Arquivos para a Categoria ‘Borboletas’

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Hesperídeos | Skippers

1 Setembro, 2009

“Uma tarde…um grande número de borboletas… estendeu-se diante de nós,até onde a vista podia alcançar. Nem sequer com um telescópio podíamos descortinar um espaço livre de borboletas. Os marinheiros gritavam que estava a nevar borboletas.” O acontecimento ocorreu na década de 30 do séc. XIX e foi descrito por Charles Darwin*.

Esta introdução apenas pretende acentuar que o declínio das populações de borboletas no mundo moderno, dito desenvolvido, coloca os naturalistas e defensores da biodiversidade perante situações precisamente inversas às vividas pelos marinheiros do Beagle: Muitas vezes, nem sequer com um telescópio se consegue descortinar um espaço, ainda que pequeno, ocupado por borboletas. É o que acontece com os Hesperídios.

Para a maioria das pessoas este título é desconhecido e talvez,até,enigmático.Mas para descrever e mostrar um conjunto de borboletas com características muito especiais nada melhor que recorrer ao nome vulgar da família a que pertencem,neste caso a família Hesperidae.

Estas borboletas assemelham-se a borboletas nocturnas mas a sua actividade é diurna.Além de pequenas são pouco vistosas com cores castanhas, pretas e cinzentas. Por outro lado têm um voo potente, e com bruscas mudanças de direcção,que lhes permite facilmente despistar qualquer observador que pretenda segui-las. E mais, conseguem passar de um local para outro quase como se dessem um salto, características que levaram os ingleses a chamar-lhes “skippers”. Até parecem pulgas.

As “skippers”preferem zonas secas e de vegetação rasteira e por terem corpos curtos e largos, cabeça mais larga que o tórax e antenas muito afastadas, mesmo a partir da base, são consideradas como borboletas primitivas. Os machos identificam-se com alguma facilidade por apresentarem um sulco preto (black sex-brand) atravessando o lado superior das asas anteriores (Ver a penúltima foto abaixo,da Ochlodes venata).

Em dias de céu limpo podemos vê-las pousadas no solo em lugares soalheiros, quer para se aquecerem quer para absorverem a humidade da terra.Para o efeito apresentam por vezes uma posição muito peculiar e diferente das outras borboletas. Em vez de terem as asas completamente abertas ou completamente fechadas adoptam uma posição intermédia em que as asas posteriores ficam de facto abertas mas as anteriores permanecem parcialmente fechadas por cima daquelas (Ver as três primeiras fotos abaixo).

Entre as borboletas “skippers” há cinco espécies com cores um pouco mais vistosas,douradas, chamadas “golden skippers”. São elas:

- Thymelicus sylvestris
- Thymelicus lineola
- Thymelicus acteon
- Hesperia comma
- Ochlodes venata

09.09.01.01 Thymelicus sylvestris

Thymelicus sylvestris

09.09.01.02 Thymelicus lineola

Thymelicus lineola

09.09.01.03 Thymelicus action

Thymelicus acteon

Estas três espécies distribuem-se por todo o território continental. As duas primeiras são muito parecidas.Há,no entanto,um sinal exterior que as diferencia. Na T. sylvestris a parte inferior da ponta das antenas é de cor vermelha enquanto que na T. lineola é preta.

09.09.01.04 Hesperia comma

Hesperia comma

Esta é uma espécie que, praticamente, só se encontra a Norte do rio Mondego embora haja registos da sua presença na região de Sintra.

09.09.01.05 Ochlodes venata

Ochlodes venata

O T. sylvestris é o mais pequeno dos “skippers” ou seja o “small skipper”. O O. venata está no extremo oposto,é o maior e por isso é conhecido por “large skipper”. A sua distribuição é idêntica à do H .comma mas com registos recentes no Algarve e mais antigos (1941) na região de Sintra.

Além das cinco “golden colour”espécies devemos também citar uma outra que, já não sendo “golden”,pertence à mesma sub-família de hesperídeos e é de todas a mais rara e mais ameaçada. É a Gegenes nostrodamus. Em Portugal tem,até agora, praticamente, o rio Tejo como o limite mais a Norte da sua área de distribuição. Em Espanha, no entanto, há registos da sua presença muito mais a Norte como é o caso da região de Lérida.

Em Junho de 2005 tivemos a sorte de ver e fotografar um destes insectos na margem esquerda do rio Tejo, na freguesia de Tramagal do concelho de Abrantes, e dois meses mais tarde, num Verão bastante quente, fomos surpreendidos por um visitante ocasional libando as flores de lantana do meu quintal, já em plena zona urbana da freguesia. Um acontecimento, sem dúvida, inédito tendo em conta o habitat da espécie.

09.09.01.06 Gegenes nostrodamus

Gegenes nostrodamus


Para saber mais, consultar:

- As borboletas de Portugal de Ernestino Maravalhas, 2003;
- Atlas de las mariposas diurnas de la Península Ibérica e islas Baleares da Sociedad Entomológica Aragonesa, Zaragoza, 2004;
- Butterflies & Moths in Britain and Europe de David Carter, PAN Books, 1982;
- Butterflies of Britain & Europe, A Photographic Guide de Michael Chinery, Harper Collins Publishers, Londres, 1998.
- *A Viagem do Beagle de Charles Darwin (Pág.145) Relógio D´Água Editores, Lisboa, 2009.

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Photogracio em Exposição – Borboletas | Photogracio in Exhibition – Butterflies

23 Maio, 2009

Photogracio em Exposição – Borboletas

A quem passar pela cidade de Abrantes sugerimos que faça uma visita ao Cine-teatro S. Pedro.  Nele está patente ao público a exposição “Borboletas através do tempo”, organizada pelo Tagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal com a participação de mais de três dezenas de fotografias do Photográcio.

Até 31 de Julho de 2009, de segunda a sexta-feira das 10H00 às 12H30 e das 14H00 às 17H30.

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À volta de uma flor I | Around a flower I

1 Fevereiro, 2009

Luz e uma flor, um jardim.

Não é o milagre das rosas mas o milagre da fotografia. Uma simples flor,  esta ou outra qualquer, transforma-se com a luz, com o ponto de vista e com o tempo.

Anda-se em redor desta ou daquela mas sempre de uma de cada vez. Hoje de manhã e amanhã à tarde. A semana passada com uma de tons mais quentes, perdida que está a verdura dos primeiros tempos, e que vai suavemente estiolando.

Na próxima semana com uma jovem,  ainda em botão, que vai desabrochar mais tarde. E assim se constrói um jardim. De flor em flor, de vista em vista, de real em imaginário e de imaginário em real.  Sem se dar por isso surgem várias dezenas de fotografias e de flores. Em alguns casos até se duvida que sejam da mesma espécie. Noutros se são mesmo flores. Mas são. Certamente híbridos pertencentes ao género Agapanthus. A forma pode estar alterada. Os contornos podem não corresponder à imagem a que estamos habituados.

Como dizia Man Ray a propósito das suas célebres fotografias sem câmara a que chamou “Rayogramas”: Tudo pode ser transformado, deformado e eliminado pela luz. Ela é flexível como o pincel….. É a luz quem cria”. No meu caso a câmara e a objectiva são indispensáveis. Por outro lado não trago as flores para casa. Vou ao local onde nasceram e desabrocharam. De cada clique nasce uma fotografia que mais tarde pode vir a ser eliminada. Não há sobreposições ou fotomontagens tanto digitais como analógicas.

Para os descrentes, e que têm todo o direito de assim permanecerem, apenas me ocorre argumentar, ressalvada a devida notoriedade, com a citação do fotógrafo e colunista Dewitt Jones na revista Outdoor Photographer de Novembro de 2008:  ”Everyone discusses my art and pretends to understand as if were necessary to understand,when it is simply necessary to love”.


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I – Agapanthus

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II – Agapanthus

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III – Agapanthus

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IV – Agapanthus

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V – Agapanthus


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Borboletas | Butterflies

15 Janeiro, 2009

Abril de 2008, Serpa, antigo Apeadeiro do Guadiana. Noite cerrada. Já passa da meia noite. É dia 24. Junto dos carris, perto da antiga ponte ferroviária, agora desactivada,um clarão de luz intensa rasga a escuridão da noite. Quatro vultos debruçam-se sobre o que parece ser um lençol branco colocado por baixo duma lâmpada suspensa a mais de um metro de altura.

Atraídos pela luz muitos insectos esvoaçam à volta da lâmpada até que poisam inquietos no lençol.

“Um dos vultos diz: Isso que estás a dizer deve ser uma grande treta. Outro vulto acrescenta: Vê-se mesmo que estás a inventar esse nome. Um terceiro também intervém: Oh Eduardo, mas tu queres convencer-nos que sabes estes nomes todos de cor!!? Tudo dito no meio de gargalhadas e de grande atenção para uma pequena borboleta nocturna que o visado tem entre os dedos. Com um sorriso complacente afirmou: Já vos disse: Esta é a Cleonymia pectinicornis e este é o primeiro registo da sua presença em Portugal. Não tenho aqui o livro mas amanhã vou confirmar.”

Toda aquela conversa era para o fazer afinar. Todos sabiam, e sabem, que o Eduardo Marabuto, um jovem biólogo de 23 anos, é um dos nossos grandes especialistas em borboletas, sejam elas nocturnas ou diurnas. A sua capacidade para identificar borboletas, especialmente as nocturnas, cujo numero de espécies ultrapassa o milhar, é verdadeiramente notável. Não fosse a presença do Eduardo e eu,o Dinis Cortes e o Ivo Rodrigues nunca teríamos distinguido uma raridade entre as dezenas de borboletas pousadas no lençol.

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I – Cleonymia pectinicornis

Nesse mesmo dia, ainda de manhã, fui com o Eduardo procurar outra raridade, esta diurna, nos arredores de Beja. Apesar dos nossos esforços, andamos mais de uma hora em trabalho de pesquisa, só vimos um exemplar da Melitaea aetherie que, felizmente, conseguimos fotografar. O bicho é mesmo raro.

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II – Melitaea aetherie

Da parte da tarde, depois de novo encontro com o Ivo Rodrigues que nos proporcionou fotografar a Orchis laxiflora (Orquidea que em Portugal está classificada como RR, muito rara ), fomos os três ao encontro do Dinis Cortes para ver e, se possível, fotografar a Pseudophilotes abencerragus. Já imaginaram o que é fotografar num terreno pedregoso, com uma brisa leve mas permanente, um insecto irrequieto com uma envergadura de 18-22 mm (Maravalhas, 2003) e que voa em ziguezague junto ao chão e às plantas!? A situação ainda se complica mais quando se tem por hábito usar o tripé. Mas o resultado é compensador. A Dinis Cortes e ao Ivo Rodrigues os meus agradecimentos pela amizade e entusiasmo com que nos receberam e acompanharam.

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III – Pseudophilotes abencerragus

Num só dia fotografar estas três raridades não é obra do acaso. É obra de Eduardo Marabuto, um jovem com uma grande paixão pelas borboletas e cuja autoridade nesta matéria se tem vindo a impor entre os nossos especialistas de borboletas. E eles são ainda muito poucos. João Pedro Cardoso, Eduardo Marabuto, Ernestino Maravalhas, Luís Mendes, Bivar de Sousa, Patrícia Garcia Pereira (só diurnas) e Pedro Pires. Estes são os que conheço com trabalhos publicados. Marabuto está agora a preparar a sua tese de Mestrado que, como não podia deixar de ser, incide sobre uma borboleta, a Euchloe tagis. A distribuição em Portugal desta borboleta estava até há pouco tempo confinada à Serra da Arrábida e com um registo antigo na zona de Leiria. A tese de Eduardo Marabuto vai concerteza alterar esta situação. As suas notícias e fotos podem ser vistas em
http://eduardomarabutonature.blogspot.com.

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IV – Euchloe tagis

Para quem queira conhecer as nossas borboletas nocturnas sugiro uma visita ao sítio que mantem em parceria com Pedro Pires no endereço http://www.lusoborboletas.org

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Desejos | Whishes

29 Setembro, 2008

1 – DESEJO DO ANILHADOR DE AVES

2 – DESEJO DO FOTÓGRAFO DE BORBOLETAS

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Borboleta Charaxes jasius | The Two-tailed Pasha

1 Setembro, 2008

Esta borboleta é a maior borboleta diurna da Europa com uma envergadura que pode atingir os 80 mm. A fêmea é maior que o macho. Ambos apresentam duas caudas nas asas posteriores. Os ingleses, sempre práticos, introduziram esta característica no nome comum da espécie, “Two tailed”. Os espanhois fizeram o mesmo. É a “Bajá dos colas”. Para os franceses é a “ Nymphale de l’Arbousier”.

1 - CHARAXES JASIUS

O seu período de voo estende-se desde o final do Inverno até ao princípio do Outono com duas gerações.Só se lhe conhece uma planta hospedeira, o Medronheiro, cujo nome científico é Arbustus unedo.

2 – CHARAXES JASIUS SUGANDO UMA UVA

Em consequência desta fragilidade a área de distribuição do insecto segue a área de distribuição dos medronhais. Na Europa, curiosamente, esta área de distribuição assemelha-se á da orquídea Ophrys speculum subsp. speculum referida post anterior. Mas não é por acaso. Ambas são espécies características do litoral mediterrânico. Esta bonita borboleta pratica o chamado “hill-topping” e é atraída por odores fortes designadamente os de excrementos e de frutos maduros.

3 – MEDRONHEIRO COM FRUTOS E FLORES

A lagarta, tal como a crisálida, é verde e devido ao seu mimetismo é difícil de localizar sobre as folhas do medronheiro.

4 – LAGARTA DA CHARAXES JASIUS NUMA FOLHA DE MEDRONHEIRO

Quem quiser ter o trabalho facilitado deve visitar o Lagartagis no Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural na Rua da Escola Politécnica em Lisboa (Tel 213965388).

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Borboleta Caniche | Caniche Butterfly

31 Maio, 2008
Clique nas Fotos

Em meados de Abril do ano passado fui com o meu amigo Paulo Simões para uma zona nos arredores de Queluz.A intenção era a de fotografar a borboleta Tomares ballus.Não íamos muito confiantes porque já estávamos na parte final do seu período de voo.Mas o Paulo é um profundo conhecedor do local e dos percursos preferidos por esta espécie.Após laboriosas buscas conseguimos ver dois exemplares um dos quais se deixou fotografar.

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16 – Tomares ballus

Esta borboleta pertence à famíia Lycaenidae,voa de Fevereiro a Abril e,segundo Ernestino Maravalhas, no seu livro “As borboletas de Portugal”,está ameaçada de extinção. Quando nos preparávamos para regressar o Paulo chamou-me a atenção para um pequeno ponto laranja que voava por cima da erva. Quando o pontinho pousou e o comecei a focar nem queria acreditar no que estava a ver.Ao princípio nem conseguia identificar onde estava a cabeça e onde estava a cauda.

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17 e 18 – Acanthopsyche atra I e II

Aquele ser pequenino era uma autêntica maravilha da natureza.Visto de lado parecia-me uma miniatura perfeita de um cão da raça caniche. E,à falta de conhecimento científico,passamos a chamar-lhe Borboleta – caniche. Afinal trata-se de uma microborboleta. Depois de muitas pesquisas,que envolveram a boa vontade de pessoas amigas e se estenderam a Espanha e a Inglaterra acabámos por saber que se trata de uma micro-borboleta pertencente à família Psychidae.O seu nome científico é Acanthopsyche atra. O interessante nesta espécie é que existe entre os adultos um diformismo sexual extremo.A fêmea não tem asas, portanto não voa, e as pernas e antenas são apenas vestigiais. Não passa de uma lagarta. Por seu lado o macho,além da sua pequenez (envergadura de 16 a 22 mm) e beleza tem asas translúcidas, antenas bipectinadas e o corpo peludo.Inconfundível.Dado que o tempo estava ventoso apenas ficaram boas três fotografias das quais apresento duas.

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Borboletas do Parque Biológico de Gaia

15 Fevereiro, 2008

A fotografia de borboletas é morosa. Além disso requer bom tempo, muita paciência, conhecimentos sobre estes insectos e equipamento fotográfico diferente do utilizado para as aves e para a generalidade das plantas. Destes requisitos faltou-nos o primeiro, o tempo. Só para encontrar e fotografar a Aptura (vidé a “Apresentação”) demoramos mais de duas horas. Mas valeu a pena atendendo a que se trata de uma espécie rara e que só aparece no norte do país. Do conjunto que se segue apenas a Polygonia c-album foi fotografada no Parque Biológico de Gaia. No entanto todas as outras espécies são também residentes ou visitantes habituais do Parque.

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