Arquivos para a Categoria ‘Mestres da Fotografia’

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Eliot Porter (1901-1990)

15 Outubro, 2009

Eliot Furness Porter, fotógrafo, escritor, naturalista, químico e médico.

Nasceu em 1901 em Winnetka, Illinois, EUA.Estudou em Harvard. Por se ter licenciado em química e em medicina é, por vezes, referido como Dr Porter. De facto, após obter em 1929 o Medical Degree, deu aulas de bacteriologia e bioquímica na Escola Médica de Harvard, durante dez anos. E foi precisamente aos dez anos, quando passou umas férias na Penobscot Bay, que começou a fotografar as zonas costeiras do Maine. A partir daí só parou ao falecer em 1990.

Como era um apaixonado tanto pela fotografia como pela natureza tornou-se um verdadeiro especialista em ornitologia e na fotografia de aves. Mas também não foi por este tipo de fotografia que ficou tão conhecido. As suas fotografias de aves, como acontece com as de outros excepcionais praticantes, não fazem parte dos compêndios de história da fotografia. Apenas são incluídas em livros de aves, prática que as desqualifica face às fotografias que envolvam a figura humana (retrato, nus, moda, problemas sociais,etc.) e as paisagens. Até mesmo a flora tem, neste aspecto, um estatuto superior ao da fauna.

Só quem alguma vez fotografou aves pode dar o devido valor ao livro “Birds of North America – A Personal Selection”com texto e imagens de Eliot Porter. Uma maravilha. É certo que a fotografia daquela época, com aves a alimentarem os filhotes no ninho, está hoje condenada.Lembro que estou a falar de fotografias a cores, e que cores!!, das décadas de 40,50 e 60 do séc.XX.

No início da década de 30 Porter teve a sorte de ser apresentado a Ansel Adams e a Alfred Striglitz,duas das personalidades mais influentes no mundo da fotografia na primeira metade do séc.XX.Ao verem as suas imagens aconselharam-no a dedicar-se à fotografia a tempo inteiro.E foi o que ele fez.Em 1939 abandonou a carreira de professor em Harvard e passou o resto da vida viajando por todo o mundo a fotografar a natureza.

Em minha opinião ascendeu por mérito próprio à categoria de Mestre na fotografia de paisagens.

O seu primeiro livro só surge em 1962 quando já tinha 61 anos de idade. O sucesso alcançado com “In the Wildness is the Preservation of the World” foi de tal ordem que o Sierra Club, que o editou, a ele deve a sua reputação internacional.

Nos últimos vinte e oito anos de vida Porter escreveu mais de dez livros de fotografia. Tal como Ernst Haas foi um pioneiro na fotografia a cores conseguindo com elas as mesmas “nuances” de Ansel Adams com o preto e branco. Como era um especialista em química estabeleceu um acordo de fornecimento com a Kodak e ele próprio fazia a revelação das suas fotografias. É por isso que partilho da opinião do crítico Michael More expressa na revista View Camera (Jul/Ago e Set/Out2003): A obra de Porter tem sido subestimada ou ignorada pelos ”contemporary avand-garde critics”nas recentes antologias e revistas.

Grande parte do seu trabalho,feito com equipamento de grande formato,uma Linhof 4”x5”,pode ser visto no Amon Carter Museum,  em Fort Worth, Texas.

Da análise que efectuei a um número significativo das suas imagens da natureza retirei uma observação curiosa:o céu,com raras excepções,foi sempre excluído.Um verdadeiro “truque”de Mestre.Aproveitando este pormenor,e o estilo Porter sem a grandiosidade do 4”x5”,termino com quatro imagens sob o título comum de”O céu pode esperar…”.

09.10.15.01 Arribas Douro Internacional(Pormenor) Miranda do Douro Mai2009

09.10.15.02 Caminhos da água Alpiarça Out2008

09.10.15.03 Medronheiro,Giestas e Tojos Constância Abr2009

09.10.15.04 Verbascos Abrantes Mai2008

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Jonh Shaw, 1944

1 Março, 2009

Para ficar bem com a minha consciência devo referir a grande influência que teve na minha fotografia o fotógrafo americano John Shaw. Para mim ele está para a fotografia a cores como Ansel Adams esteve e está para a fotografia a preto e branco. Os livros de John Shaw, especialmente o primeiro, “The Nature Photographer’s Complete Guide”, publicado em 1984 e hoje esgotado, deram-me a conhecer os fundamentos da técnica e da composição fotográficas. Mas tanto no primeiro como nos cinco que se lhe seguiram a utilização da técnica, da composição, dos equipamentos e dos acessórios é descrita até aos mais ínfimos pormenores.

E as suas imagens são verdadeiros espelhos da sua escrita. De uma nitidez fantástica, luminosas, com completo controlo das altas e das baixas luzes e com composições perfeitas. Enfim, um mundo natural que já não parece deste mundo. Tudo isto não é nada fácil. Mas suspeito que, à semelhança de Ansel Adams, o seu trabalho em estúdio seja de grande rigor, metódico, exaustivo e analisado e corrigido ao pormenor com elevadíssimas ampliações. Esta atitude é absolutamente legítima mas posso não estar a ser justo, é apenas uma presunção.

A minha grande admiração por John Shaw não está só. Pelos seus pares nos EUA ele foi o primeiro a receber em 1997 o “Outstanding Photographer Award” concedido pela NANPA (North American Nature Photography Association). Em 2002 a Nikon proclamou-o “Legend Behind the Lens” e em 2006 a Microsoft designou-o “Icon of Imaging”. Num mercado tão competitivo como o americano isto quer dizer que estamos perante um fotógrafo “Fora de Série”.

Desde há vários anos John Shaw dedica-se ao ensino da fotografia, seja em seminários que se vão realizando nos diversos estados americanos, seja liderando safaris fotográficos, do Ártico ao Antártico, organizados pela empresa Joseph Van Os Safaris.

Recentemente John Shaw fez-me uma surpresa. No seu terceiro livro, “Focus on Nature”, há um pequeno capítulo sobre a presença humana na terra e a sua opinião de que a fotografia da natureza não devia excluir o homem. Mas as imagens desse capítulo não vão além de campos de trigo, de velhos armazene em madeira e de petróglifos com desenhos de índios americanos.

A primeira e única fotografia que lhe conhecia com uma figura humana só apareceu cinco anos mais tarde, em 1996,na sobrecapa do seu penúltimo livro, “Business of Nature Photography”.

Agora ao visitar o seu sítio na Internet – www.johnshawphoto.com – deparei com várias fotografias de ruas e janelas de localidades da Provença e uma inteira galeria sobre um rancho americano com cowboys e cavalos. Neste caso como em outros de conhecidos e laureados fotógrafos da natureza é recente e muito interessante a inclusão da figura humana nas suas obras. Mas a expicação do fenómeno está ainda por fazer.

No seu livro “Landscape Photography” John Shaw apresenta quatro imagens do mesmo local, representativas das quatro estações do ano, para enfatizar a influência do tempo na mudança de uma paisagem. Mas para este efeito não é preciso esperar um ano. A todo o momento muda a nossa percepção e visualização do mundo que nos rodeia. De forma mais modesta e menos qualificada registei as mudanças num campo de girassol durante os três meses do Verão as quais podem ser observadas nas três fotografias abaixo.

0601-campo-girassol-julhoI – Campo de Girassol em Julho

0602-campo-girassol-agostoII – Campo de Girassol em Agosto

0603-campo-girassol-setembroIII – Campo de Girassol em Setembro