundo a fotografar a natureza.

Em minha opinião ascendeu por mérito próprio à categoria de Mestre na fotografia de paisagens.

O seu primeiro livro só surge em 1962 quando já tinha 61 anos de idade. O sucesso alcançado com “In the Wildness is the Preservation of the World” foi de tal ordem que o Sierra Club, que o editou, a ele deve a sua reputação internacional.

Nos últimos vinte e oito anos de vida Porter escreveu mais de dez livros de fotografia. Tal como Ernst Haas foi um pioneiro na fotografia a cores conseguindo com elas as mesmas “nuances” de Ansel Adams com o preto e branco. Como era um especialista em química estabeleceu um acordo de fornecimento com a Kodak e ele próprio fazia a revelação das suas fotografias. É por isso que partilho da opinião do crítico Michael More expressa na revista View Camera (Jul/Ago e Set/Out2003): A obra de Porter tem sido subestimada ou ignorada pelos ”contemporary avand-garde critics”nas recentes antologias e revistas.

Grande parte do seu trabalho,feito com equipamento de grande formato,uma Linhof 4”x5”,pode ser visto no Amon Carter Museum,  em Fort Worth, Texas.

Da análise que efectuei a um número significativo das suas imagens da natureza retirei uma observação curiosa:o céu,com raras excepções,foi sempre excluído.Um verdadeiro “truque”de Mestre.Aproveitando este pormenor,e o estilo Porter sem a grandiosidade do 4”x5”,termino com quatro imagens sob o título comum de”O céu pode esperar…”.

09.10.15.01 Arribas Douro Internacional(Pormenor) Miranda do Douro Mai2009

09.10.15.02 Caminhos da água Alpiarça Out2008

09.10.15.03 Medronheiro,Giestas e Tojos Constância Abr2009

09.10.15.04 Verbascos Abrantes Mai2008

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Voos III | Flies III

1 Outubro, 2009

Nesta terceira edição dos “Voos” apresentamos imagens de mais três espécies de aves e de uma libélula, a Brachythemis leucosticta, neste caso um macho.

09.10.01.01 Pernilongos

Pernilongos

09.10.01.02 Pernilongo

Pernilongo

09.10.01.03 Milhafres-pretos

Milhafres-pretos

09.10.01.04 Milhafre preto

Milhafre-preto

09.10.01.05 Poupa

Poupa

09.10.01.06 Libélula Brachythemis leucosticta

Libélula Brachythemis leucosticta

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À volta de uma flor III | Around a flower III

15 Setembro, 2009

09.09.15.01 Agapanthus

Agapanthus

09.09.15.02 Agapanthus

Agapanthus

09.09.15.03 Agapanthus

Agapanthus

09.09.15.04 Agapanthus

Agapanthus

09.09.15.05 Agapanthus

Agapanthus

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Hesperídeos | Skippers

1 Setembro, 2009

“Uma tarde…um grande número de borboletas… estendeu-se diante de nós,até onde a vista podia alcançar. Nem sequer com um telescópio podíamos descortinar um espaço livre de borboletas. Os marinheiros gritavam que estava a nevar borboletas.” O acontecimento ocorreu na década de 30 do séc. XIX e foi descrito por Charles Darwin*.

Esta introdução apenas pretende acentuar que o declínio das populações de borboletas no mundo moderno, dito desenvolvido, coloca os naturalistas e defensores da biodiversidade perante situações precisamente inversas às vividas pelos marinheiros do Beagle: Muitas vezes, nem sequer com um telescópio se consegue descortinar um espaço, ainda que pequeno, ocupado por borboletas. É o que acontece com os Hesperídios.

Para a maioria das pessoas este título é desconhecido e talvez,até,enigmático.Mas para descrever e mostrar um conjunto de borboletas com características muito especiais nada melhor que recorrer ao nome vulgar da família a que pertencem,neste caso a família Hesperidae.

Estas borboletas assemelham-se a borboletas nocturnas mas a sua actividade é diurna.Além de pequenas são pouco vistosas com cores castanhas, pretas e cinzentas. Por outro lado têm um voo potente, e com bruscas mudanças de direcção,que lhes permite facilmente despistar qualquer observador que pretenda segui-las. E mais, conseguem passar de um local para outro quase como se dessem um salto, características que levaram os ingleses a chamar-lhes “skippers”. Até parecem pulgas.

As “skippers”preferem zonas secas e de vegetação rasteira e por terem corpos curtos e largos, cabeça mais larga que o tórax e antenas muito afastadas, mesmo a partir da base, são consideradas como borboletas primitivas. Os machos identificam-se com alguma facilidade por apresentarem um sulco preto (black sex-brand) atravessando o lado superior das asas anteriores (Ver a penúltima foto abaixo,da Ochlodes venata).

Em dias de céu limpo podemos vê-las pousadas no solo em lugares soalheiros, quer para se aquecerem quer para absorverem a humidade da terra.Para o efeito apresentam por vezes uma posição muito peculiar e diferente das outras borboletas. Em vez de terem as asas completamente abertas ou completamente fechadas adoptam uma posição intermédia em que as asas posteriores ficam de facto abertas mas as anteriores permanecem parcialmente fechadas por cima daquelas (Ver as três primeiras fotos abaixo).

Entre as borboletas “skippers” há cinco espécies com cores um pouco mais vistosas,douradas, chamadas “golden skippers”. São elas:

- Thymelicus sylvestris
- Thymelicus lineola
- Thymelicus acteon
- Hesperia comma
- Ochlodes venata

09.09.01.01 Thymelicus sylvestris

Thymelicus sylvestris

09.09.01.02 Thymelicus lineola

Thymelicus lineola

09.09.01.03 Thymelicus action

Thymelicus acteon

Estas três espécies distribuem-se por todo o território continental. As duas primeiras são muito parecidas.Há,no entanto,um sinal exterior que as diferencia. Na T. sylvestris a parte inferior da ponta das antenas é de cor vermelha enquanto que na T. lineola é preta.

09.09.01.04 Hesperia comma

Hesperia comma

Esta é uma espécie que, praticamente, só se encontra a Norte do rio Mondego embora haja registos da sua presença na região de Sintra.

09.09.01.05 Ochlodes venata

Ochlodes venata

O T. sylvestris é o mais pequeno dos “skippers” ou seja o “small skipper”. O O. venata está no extremo oposto,é o maior e por isso é conhecido por “large skipper”. A sua distribuição é idêntica à do H .comma mas com registos recentes no Algarve e mais antigos (1941) na região de Sintra.

Além das cinco “golden colour”espécies devemos também citar uma outra que, já não sendo “golden”,pertence à mesma sub-família de hesperídeos e é de todas a mais rara e mais ameaçada. É a Gegenes nostrodamus. Em Portugal tem,até agora, praticamente, o rio Tejo como o limite mais a Norte da sua área de distribuição. Em Espanha, no entanto, há registos da sua presença muito mais a Norte como é o caso da região de Lérida.

Em Junho de 2005 tivemos a sorte de ver e fotografar um destes insectos na margem esquerda do rio Tejo, na freguesia de Tramagal do concelho de Abrantes, e dois meses mais tarde, num Verão bastante quente, fomos surpreendidos por um visitante ocasional libando as flores de lantana do meu quintal, já em plena zona urbana da freguesia. Um acontecimento, sem dúvida, inédito tendo em conta o habitat da espécie.

09.09.01.06 Gegenes nostrodamus

Gegenes nostrodamus


Para saber mais, consultar:

- As borboletas de Portugal de Ernestino Maravalhas, 2003;
- Atlas de las mariposas diurnas de la Península Ibérica e islas Baleares da Sociedad Entomológica Aragonesa, Zaragoza, 2004;
- Butterflies & Moths in Britain and Europe de David Carter, PAN Books, 1982;
- Butterflies of Britain & Europe, A Photographic Guide de Michael Chinery, Harper Collins Publishers, Londres, 1998.
- *A Viagem do Beagle de Charles Darwin (Pág.145) Relógio D´Água Editores, Lisboa, 2009.

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Desejos | Whishes

15 Agosto, 2009

09.08.15.01 Desejo do caçador

Desejo do caçador

09.08.15.02 Desejo do não caçador e anti-caça

Desejo do não caçador e anti-caça

09.08.15.03 Desejo do pescador desportivo

Desejo do pescador desportivo

09.08.15.04 Desejo do pescador profissional

Desejo do pescador profissional

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Ver ou não ver III | To see or not to see III

1 Agosto, 2009

“To be or not to be – that is the question.To see or not to see – that is an answer” Ernst Haas

09.08.01.01 Obras públicas

Obras públicas

09.08.01.02 Obras privadas

Obras privadas

09.08.01.03 Obras desperdiçadas-Sem abrigo e sem par

Obras desperdiçadas

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Voos II | Flies II

15 Julho, 2009

Este é o segundo “post” sobre aves e insectos em voo.

09.07.15.01 Pega azul

6 – Pega-azul

09.07.15.02 Ostraceiro

7 – Ostraceiro

09.07.15.03 Abelharuco

8 – Abelharuco

09.07.15.04 Picanço-barreteiro-Ave-do-ano-2009

9 – Picanço-barreteiro
(Ave do Ano 2009)

09.07.15.05 Abelha carpinteira

10 – Abelha carpinteira

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As simpáticas aves do Rio Tejo | The appealing birds of the Tagus River

1 Julho, 2009

Em Março último fui,pela segunda vez,num passeio da Transtroia,rio Tejo acima.Desta vez organizado pelo meu amigo Gonçalo Elias no âmbito de uma actividade da Quercus.Aderiu à iniciativa bastante gente e,apesar do pequeno contratempo de o barco ter encalhado,o passeio foi agradável e permitiu observar muitas espécies de aves.Este era o objectivo principal do passeio.

Pela segunda vez encontrei um jovem entusiasta da ornitologia que ao ver-me exclamou: !Ah, estive a ver na Net as suas fotos do outro passeio” (eu tinha-lhe deixado o endereço do Photográcio com a indicação de que ia lá colocar algumas fotografias ). A observação fazia sentido. Nos tempos que correm é tudo feito a grande velocidade, com muita pressa, o mais rapidamente possível. Muitos fotógrafos e amantes da natureza que andam no campo a fotografar aves têm por hábito colocar na Internet as suas melhores fotografias. E isto é feito logo que chegam a casa ou nos dias imediatos. O sítio “Flickr” é um dos casos mais visíveis. Mas eu, bem ou mal, não tenho esse hábito. Assim o meu jovem interlocutor já tinha visto o que ainda não lhe era possível ter visto. A sua máscara de simpatia era perfeita. Por isso resolvi também colocar a minha e perguntei: “E então, o que é que achou?”. E ouvi dele com naturalidade e sem hesitações: “Estão bastante boas, muito boas mesmo”. Sem a máscara esta resposta teria sido um bálsamo para o meu ego.

Trocámos mais algumas impressões sobre as aves e separámo-nos, cada um com a sua máscara. Esta conversa, uma conversa entre mascarados, já se viu que não foi sincera. Além disso foi desequilibrada. Só uma das partes sabia que a outra usava uma máscara. É certo que era uma máscara de simpatia mas, em todo o caso, uma máscara.

Neste momento já está on-line uma imagem de aves do primeiro passeio e, acompanhando este texto, outras do primeiro e algumas do segundo passeio. De agora em diante a máscara do jovem passa a ser igual à minha, isto é, invisível. Se ele me disser que viu as imagens do segundo passeio e a sua opinião continuar favorável, o meu ego, liberto das grilhetas da certeza, já pode inchar à vontade. Esta opinião talvez cause alguma surpresa. Mas, para mim, a certeza é castradora da liberdade criativa. A certeza paralisa a imaginação. Só na incerteza é que a imaginação não tem limites. É por isso que não erro ao afirmar que, a simpatia com máscara, quando esta é visível, não passa de uma simpática mentira. E digo isto na incerteza de haver mentiras simpáticas. Que há aves simpáticas, umas mais que outras, lá isso há!! Tenho a certeza.

09.07.01.01 Alfaiates

Alfaiates

09.07.01.02 Flamingos

Flamingos

09.07.01.03 Gaivota com presa

Gaivota com presa

09.07.01.04 Garça-real na ponte Vasco da Gama

Garça-real na Ponte Vasco da Gama

09.07.01.05 Guincho

Guincho

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À volta de uma flor II | Around a flower II

15 Junho, 2009

06.01 Agapanthus # 06

Agapanthus

06.02 Agapanthus # 09

Agapanthus

06.03 Agapanthus # 10

Agapanthus

06.04 Agapanthus # 12

Agapanthus

06.05 Agapanthus # 24

Agapanthus

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Miradouros II | Belvederes II

1 Junho, 2009

05.01 Miradouro de luxo.Móvel.Confortável mas um pouco instável

Miradouro de luxo.  Móvel.  Confortável mas um pouco instável

05.02-Mini-miradouro.Portátil.Articulado.Pessoal e intransmissível

Mini-miradouro. Portátil. Articulado. Pessoal e intransmissível.

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Photogracio em Exposição – Borboletas | Photogracio in Exhibition – Butterflies

23 Maio, 2009

Photogracio em Exposição – Borboletas

A quem passar pela cidade de Abrantes sugerimos que faça uma visita ao Cine-teatro S. Pedro.  Nele está patente ao público a exposição “Borboletas através do tempo”, organizada pelo Tagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal com a participação de mais de três dezenas de fotografias do Photográcio.

Até 31 de Julho de 2009, de segunda a sexta-feira das 10H00 às 12H30 e das 14H00 às 17H30.

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Voos I | Flies I

15 Maio, 2009

Sob este título vamos apresentar fotografias de seres alados em voo. A série, a publicar por partes, vai incluir aves e insectos em voo tendo por fundo o céu,a terra e superfícies aquáticas.

A fotografia de aves em voo tendo por fundo o céu é de todas a mais fácil porque os sensores da câmara apenas são “sensibilizados” pela matéria sólida do corpo das aves. Claro que a dificuldade aumenta à medida que as aves vão diminuindo em número e/ou tamanho. Outro problema interligado com este prende-se com a velocidade do voo.Quanto mais lento e rectilíneo for o voo mais fácil será de fotografar. E porquê? Porque o fotógrafo tem de movimentar a câmara até conseguir captar a ave no visor, acompanhar o voo até focar a ave,vê-la no visor na posição mais conveniente e só então premir o disparador.Mesmo neste momento não deve parar bruscamente o movimento,isto é,dispara mas segue o voo por mais alguns instantes.

Este tipo de fotografia com imagens nítidas exige teleobjectivas com distâncias focais iguais ou superiores a 300 mm, altas velocidades e grandes aberturas. Na maioria das situações, especialmente para quem não disponha de teleobjectivas muito luminosas, como é o meu caso, será necessário alterar o ISO para valores da ordem dos 300 ou 400 para que o movimento fique congelado.

As fotografias em que os olhos das aves ficam nítidos são,de um modo geral,as mais valorizadas. Entenda-se que as considerações expostas se referem à fotografia instantânea sem utilização de flashes de alta velocidade ou de equipamentos especiais de infra-vermelhos.

04.01 Alfaiates

1 – Alfaiates

04.02 Carraceiros

2 – Carraceiros

04.03 Grous

3 – Grous

04.04 Libélulas Sympetrum fonscolombii em tandem

4 – Libélulas em tandem

04.05 Abelha doméstica

5 – Abelha doméstica

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Máscaras I | Masks I

1 Maio, 2009

É bem conhecido o poema de Fernando Pessoa com o título “Autopsicografia” em que na primeira quadra começa por dizer “O poeta é um fingidor”. Este poema, pela primeira vez publicado na revista Presença em 1932, foi escrito em 1 de Abril de 1931. Precisamente no dia das mentiras daquele ano.

Eu vou mais longe. Se o poeta é um fingidor, um fingidor da palavra escrita, o fotógrafo e o cineasta são os fingidores da imagem. Mas não me fico por aqui. E os políticos!? Oh,os políticos. Exímios fingidores de viva voz. Entre os melhores fingidores do gesto, da expressão e da personagem temos os artistas de teatro, os do cinema e os do circo. É a sua profissão. Bem vistas as coisas todos somos, uns mais outros menos, um pouco fingidores. Mas muitas vezes, por simulação de identidade, por vergonha, por vaidade, por receio ou por prazer lúdico, não é conveniente sê-lo de cara descoberta. É assim que aparecem as máscaras do Benin, a festa do templo de Baoan em Taipé, o carnaval de Veneza, os caretos de Pudence, etc, etc.

Mas será só o homem que é fingidor?E os outros seres?Que dizer de uma ave em roupagem nupcial?

Andaremos muito longe da verdade se dissermos que é uma máscara de sedução? E a ave adulta que para afastar um predador que se aproxima da zona do ninho emite chamamentos de sofrimento e finge estar ferida? Regra geral o fingimento nos outros seres vivos está associado a estratégias de sobrevivência. Sob este ponto de vista podemos citar a metamorfose dos insectos. Mas há exemplos mais evidentes. O bicho de conta (Armadillium vulgare) quando se lhe toca e o ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus) quando se sente em perigo enroscam-se e ficam paralisados. Estas atitudes são máscaras de defesa. O próprio homem, apesar de as ter usado com frequência nos tempos medievais, ainda as não pôs completamente de lado. As máscaras anti-gás estão sempre presentes em caso de risco de guerra química. Mesmo em tempo de paz elas podem ser vistas nos profissionais de saúde em trabalho nos blocos operatórios, nos apicultores quando tratam das suas colmeias,nas actividades em ambientes muito poluídos ou em períodos de risco de pandemia como acontece agora com a gripe mexicana.Mas das palavras passemos às imagens.

0301-mascara-de-luz

I – Máscara de luz

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II – Máscara da floresta surrealista I

0303-mascaras-de-beleza

III – Máscara de beleza

Em 1974, um criminoso incêndio no sótão de uma casa devorou quase todos os meus diapositivos de sete anos de permanência em Moçambique. O incidente provocou-me um grande desânimo e levou-me a abandonar a fotografia durante vários anos. Esta última fotografia,dos anos 60 do Sec.XX, faz parte do pequeno conjunto de salvados que eu guardo como “Relíquias”.

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Ver ou não ver II | To see or not to see II

15 Abril, 2009

To be or not to be – that is the question.
To see or not to see – that is an answer

Ernst Haas

DESERTIFICAÇÃO | DESERTIFICATION


0201-desertificacao-da-agua

Da água

0202-desertificacao-da-terra

Da Terra

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Do céu

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A Crise | The Crisis

1 Abril, 2009

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Ninguém sabe nem como nem quando sair disto.

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A Árvore e o Fogo (V) | The Tree and the Fire (V)

1 Abril, 2009

Conjunto de três imagens sobre incêndios em árvores.

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20 CAMINHOS DO FOGO IV

A fotografia Nº 20 foi captada a quente, ainda com fumarolas no pinhal. Fiquei impressionado com as manchas vermelhas no tronco de alguns pinheiros. Parecia que sangravam.

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21 CAMINHOS DO FOGO V

Já na Nº21 a minha sensibilidade foi tocada pelo contraste da cor escura dos troncos das árvores com a cor creme das copas o qual se repete com a cor da terra não pisada e a dos carreiros dos animais e das pessoas.

0122-caminhos-do-fogo-vi

22 CAMINHOS DO FOGO VI

Por fim a Nº22,captada muito tempo após o fogo,além da mistura do “objecto” com as suas sombras é mais um exemplo sobre a limpeza da floresta. Não é feita nem antes nem depois do fogo.

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23 – CAMINHO DA TRISTEZA

Ao contrário do que acontece na alegria e no prazer ( Vidé texto e fotografia Nº 1 ) agora já nada se passa a correr. A recuperação é muito lenta e quase sempre incompleta. Fica tudo a Preto e Branco. Mais a Preto do que a Branco.  A única excepção é o acesso, largo, limpo e que pode ser percorrido confortavelmente de viatura.  Para que ninguém diga que nunca viu, que fica longe, que não possui árvores, que nada disto lhe diz respeito. Será que há gente que não vive na Terra?

Obsv.: Com esta última série fica concluído o trabalho fotográfico sobre “A Árvore e o Fogo”.

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Óleos | Oils II

15 Março, 2009

Continuação

0703-oleo-sobre-la-oleo-para-pintar

3 – Óleo sobre lã – Óleo para pintar

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4 – Óleo para cozinhar

0705-oleo-para-temperar

5 – Óleo para temperar

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6 – Óleo para matar

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Jonh Shaw, 1944

1 Março, 2009

Para ficar bem com a minha consciência devo referir a grande influência que teve na minha fotografia o fotógrafo americano John Shaw. Para mim ele está para a fotografia a cores como Ansel Adams esteve e está para a fotografia a preto e branco. Os livros de John Shaw, especialmente o primeiro, “The Nature Photographer’s Complete Guide”, publicado em 1984 e hoje esgotado, deram-me a conhecer os fundamentos da técnica e da composição fotográficas. Mas tanto no primeiro como nos cinco que se lhe seguiram a utilização da técnica, da composição, dos equipamentos e dos acessórios é descrita até aos mais ínfimos pormenores.

E as suas imagens são verdadeiros espelhos da sua escrita. De uma nitidez fantástica, luminosas, com completo controlo das altas e das baixas luzes e com composições perfeitas. Enfim, um mundo natural que já não parece deste mundo. Tudo isto não é nada fácil. Mas suspeito que, à semelhança de Ansel Adams, o seu trabalho em estúdio seja de grande rigor, metódico, exaustivo e analisado e corrigido ao pormenor com elevadíssimas ampliações. Esta atitude é absolutamente legítima mas posso não estar a ser justo, é apenas uma presunção.

A minha grande admiração por John Shaw não está só. Pelos seus pares nos EUA ele foi o primeiro a receber em 1997 o “Outstanding Photographer Award” concedido pela NANPA (North American Nature Photography Association). Em 2002 a Nikon proclamou-o “Legend Behind the Lens” e em 2006 a Microsoft designou-o “Icon of Imaging”. Num mercado tão competitivo como o americano isto quer dizer que estamos perante um fotógrafo “Fora de Série”.

Desde há vários anos John Shaw dedica-se ao ensino da fotografia, seja em seminários que se vão realizando nos diversos estados americanos, seja liderando safaris fotográficos, do Ártico ao Antártico, organizados pela empresa Joseph Van Os Safaris.

Recentemente John Shaw fez-me uma surpresa. No seu terceiro livro, “Focus on Nature”, há um pequeno capítulo sobre a presença humana na terra e a sua opinião de que a fotografia da natureza não devia excluir o homem. Mas as imagens desse capítulo não vão além de campos de trigo, de velhos armazene em madeira e de petróglifos com desenhos de índios americanos.

A primeira e única fotografia que lhe conhecia com uma figura humana só apareceu cinco anos mais tarde, em 1996,na sobrecapa do seu penúltimo livro, “Business of Nature Photography”.

Agora ao visitar o seu sítio na Internet – www.johnshawphoto.com – deparei com várias fotografias de ruas e janelas de localidades da Provença e uma inteira galeria sobre um rancho americano com cowboys e cavalos. Neste caso como em outros de conhecidos e laureados fotógrafos da natureza é recente e muito interessante a inclusão da figura humana nas suas obras. Mas a expicação do fenómeno está ainda por fazer.

No seu livro “Landscape Photography” John Shaw apresenta quatro imagens do mesmo local, representativas das quatro estações do ano, para enfatizar a influência do tempo na mudança de uma paisagem. Mas para este efeito não é preciso esperar um ano. A todo o momento muda a nossa percepção e visualização do mundo que nos rodeia. De forma mais modesta e menos qualificada registei as mudanças num campo de girassol durante os três meses do Verão as quais podem ser observadas nas três fotografias abaixo.

0601-campo-girassol-julhoI – Campo de Girassol em Julho

0602-campo-girassol-agostoII – Campo de Girassol em Agosto

0603-campo-girassol-setembroIII – Campo de Girassol em Setembro