A bonita e inconfundível borboleta Aporia crataegi pertence à família Peridae e voa de Abril a Agosto até aos 2000 metros de altitude. Há apenas uma geração anual.
A sua distribuição abrange toda a Europa, Norte de África e estende-se pela Ásia até ao Japão.
Extinta em Inglaterra, Holanda e República Checa e em declínio em França (Lafranchis, 2000 e Maravalhas, 2003). Na Rússia é uma das borboletas mais comuns e as suas lagartas já têm provocado grandes prejuízos nos pomares de frutíferas. Lá é relativamente frequente verem-se centenas e até milhares destas borboletas, especialmente machos,concentradas nas charcas de estradas de terra batida ou em praias arenosas (Haahtela et al., 2011).
As suas lagartas,bastante pilosas,alimentam-se de folhas de pilriteiro (Crataegus monogyna), Pereira brava (Pyrus bourgeana) e de fruteiras do género Prunus. Em Inglaterra, embora ausente, chamam-lhe a Black-veined white, é a Gazé para os franceses e a Blanca del
majuelo para os espanhóis. Majuelo em espanhol é pilriteiro em português.
É interessante notar que esta borboleta é rara ou está ausente da maior parte das ilhas do Mediterrâneo. Na vizinha Espanha distribui-se por todo o território mas está ausente (seria interessante saber porquê) da depressão do Guadalquivir e é pouco abundante na zona de Sevilha (Manuel Diaz,1998).
Em Portugal encontra-se bastante dispersa decrescendo os seus efectivos de Norte para Sul. Recentemente apareceu no Nordeste algarvio (Maravalhas,2003) situação que é confirmada por um registo no “Atlas de las mariposas diurnas de la Península Ibérica e islas Baleares” editado em 2004 pela Sociedad Entomológica Aragonesa. De facto este Atlas apresenta apenas quatro registos desta borboleta a sul do Tejo e infelizmente nenhum deles é do Ribatejo. Até hoje.
Diga-se em abono da verdade que a partir de 2003 fotografei esta borboleta duas ou três vezes nos arredores de Bragança mas nunca a tinha visto mais a sul. O ano de 2010 foi uma autêntica excepção que me permitiu fotografá-la em dois locais distintos a sul do rio Tejo.
O primeiro,a que corresponde a primeira imagem,ao lado da margem direita da ribeira da Foz já perto da ponte da Foz sobre a EN118 e portanto também perto da margem esquerda do rio Tejo (UTM: ND571677). Registo fotográfico de 29 de Abril de 2010.
O segundo, onde captei as restantes imagens,fica uns quilómetros mais a sul. Foi em 5 de Maio de 2010 junto da ribeira da Coruja por alturas do Vale do Corvo (UTM: ND614565). Mas aqui não vi apenas uma borboleta. Vi várias e fotografei algumas pugnando pela sobrevivência da espécie. Na penúltima imagem o casal está ser incomodado por um pretendente que chegou atrasado. Era uma pequena população que se reuniu numa zona onde há pilriteiros e pereiras bravas.Desde 2010 que voltaram a desaparecer sem deixar rasto. É certo que se trata de um insecto migrador mas mesmo assim é um pouco esquisito.

























