Arquivos para a Categoria ‘Aves’

Voos II | Flies II
15 Julho, 2009
As simpáticas aves do Rio Tejo | The appealing birds of the Tagus River
1 Julho, 2009Em Março último fui,pela segunda vez,num passeio da Transtroia,rio Tejo acima.Desta vez organizado pelo meu amigo Gonçalo Elias no âmbito de uma actividade da Quercus.Aderiu à iniciativa bastante gente e,apesar do pequeno contratempo de o barco ter encalhado,o passeio foi agradável e permitiu observar muitas espécies de aves.Este era o objectivo principal do passeio.
Pela segunda vez encontrei um jovem entusiasta da ornitologia que ao ver-me exclamou: !Ah, estive a ver na Net as suas fotos do outro passeio” (eu tinha-lhe deixado o endereço do Photográcio com a indicação de que ia lá colocar algumas fotografias ). A observação fazia sentido. Nos tempos que correm é tudo feito a grande velocidade, com muita pressa, o mais rapidamente possível. Muitos fotógrafos e amantes da natureza que andam no campo a fotografar aves têm por hábito colocar na Internet as suas melhores fotografias. E isto é feito logo que chegam a casa ou nos dias imediatos. O sítio “Flickr” é um dos casos mais visíveis. Mas eu, bem ou mal, não tenho esse hábito. Assim o meu jovem interlocutor já tinha visto o que ainda não lhe era possível ter visto. A sua máscara de simpatia era perfeita. Por isso resolvi também colocar a minha e perguntei: “E então, o que é que achou?”. E ouvi dele com naturalidade e sem hesitações: “Estão bastante boas, muito boas mesmo”. Sem a máscara esta resposta teria sido um bálsamo para o meu ego.
Trocámos mais algumas impressões sobre as aves e separámo-nos, cada um com a sua máscara. Esta conversa, uma conversa entre mascarados, já se viu que não foi sincera. Além disso foi desequilibrada. Só uma das partes sabia que a outra usava uma máscara. É certo que era uma máscara de simpatia mas, em todo o caso, uma máscara.
Neste momento já está on-line uma imagem de aves do primeiro passeio e, acompanhando este texto, outras do primeiro e algumas do segundo passeio. De agora em diante a máscara do jovem passa a ser igual à minha, isto é, invisível. Se ele me disser que viu as imagens do segundo passeio e a sua opinião continuar favorável, o meu ego, liberto das grilhetas da certeza, já pode inchar à vontade. Esta opinião talvez cause alguma surpresa. Mas, para mim, a certeza é castradora da liberdade criativa. A certeza paralisa a imaginação. Só na incerteza é que a imaginação não tem limites. É por isso que não erro ao afirmar que, a simpatia com máscara, quando esta é visível, não passa de uma simpática mentira. E digo isto na incerteza de haver mentiras simpáticas. Que há aves simpáticas, umas mais que outras, lá isso há!! Tenho a certeza.
Alfaiates
Flamingos
Gaivota com presa
Garça-real na Ponte Vasco da Gama
Guincho

Voos I | Flies I
15 Maio, 2009Sob este título vamos apresentar fotografias de seres alados em voo. A série, a publicar por partes, vai incluir aves e insectos em voo tendo por fundo o céu,a terra e superfícies aquáticas.
A fotografia de aves em voo tendo por fundo o céu é de todas a mais fácil porque os sensores da câmara apenas são “sensibilizados” pela matéria sólida do corpo das aves. Claro que a dificuldade aumenta à medida que as aves vão diminuindo em número e/ou tamanho. Outro problema interligado com este prende-se com a velocidade do voo.Quanto mais lento e rectilíneo for o voo mais fácil será de fotografar. E porquê? Porque o fotógrafo tem de movimentar a câmara até conseguir captar a ave no visor, acompanhar o voo até focar a ave,vê-la no visor na posição mais conveniente e só então premir o disparador.Mesmo neste momento não deve parar bruscamente o movimento,isto é,dispara mas segue o voo por mais alguns instantes.
Este tipo de fotografia com imagens nítidas exige teleobjectivas com distâncias focais iguais ou superiores a 300 mm, altas velocidades e grandes aberturas. Na maioria das situações, especialmente para quem não disponha de teleobjectivas muito luminosas, como é o meu caso, será necessário alterar o ISO para valores da ordem dos 300 ou 400 para que o movimento fique congelado.
As fotografias em que os olhos das aves ficam nítidos são,de um modo geral,as mais valorizadas. Entenda-se que as considerações expostas se referem à fotografia instantânea sem utilização de flashes de alta velocidade ou de equipamentos especiais de infra-vermelhos.
1 – Alfaiates
2 – Carraceiros
3 – Grous
4 – Libélulas em tandem
5 – Abelha doméstica

Aves | Birds
14 Janeiro, 2009A maneira mais fácil de entrar no mundo das aves é ir para o campo com os especialistas que as conhecem e que sabem quando e onde encontrá-las. Sãos os chamados Ornitólogos.No nosso país a ONGA – Organização Não Governamental para o Ambiente, especialmente vocacionada para a observação e conservação de aves é a SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo da Aves. Esta organização conta entre os seus sócios com os nossos melhores ornitólogos.
Como sou um curioso em tudo o que diz respeito à Natureza e gosto muito de fotografar aves, mas sabendo qual ou quais estou a fotografar,f iz-me sócio da SPEA há já vários anos. E sempre que posso, e me interessa, inscrevo-me nas Saídas de Campo organizadas pela SPEA. São grátis para os sócios e a preços simbólicos para os que não são sócios. O número de participantes é da ordem dos 15 e o ambiente é sempre de grande camaradagem e de muito entusiasmo perante cada observação. Eu duvido que algum médico possa receitar melhor remédio para combater o stress profissional e a vida agitada e poluída dos grandes centros urbanos.
Embora a esmagadora maioria dos guias, os tais ornitólogos, não faça desta actividade a sua profissão, eles são profundos conhecedores da nossa avifauna e da sua distribuição pelo país ao longo do ano. De memória,e desculpem-me qualquer eventual falha, cito os nomes dos que já tive o prazer de acompanhar no campo: Luís Costa, Gonçalo Elias, João Jara, Domingos Leitão, João Ministro,V anda Miravent, Carlos Noivo, Carlos Pereira, Luís Reino e Ricardo Tomé.
De todos o que melhor conheço é o Gonçalo Elias. Um grande entusiasta das aves,com excelentes qualidades pedagógicas e já com uma carreira muito meritória na divulgação da Ornitologia em Portugal. São disso exemplo a secção sobre as aves de Portugal que vem mantendo no jornal QUERCUS Ambiente e o Portal os Observadores de Aves, sítio na web criado por sua iniciativa.
Para finalizar quero aqui deixar um registo fotográfico bastante invulgar conseguido na ultima saída da SPEA com o Gonçalo Elias em terras raianas a Sul de Vilar Formoso. A distância era grande. Os binóculos ou as teleobjectivas eram neste caso indispensáveis. Certamente todos ou quase todos viram. Foi tudo rápido, muito rápido. Eu também vi e posso provar que vi e fotografei. Aqui estamos longe da chamada “Fine Art Photography”, mas nem por isso o papel do medium é menos importante. Aqui estamos perante o “momento decisivo” de que nos falou Cartier-Bresson para os ambientes urbanos.
I – Cuco e Papa-figos
II – Cuco e Papa-figos
III – Cuco
É muito raro, para não dizer raríssimo, conseguir reunir numa mesma fotografia dois Cucos (Cuculus canorus) e um Papa-figos ( Oriolus oriolus).
O mérito para esta observação inesquecível não é meu. Ele vai inteirinho para Gonçalo Elias que escolheu uma zona com variedade e densidade de aves acima das médias do país e também para a organização que proporciona estes eventos.
Faça-se sócio da SPEA!
É barato,faz bem à saúde e vai conhecer um mundo fascinante que até agora lhe tem passado ao lado. Inscreva-se no sítio www.spea.pt ou ligue para Tlf 213220430 e não se irá arrepender.
Obsv.:
Na segunda quinzena de Maio
terá início uma série com fotografias
de aves e insectos em voo.

Desejos | Whishes
29 Setembro, 2008
Abibes | Lapwings
15 Setembro, 2008As quatro fotografias com aves não são de boa qualidade. Mas não resisto a apresentá-las, porque revelam um comportamento curioso que para mim foi uma autêntica novidade. Não sendo um especialista em ornitologia posso ir descrever uma banalidade conhecida de longa data. Mas se assim for também não vem por isso mal ao mundo.
No último mês de Janeiro fui ao estuário do Tejo. Para a fotografia a manhã estava bastante pior do que as previsões meteorológicas da véspera davam a entender. Fui até aos conhecidos arrozais da Giganta que nesta altura do ano apenas têm charcas e restolho de arroz. O tempo estava enevoado e o céu cinzento.
Se a câmara fotográfica fosse de rolo certamente ficaria no descanso. Com a digital, como “não pesa no orçamento”, fui-me entretendo com fotografias aos abibes (Vanellus vanellus). Estas aves no Inverno são muito gregárias. Vivem em grandes bandos que gostam de descansar em zonas abertas, especialmente as alagadiças, onde encontram um dos seus petiscos preferidos, as minhocas. À semelhança de outras aves o descanso na água é feito apenas sobre uma perna, mantendo-se a outra recolhida no aconchego das penas do abdómen. Foi isto que eu vi, que costumo ver, e que está documentado na fotografia 2.
1 – ABIBE
2 – BANDO DE ABIBES
Mas quando cheguei a casa e transferi as imagens para o computador deparei com algo de novo. Que nunca tinha observado nem li nada sobre o assunto. As duas fotografias seguintes são elucidativas.
3 – BANDO DE ABIBES
4 – BANDO DE ABIBES
Em ambos os bandos a maioria das aves tem uma perna pendurada ou, pelo menos, não recolhida. Talvez por acção do voo a perna fica inclinada para a rectaguarda. Isto não é vulgar. Mas penso ter encontrado uma explicação lógica para o fenómeno. Nesta altura do ano as águas estão frias e muitas vezes até geladas. Durante a noite estas aves passam muitas horas na posição de descanso ou seja com uma das pernas dentro de água.
Naturalmente que essa perna fica engadanhada, dormente, “anestesiada”. Mesmo que a ave se esforce, e sem dúvida que se esforça, não consegue recolhê-la durante o voo. É evidente que esta atitude não é da iniciativa das aves. É um comportamento forçado pelas condições meteorológicas. De sua iniciativa, certamente resultante de anos e anos de evolução, é o descanso sobre só uma das pernas para evitar que as duas fiquem entorpecidas.

Aves do Parque Biológico de Gaia
31 Janeiro, 2008Clique nas Fotos
O Parque Biológico de Gaia é um espaço de 35 hectares com uma grande variedade de aves. Umas em liberdade e outras em cativeiro. Mas, tenha-se em atenção, como afirma por escrito a Direcção do Parque, que não pretende ser um jardim zoológico. E de facto, na sua grande maioria, as aves e outros animais em cativeiro foram feridos ou sofreram acidentes que os impossibilitaram de sobreviver em liberdade. Aliás uma das actividades talvez menos conhecida do Parque é, precisamente, a do tratamento e da recuperação de animais acidentados. Para o efeito o Parque dispõe de um Centro de Recuperação e de uma Clínica Veterinária (Tlf. 227 878 129). Quem goste de tirar fotografias a aves tem neste espaço público grandes oportunidades. Os comedouros, os bebedouros e as caixas-ninho encontram-se espalhados um pouco por todo o lado. Os trilhos autorizados estão devidamente assinalados. E se queremos ser bons fotógrafos da natureza devemos respeitar as regras ambientais. Primeiro para defesa, bem-estar e sobrevivência das aves e animais fotografados. Depois, tratando-se de um espaço público, para que o bem que está ser oferecido possa ser usufruído nas mesmas condições por toda a comunidade. No nosso caso, mesmo com pouco tempo disponível, não tivemos grande dificuldade em captar estas seis imagens de aves.
Embora não seja visível através da Internet posso garantir que o Pisco-de-peito-ruivo fotografado nas proximidades de um comedouro está anilhado. E se a memória não me falha a anilhagem é efectuada regularmente dentro do perímetro do Parque. Quem estiver interessado em participar nesta actividade deve ligar para o Tlf. Geral 227 878 120.

“Wrestling” das Garças” | Herons’s Wrestling
30 Janeiro, 2008Clique nas Fotos
De seu nome científico Ardea cinerea, a Garça-real é uma ave grande e relativamente comum nas zonas húmidas. Numa saída da SPEA à zona de Vilha Velha de Ródão tivemos oportunidade de fotografar dois exemplares da espécie. Possivelmente dois machos. Um, sem querer ou deliberadamente, ocupou o território do outro. Este quando chegou tratou de correr com o intruso.
9 – APROXIMAÇÃO
10 – PERSEGUIÇÃO
11 – FUGA
A acção foi contínua e muito rápida. Para facilitar a sua compreensão dividimo-la em três etapas: Aproximação, Perseguição e Fuga. Isto até parece uma manobra militar. Não houve contacto porque o intruso não ofereceu resistência e fugiu em grande velocidade. Também já tínhamos observado e fotografado em Castro Marim uma cena semelhante entre duas Garças-brancas, Egretta garzetta. Mas neste caso a disputa pareceu-me ser por causa de comida. Houve acções e reacções de ambas as partes e eu regalei-me a ver um autêntico festival de acrobacia aérea. Felizmente estas lutas assemelham-se ao”wrestling” e não causam ferimentos aos participantes.
As duas fotografias seguintes ilustram o que acabei de descrever.
12 E 13 – GARÇAS-BRANCAS I e II





























