
Libélulas – Observar e Fotografar | Dragonflies – To see and to Photograph
15 Janeiro, 2010LIBÉLULAS | DRAGONFLIES
Observar e Fotografar – Parte II
To See and to Photograph – 2nd Part
Menos comum em Portugal é a Brachythemis leucosticta (8 e 9), de origem africana, que segundo os especialistas tem vindo a deslocar-se de Sul para Norte devido à construção de barragens e de represas*. É uma espécie com acentuado dimorfismo sexual. Os machos adultos são inconfundíveis por serem os únicos no nosso país a terem uma grande mancha escura em cada asa .As fêmeas, apesar de menos conspícuas e de na sua maioria não terem a mancha escura nas asas, são também de grande beleza. Quando pousadas na areia são difíceis de localizar. Muitas vezes são apenas denunciadas pelo pterostigma, a mancha de cor amarela na ponta das asas.
8 – Brachythemis leucosticta
9 – Brachythemis leucosticta
É uma espécie que presta um serviço inestimável aos criadores de gado. As populações desta libélula vivem perto dos bebedouros do gado. Aí aguardam pela chegada das manadas e colocando-se ao lado dos animais caçam em voo as moscas e mosquitos que os incomodam e que são muitas vezes portadores de doenças.
Perguntar-se-á: Mas não é difícil aproximarmo-nos destes insectos para os fotografar a distâncias que por vezes não ultrapassam alguns centímetros? Umas vezes é e outras não é. Há acontecimentos e até fenómenos naturais que facilitam a aproximação.
As duas imagens seguintes são de um Anax parthenope (10 e 11) que se enrolou no fio de nylon da cana de pesca de um pescador. Para salvar o insecto foi necessário segurá-lo e cortar o fio de nylon por baixo das asas. Após a operação a libélula ficou um pouco entorpecida e foi possível colocá-la sobre um arbusto e fotografá-la durante os breves segundos em que se manteve pousada.
10 – Anax parthenope
11 – Anax parthenope
Este Anax está referenciado para Portugal tendo como limite setentrional da sua área de distribuição aproximadamente a zona de Évora**. Com o acidente atrás descrito, ocorrido no passado mês de Agosto, pode-se com segurança afirmar que já chegou à margem esquerda do rio Tejo, no concelho da Chamusca, por alturas do Castelo de Almourol. A norte do Tejo há apenas um registo da presença da espécie, mas tem mais de vinte anos e outro, recente, de 2007, na área urbana do Porto.
As libélulas têm inúmeros predadores entre os quais podemos citar as aranhas, as rãs, os sapos e as aves. As próprias libélulas, as de maior envergadura, comem as mais pequenas.Uma das características mais marcantes destes insectos é o seu exclusivo e complexo sistema de fecundação. Esta só se concretiza na posição conhecida por roda (wheel em inglês) como a da imagem seguinte de um casal de Sympetrum fonscolombii (12).
12 – Sympetrum fonscolombii
Por vezes, encontram-se no campo libélulas presas em teias de aranha e em condições de serem fotografadas. Foi o que aconteceu com esta Calopteryx haemorrhoidalis (13), macho.
13 – Calopteryx haemorrhoidalis
Nem sempre é referido o contributo prestado pelas libélulas à sobrevivência das aves insectívoras, precisamente aquelas cujas populações têm vindo a regredir um pouco por todo o lado. Um dia, inesperadamente, um Abelharuco (14) – Merops apiaster – exibindo como troféu a sua libélula (não identificada) pousou perto do fotógrafo camuflado entre a vegetação.
14 – Abelharuco – Merops apiaster
Mas não devemos confiar no acaso. A maneira mais interessante de fotografar estes insectos é ao alvorecer de uma manhã fria de Outono. Nessa altura o insecto está paralisado pelas baixas temperaturas nocturnas e não reage à nossa aproximação. É um momento inesquecível para qualquer fotógrafo da natureza encontrar uma libélula, aqui uma Sympetrum spc.(15), coberta de gotas de orvalho e paralisada. Nesta imagem, captada numa manhã de Outubro, foram escurecidas algumas partes do fundo para salientar uma situação tão bela quanto efémera.
15 – Sympetrum spc
Por isso aqui deixamos um apelo aos interessados: Toca a levantar cedo e a pôr mãos à obra. Ah,além do equipamento fotográfico não se esqueçam do tripé, das botas de borracha e da lanterna de cabeça. Se puderem levar muita determinação e alguma paciência tanto melhor.
* Field Guide to the Dragonflies of Britain and Europe, by Klaas-Douwe B Dijkstra.British Wildlife Publishing,2006,UK.
** LIBELLULA, Supplement 9, Atlas of the Odonata of the Mediterranean and North Africa, 2009, GdO, Bornsen, Germany.

Libélulas | Dragonflies
1 Janeiro, 2010Na edição nº 29 – 22 de Setembro a 21 de Dezembro – da revista Parques e Vida Selvagem do Parque Biológico de Gaia foi publicado um artigo do autor desta folha. Infelizmente por imperativos gráficos o artigo saíu sem várias imagens o que retirou alguma força ao texto. Vamos agora publicar a versão integral acrescentando-lhe apenas a observação indicada por uma investigadora da Universidade do Porto.
LIBÉLULAS | DRAGONFLIES
Observar e Fotografar – Parte I
To See and to Photograph – 1st Part
O sistema fotográfico digital ,quer por economia de meios,quer por facilidades técnicas,veio permitir aos fotógrafos da natureza,especialmente aos amadores, a realização de alguns sonhos. Entre eles o da fotografia de insectos.Alterar o ISO,a sensibilidade,e seguir fotografando é uma vantagem formidável. Ainda melhor é a possibilidade de premir o disparador ,ver de imediato a imagem captada e aceitar ou corrigir os elementos fotográficos. Isto é um salto técnico extraordinário na história da fotografia da natureza. O sistema da Polaroid de certo modo já permitia isto mas nunca teve as valências técnicas necessárias a este tipo de fotografia.
Hoje pode-se fotografar tudo – ou quase tudo – sem necessidade de recorrer a equipamentos altamente especializados. Uma “bridge” (câmara que faz a ponte entre uma compacta e uma com capacidade para intermutar objectivas) com um bom zoom, é geralmente uma solução satisfatória. É que perante um alfaiate lacustre (1) – Gerris lacustris – caminhando sobre a água, uma borboleta da couve (2) – Pieris brassicae – ou uma mosca (03) - Episyrphus spc. em voo, o segredo do sucesso fotográfico pode estar escondido na paciência, na determinação e até no acessório de três pernas, o tripé.
1 – Alfaiate lacustre - Gerris lacustris
2 – Borboleta da couve - Pieris brassicae
4 – Mosca Episyrphus spc
Muitos fotógrafos preferem os insectos mais vistosos e/ou mais raros.Nestas categorias podemos apontar o imponente Vespão (4) – Vespa crabro, – a maior vespa da Europa – espectacular fabricante de “papel prensado” e a sempre bela e escassa Apatura ilia (5), ambos residentes e habituais visitantes do Parque Biológico de Gaia.
4 – Vespão - Vespa crabro
5 – Borboleta Apatura ilia
Mas há uma ordem de insectos que, tanto do ponto de vista científico como fotográfico, tem vindo a cativar cada vez mais adeptos. É a ordem Odonata a que pertencem as libélulas (Anisoptera) e as libelinhas (Zygoptera) que designaremos genericamente por libélulas. Embora sejam completamente inofensivas para o homem nos meios rurais chamam-lhes “Tira-olhos”.
Até agora foram registadas em Portugal 65 espécies diferentes de libélulas. Estes insectos são verdadeiros bio-indicadores tanto da qualidade da água, como do ambiente. Convém lembrar que a maior parte da sua vida ocorre em ambiente sub-aquático sob a forma de ovos e de larvas e que a poluição da água pode ser fatal para algumas espécies. Um fenómeno que os investigadores seguem com toda a atenção é o da expansão para Norte da Europa de espécies oriundas de África. Os motivos deste comportamento poderão ser complexos mas certamente não serão alheios às alterações climáticas e, em especial, ao aquecimento global.
Na nossa opinião as libélulas são tão belas como as borboletas. Veja-se,por exemplo, o inconfundível Crocothemis erythraea (6), de cor vermelha “da cabeça aos pés” ou a jovem e delicada Ischnura pumilio (07) na sua fase laranja, dita “aurantiaca”.
6 – Crocothemis erythraea
7 – Ischnura pumilio
(Continua)

À Volta de uma Flor IV | Around a Flower IV
15 Dezembro, 2009
Miradouros | Belvederes
1 Dezembro, 2009
Orquídea | Orchid – Orchis mascula
15 Novembro, 2009A etimologia desta orquídea, mascula, do latim “masculus”, ou seja, macho, viril, tem origem no aspecto das suas partes subterrâneas o qual é reforçado pela configuração fálica e postura do esporão de muitas flores.
É uma das orquídeas mais comuns de Portugal. Encontra-se em todo o território continental com excepção de uma área mais ou menos coincidente com o Douro Litoral. Em Espanha apenas não existem registos da sua presença na região da Corunha. Globalmente a sua área de distribuição abrange toda a Europa e estende-se pelo NW de África e W da Ásia. Esta ampla disseminação deve-se ao facto de germinar numa grande variedade de solos sendo, no entanto, mais frequente em terrenos calcários. A espécie está legalmente protegida na Bélgica e no Luxemburgo.
Entre nós é vulgarmente conhecida por Escroto-canino, Pata-de-lobo, Salepeira-maior e Satírião-macho. Os ingleses chamam-lhe, simplesmente, Early-purple orchid. Os franceses além de Orchis mâle dão-lhe nomes curiosos: Pentecôte, Soupe-à-vin e Mâle-fou. Para os nossos vizinhos é Cañamón, Sangre-de-Cristo, Satirión macho,etc.
Alguns especialistas consideram que a espécie é constituída por quatro subespécies das quais só duas existem em Portugal: a O. mascula subsp. mascula e a O. mascula subsp. olbiensis. Nesta a inflorescência é menos densa variando o número de flores entre 6 e 15. Naquela o número de flores é maior que 15 podendo chegar às 50. Outros especialistas consideram que a “olbiensis” é uma espécie independente da “mascula”. Para um terceiro grupo, e esta parece ser a mais recente tendência, não existem subespécies.
As flores são de cor vermelha-púrpura ou violáceas e, por vezes, rosadas ou brancas. A variedade de flores brancas é a mais rara e tem origem numa anomalia da pigmentação conhecida por hipocromia. Os botânicos não atribuem a este fenómeno relevância taxonómica classificando-o como variedade na forma albiflora.
O. mascula
O. mascula
O. mascula
O. mascula
O. olbiensis

A Bandeira | The Flag
1 Novembro, 2009No próximo dia 01 de Dezembro passa mais um ano sobre a Restauração da Independência Nacional. É um feriado nacional e por isso a Bandeira Nacional é hasteada com pompa e circunstância nos principais edifícios públicos, monumentos e quartéis. Atendendo à passagem desse feriado considerei oportuno publicar com alguma antecedência as imagens e o texto que se seguem.
Uma cobertura de varanda
Um pano roto
Uma águia maior que voa mais alto
Lanudos sem cabeça
Para o Campeonato Europeu de Futebol (Euro 2004),realizado em Portugal, mobilizou-se a população através da distribuição maciça e gratuita da Bandeira Nacional. A iniciativa teve o maior sucesso pois a ela aderiram, entusiasticamente, não só clubes e organismos ligados ao futebol mas também altas entidades do nosso sistema político-administrativo. Para um político, para qualquer político, convém participar em manifestações simpáticas e que envolvam grandes massas populacionais. É a maneira de alcançar uma boa posição para as eleições que vierem a seguir. Mas este é outro campeonato.
No Euro 2004 Portugal não atingiu o objectivo principal mas obteve um honroso 2º lugar. E foi lindo ver em muitas casas e jardins,tanto nas cidades como nas vilas e aldeias, as bandeiras nacionais novas a tremular ao vento. Mas com esta acção banalizou-se um dos principais símbolos da unidade nacional.
Segundo os dicionários banalizar significa tornar vulgar, o que quer dizer tornar baixo, ínfimo, reles, etc. Foi isso que fez boa parte da população. A situação fez-me lembrar a imagem dos “Lanudos sem cabeça”. Já no século XXI, com tanta escolaridade obrigatória, há gente que parece não ter cabeça ou se a tem é a um nível rasteirinho. Só assim se compreende que a nossa bandeira seja tão maltratada. Ou então o culto dos símbolos nacionais já não faz parte dos programas escolares. Mas nisto não quero acreditar.
Tendo como único apelo a colocação da bandeira nacional nas varandas e janelas as entidades que o promoveram são responsáveis por uma falha grave. Os grandes símbolos são para os grandes momentos e os grandes momentos são sempre breves. Aquele apelo devia ser acompanhado do pedido de retirada das bandeiras logo após o campeonato do Euro 2004 e o tecido que materializa o símbolo ser guardado em local digno para uso posterior. Isto não foi feito. Sem pretensos nacionalismos ou patriotismo quero aqui deixar registado o meu protesto pelo espectáculo degradante, presente um pouco por todo o lado, de que está a ser vítima um símbolo nacional e de que as imagens são prova irrefutável. A causa do futebol é, actualmente,uma causa muito popular mas não é uma causa pública. Quem andou a incentivar a distribuição das bandeiras tem agora um dever a cumprir: pedir à população, usando os mesmos meios de comunicação que foram mobilizados para o Euro 2004, para recolher a Bandeira Nacional, esclarecer que ela é muito mais que um simples trapo e que quando está hasteada é ela que faz sombra sobre todas as outras e nunca o contrário.
Possivelmente nada será feito. Mas então não se queixem que há um desinteresse generalizado pela causa pública.

Eliot Porter (1901-1990)
15 Outubro, 2009Eliot Furness Porter, fotógrafo, escritor, naturalista, químico e médico.
Nasceu em 1901 em Winnetka, Illinois, EUA.Estudou em Harvard. Por se ter licenciado em química e em medicina é, por vezes, referido como Dr Porter. De facto, após obter em 1929 o Medical Degree, deu aulas de bacteriologia e bioquímica na Escola Médica de Harvard, durante dez anos. E foi precisamente aos dez anos, quando passou umas férias na Penobscot Bay, que começou a fotografar as zonas costeiras do Maine. A partir daí só parou ao falecer em 1990.
Como era um apaixonado tanto pela fotografia como pela natureza tornou-se um verdadeiro especialista em ornitologia e na fotografia de aves. Mas também não foi por este tipo de fotografia que ficou tão conhecido. As suas fotografias de aves, como acontece com as de outros excepcionais praticantes, não fazem parte dos compêndios de história da fotografia. Apenas são incluídas em livros de aves, prática que as desqualifica face às fotografias que envolvam a figura humana (retrato, nus, moda, problemas sociais,etc.) e as paisagens. Até mesmo a flora tem, neste aspecto, um estatuto superior ao da fauna.
Só quem alguma vez fotografou aves pode dar o devido valor ao livro “Birds of North America – A Personal Selection”com texto e imagens de Eliot Porter. Uma maravilha. É certo que a fotografia daquela época, com aves a alimentarem os filhotes no ninho, está hoje condenada.Lembro que estou a falar de fotografias a cores, e que cores!!, das décadas de 40,50 e 60 do séc.XX.
No início da década de 30 Porter teve a sorte de ser apresentado a Ansel Adams e a Alfred Striglitz,duas das personalidades mais influentes no mundo da fotografia na primeira metade do séc.XX.Ao verem as suas imagens aconselharam-no a dedicar-se à fotografia a tempo inteiro.E foi o que ele fez.Em 1939 abandonou a carreira de professor em Harvard e passou o resto da vida viajando por todo o mundo a fotografar a natureza.
Em minha opinião ascendeu por mérito próprio à categoria de Mestre na fotografia de paisagens.
O seu primeiro livro só surge em 1962 quando já tinha 61 anos de idade. O sucesso alcançado com “In the Wildness is the Preservation of the World” foi de tal ordem que o Sierra Club, que o editou, a ele deve a sua reputação internacional.
Nos últimos vinte e oito anos de vida Porter escreveu mais de dez livros de fotografia. Tal como Ernst Haas foi um pioneiro na fotografia a cores conseguindo com elas as mesmas “nuances” de Ansel Adams com o preto e branco. Como era um especialista em química estabeleceu um acordo de fornecimento com a Kodak e ele próprio fazia a revelação das suas fotografias. É por isso que partilho da opinião do crítico Michael More expressa na revista View Camera (Jul/Ago e Set/Out2003): A obra de Porter tem sido subestimada ou ignorada pelos ”contemporary avand-garde critics”nas recentes antologias e revistas.
Grande parte do seu trabalho,feito com equipamento de grande formato,uma Linhof 4”x5”,pode ser visto no Amon Carter Museum, em Fort Worth, Texas.
Da análise que efectuei a um número significativo das suas imagens da natureza retirei uma observação curiosa:o céu,com raras excepções,foi sempre excluído.Um verdadeiro “truque”de Mestre.Aproveitando este pormenor,e o estilo Porter sem a grandiosidade do 4”x5”,termino com quatro imagens sob o título comum de”O céu pode esperar…”.

Voos III | Flies III
1 Outubro, 2009
À volta de uma flor III | Around a flower III
15 Setembro, 2009
Hesperídeos | Skippers
1 Setembro, 2009“Uma tarde…um grande número de borboletas… estendeu-se diante de nós,até onde a vista podia alcançar. Nem sequer com um telescópio podíamos descortinar um espaço livre de borboletas. Os marinheiros gritavam que estava a nevar borboletas.” O acontecimento ocorreu na década de 30 do séc. XIX e foi descrito por Charles Darwin*.
Esta introdução apenas pretende acentuar que o declínio das populações de borboletas no mundo moderno, dito desenvolvido, coloca os naturalistas e defensores da biodiversidade perante situações precisamente inversas às vividas pelos marinheiros do Beagle: Muitas vezes, nem sequer com um telescópio se consegue descortinar um espaço, ainda que pequeno, ocupado por borboletas. É o que acontece com os Hesperídios.
Para a maioria das pessoas este título é desconhecido e talvez,até,enigmático.Mas para descrever e mostrar um conjunto de borboletas com características muito especiais nada melhor que recorrer ao nome vulgar da família a que pertencem,neste caso a família Hesperidae.
Estas borboletas assemelham-se a borboletas nocturnas mas a sua actividade é diurna.Além de pequenas são pouco vistosas com cores castanhas, pretas e cinzentas. Por outro lado têm um voo potente, e com bruscas mudanças de direcção,que lhes permite facilmente despistar qualquer observador que pretenda segui-las. E mais, conseguem passar de um local para outro quase como se dessem um salto, características que levaram os ingleses a chamar-lhes “skippers”. Até parecem pulgas.
As “skippers”preferem zonas secas e de vegetação rasteira e por terem corpos curtos e largos, cabeça mais larga que o tórax e antenas muito afastadas, mesmo a partir da base, são consideradas como borboletas primitivas. Os machos identificam-se com alguma facilidade por apresentarem um sulco preto (black sex-brand) atravessando o lado superior das asas anteriores (Ver a penúltima foto abaixo,da Ochlodes venata).
Em dias de céu limpo podemos vê-las pousadas no solo em lugares soalheiros, quer para se aquecerem quer para absorverem a humidade da terra.Para o efeito apresentam por vezes uma posição muito peculiar e diferente das outras borboletas. Em vez de terem as asas completamente abertas ou completamente fechadas adoptam uma posição intermédia em que as asas posteriores ficam de facto abertas mas as anteriores permanecem parcialmente fechadas por cima daquelas (Ver as três primeiras fotos abaixo).
Entre as borboletas “skippers” há cinco espécies com cores um pouco mais vistosas,douradas, chamadas “golden skippers”. São elas:
- Thymelicus sylvestris
- Thymelicus lineola
- Thymelicus acteon
- Hesperia comma
- Ochlodes venata
Thymelicus sylvestris
Thymelicus lineola
Thymelicus acteon
Estas três espécies distribuem-se por todo o território continental. As duas primeiras são muito parecidas.Há,no entanto,um sinal exterior que as diferencia. Na T. sylvestris a parte inferior da ponta das antenas é de cor vermelha enquanto que na T. lineola é preta.
Hesperia comma
Esta é uma espécie que, praticamente, só se encontra a Norte do rio Mondego embora haja registos da sua presença na região de Sintra.
Ochlodes venata
O T. sylvestris é o mais pequeno dos “skippers” ou seja o “small skipper”. O O. venata está no extremo oposto,é o maior e por isso é conhecido por “large skipper”. A sua distribuição é idêntica à do H .comma mas com registos recentes no Algarve e mais antigos (1941) na região de Sintra.
Além das cinco “golden colour”espécies devemos também citar uma outra que, já não sendo “golden”,pertence à mesma sub-família de hesperídeos e é de todas a mais rara e mais ameaçada. É a Gegenes nostrodamus. Em Portugal tem,até agora, praticamente, o rio Tejo como o limite mais a Norte da sua área de distribuição. Em Espanha, no entanto, há registos da sua presença muito mais a Norte como é o caso da região de Lérida.
Em Junho de 2005 tivemos a sorte de ver e fotografar um destes insectos na margem esquerda do rio Tejo, na freguesia de Tramagal do concelho de Abrantes, e dois meses mais tarde, num Verão bastante quente, fomos surpreendidos por um visitante ocasional libando as flores de lantana do meu quintal, já em plena zona urbana da freguesia. Um acontecimento, sem dúvida, inédito tendo em conta o habitat da espécie.
Gegenes nostrodamus
Para saber mais, consultar:
- As borboletas de Portugal de Ernestino Maravalhas, 2003;
- Atlas de las mariposas diurnas de la Península Ibérica e islas Baleares da Sociedad Entomológica Aragonesa, Zaragoza, 2004;
- Butterflies & Moths in Britain and Europe de David Carter, PAN Books, 1982;
- Butterflies of Britain & Europe, A Photographic Guide de Michael Chinery, Harper Collins Publishers, Londres, 1998.
- *A Viagem do Beagle de Charles Darwin (Pág.145) Relógio D´Água Editores, Lisboa, 2009.

Desejos | Whishes
15 Agosto, 2009
Ver ou não ver III | To see or not to see III
1 Agosto, 2009
Voos II | Flies II
15 Julho, 2009
As simpáticas aves do Rio Tejo | The appealing birds of the Tagus River
1 Julho, 2009Em Março último fui,pela segunda vez,num passeio da Transtroia,rio Tejo acima.Desta vez organizado pelo meu amigo Gonçalo Elias no âmbito de uma actividade da Quercus.Aderiu à iniciativa bastante gente e,apesar do pequeno contratempo de o barco ter encalhado,o passeio foi agradável e permitiu observar muitas espécies de aves.Este era o objectivo principal do passeio.
Pela segunda vez encontrei um jovem entusiasta da ornitologia que ao ver-me exclamou: !Ah, estive a ver na Net as suas fotos do outro passeio” (eu tinha-lhe deixado o endereço do Photográcio com a indicação de que ia lá colocar algumas fotografias ). A observação fazia sentido. Nos tempos que correm é tudo feito a grande velocidade, com muita pressa, o mais rapidamente possível. Muitos fotógrafos e amantes da natureza que andam no campo a fotografar aves têm por hábito colocar na Internet as suas melhores fotografias. E isto é feito logo que chegam a casa ou nos dias imediatos. O sítio “Flickr” é um dos casos mais visíveis. Mas eu, bem ou mal, não tenho esse hábito. Assim o meu jovem interlocutor já tinha visto o que ainda não lhe era possível ter visto. A sua máscara de simpatia era perfeita. Por isso resolvi também colocar a minha e perguntei: “E então, o que é que achou?”. E ouvi dele com naturalidade e sem hesitações: “Estão bastante boas, muito boas mesmo”. Sem a máscara esta resposta teria sido um bálsamo para o meu ego.
Trocámos mais algumas impressões sobre as aves e separámo-nos, cada um com a sua máscara. Esta conversa, uma conversa entre mascarados, já se viu que não foi sincera. Além disso foi desequilibrada. Só uma das partes sabia que a outra usava uma máscara. É certo que era uma máscara de simpatia mas, em todo o caso, uma máscara.
Neste momento já está on-line uma imagem de aves do primeiro passeio e, acompanhando este texto, outras do primeiro e algumas do segundo passeio. De agora em diante a máscara do jovem passa a ser igual à minha, isto é, invisível. Se ele me disser que viu as imagens do segundo passeio e a sua opinião continuar favorável, o meu ego, liberto das grilhetas da certeza, já pode inchar à vontade. Esta opinião talvez cause alguma surpresa. Mas, para mim, a certeza é castradora da liberdade criativa. A certeza paralisa a imaginação. Só na incerteza é que a imaginação não tem limites. É por isso que não erro ao afirmar que, a simpatia com máscara, quando esta é visível, não passa de uma simpática mentira. E digo isto na incerteza de haver mentiras simpáticas. Que há aves simpáticas, umas mais que outras, lá isso há!! Tenho a certeza.
Alfaiates
Flamingos
Gaivota com presa
Garça-real na Ponte Vasco da Gama
Guincho

À volta de uma flor II | Around a flower II
15 Junho, 2009
Miradouros II | Belvederes II
1 Junho, 2009
Photogracio em Exposição – Borboletas | Photogracio in Exhibition – Butterflies
23 Maio, 2009
Photogracio em Exposição – Borboletas
A quem passar pela cidade de Abrantes sugerimos que faça uma visita ao Cine-teatro S. Pedro. Nele está patente ao público a exposição “Borboletas através do tempo”, organizada pelo Tagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal com a participação de mais de três dezenas de fotografias do Photográcio.
Até 31 de Julho de 2009, de segunda a sexta-feira das 10H00 às 12H30 e das 14H00 às 17H30.

Voos I | Flies I
15 Maio, 2009Sob este título vamos apresentar fotografias de seres alados em voo. A série, a publicar por partes, vai incluir aves e insectos em voo tendo por fundo o céu,a terra e superfícies aquáticas.
A fotografia de aves em voo tendo por fundo o céu é de todas a mais fácil porque os sensores da câmara apenas são “sensibilizados” pela matéria sólida do corpo das aves. Claro que a dificuldade aumenta à medida que as aves vão diminuindo em número e/ou tamanho. Outro problema interligado com este prende-se com a velocidade do voo.Quanto mais lento e rectilíneo for o voo mais fácil será de fotografar. E porquê? Porque o fotógrafo tem de movimentar a câmara até conseguir captar a ave no visor, acompanhar o voo até focar a ave,vê-la no visor na posição mais conveniente e só então premir o disparador.Mesmo neste momento não deve parar bruscamente o movimento,isto é,dispara mas segue o voo por mais alguns instantes.
Este tipo de fotografia com imagens nítidas exige teleobjectivas com distâncias focais iguais ou superiores a 300 mm, altas velocidades e grandes aberturas. Na maioria das situações, especialmente para quem não disponha de teleobjectivas muito luminosas, como é o meu caso, será necessário alterar o ISO para valores da ordem dos 300 ou 400 para que o movimento fique congelado.
As fotografias em que os olhos das aves ficam nítidos são,de um modo geral,as mais valorizadas. Entenda-se que as considerações expostas se referem à fotografia instantânea sem utilização de flashes de alta velocidade ou de equipamentos especiais de infra-vermelhos.
1 – Alfaiates
2 – Carraceiros
3 – Grous
4 – Libélulas em tandem
5 – Abelha doméstica

Máscaras I | Masks I
1 Maio, 2009É bem conhecido o poema de Fernando Pessoa com o título “Autopsicografia” em que na primeira quadra começa por dizer “O poeta é um fingidor”. Este poema, pela primeira vez publicado na revista Presença em 1932, foi escrito em 1 de Abril de 1931. Precisamente no dia das mentiras daquele ano.
Eu vou mais longe. Se o poeta é um fingidor, um fingidor da palavra escrita, o fotógrafo e o cineasta são os fingidores da imagem. Mas não me fico por aqui. E os políticos!? Oh,os políticos. Exímios fingidores de viva voz. Entre os melhores fingidores do gesto, da expressão e da personagem temos os artistas de teatro, os do cinema e os do circo. É a sua profissão. Bem vistas as coisas todos somos, uns mais outros menos, um pouco fingidores. Mas muitas vezes, por simulação de identidade, por vergonha, por vaidade, por receio ou por prazer lúdico, não é conveniente sê-lo de cara descoberta. É assim que aparecem as máscaras do Benin, a festa do templo de Baoan em Taipé, o carnaval de Veneza, os caretos de Pudence, etc, etc.
Mas será só o homem que é fingidor?E os outros seres?Que dizer de uma ave em roupagem nupcial?
Andaremos muito longe da verdade se dissermos que é uma máscara de sedução? E a ave adulta que para afastar um predador que se aproxima da zona do ninho emite chamamentos de sofrimento e finge estar ferida? Regra geral o fingimento nos outros seres vivos está associado a estratégias de sobrevivência. Sob este ponto de vista podemos citar a metamorfose dos insectos. Mas há exemplos mais evidentes. O bicho de conta (Armadillium vulgare) quando se lhe toca e o ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus) quando se sente em perigo enroscam-se e ficam paralisados. Estas atitudes são máscaras de defesa. O próprio homem, apesar de as ter usado com frequência nos tempos medievais, ainda as não pôs completamente de lado. As máscaras anti-gás estão sempre presentes em caso de risco de guerra química. Mesmo em tempo de paz elas podem ser vistas nos profissionais de saúde em trabalho nos blocos operatórios, nos apicultores quando tratam das suas colmeias,nas actividades em ambientes muito poluídos ou em períodos de risco de pandemia como acontece agora com a gripe mexicana.Mas das palavras passemos às imagens.
I – Máscara de luz
II – Máscara da floresta surrealista I
III – Máscara de beleza
Em 1974, um criminoso incêndio no sótão de uma casa devorou quase todos os meus diapositivos de sete anos de permanência em Moçambique. O incidente provocou-me um grande desânimo e levou-me a abandonar a fotografia durante vários anos. Esta última fotografia,dos anos 60 do Sec.XX, faz parte do pequeno conjunto de salvados que eu guardo como “Relíquias”.






















































































