
À volta de uma flor I | Around a flower I
1 Fevereiro, 2009Luz e uma flor, um jardim.
Não é o milagre das rosas mas o milagre da fotografia. Uma simples flor, esta ou outra qualquer, transforma-se com a luz, com o ponto de vista e com o tempo.
Anda-se em redor desta ou daquela mas sempre de uma de cada vez. Hoje de manhã e amanhã à tarde. A semana passada com uma de tons mais quentes, perdida que está a verdura dos primeiros tempos, e que vai suavemente estiolando.
Na próxima semana com uma jovem, ainda em botão, que vai desabrochar mais tarde. E assim se constrói um jardim. De flor em flor, de vista em vista, de real em imaginário e de imaginário em real. Sem se dar por isso surgem várias dezenas de fotografias e de flores. Em alguns casos até se duvida que sejam da mesma espécie. Noutros se são mesmo flores. Mas são. Certamente híbridos pertencentes ao género Agapanthus. A forma pode estar alterada. Os contornos podem não corresponder à imagem a que estamos habituados.
Como dizia Man Ray a propósito das suas célebres fotografias sem câmara a que chamou “Rayogramas”: Tudo pode ser transformado, deformado e eliminado pela luz. Ela é flexível como o pincel….. É a luz quem cria”. No meu caso a câmara e a objectiva são indispensáveis. Por outro lado não trago as flores para casa. Vou ao local onde nasceram e desabrocharam. De cada clique nasce uma fotografia que mais tarde pode vir a ser eliminada. Não há sobreposições ou fotomontagens tanto digitais como analógicas.
Para os descrentes, e que têm todo o direito de assim permanecerem, apenas me ocorre argumentar, ressalvada a devida notoriedade, com a citação do fotógrafo e colunista Dewitt Jones na revista Outdoor Photographer de Novembro de 2008: ”Everyone discusses my art and pretends to understand as if were necessary to understand,when it is simply necessary to love”.
I – Agapanthus
II – Agapanthus
III – Agapanthus
IV – Agapanthus
V – Agapanthus




