Arquivos para a Categoria ‘Uncategorized’

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A Crise | The Crisis

1 Abril, 2009

a-crise

Ninguém sabe nem como nem quando sair disto.

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Ver ou não ver | To See or Not to see

15 Novembro, 2008

“To be or not to be – that is the question.To see or not to see – that is an answer” Ernst Haas

1 – Douro Internacional “A tal lagoa”

2 – Tejo Nacional “O tal canal”

Obsv.: As entidades oficiais parece que querem construir aqui por perto aquilo que inicialmente era a Barragem de Almourol. Perante esta evidência já pensei em pedir baixa ao Hospital Júlio de Matos.

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Libélula | Dragonfly – Trithemis annulata

31 Outubro, 2008

Na Grã-Bretanha, apesar de ausente, deram-lhe os nomes “Violet Dropwing”e “Violet-marked Darter”. Em França, onde só existe em áreas do Sul e Sudoeste, é conhecida por “Trithemis annelé” ou “Libellule Purpurine”. Na Península Ibérica, onde já se estende por metade do território, não tem nome vulgar.

1 – Trithemis annulata

2 – Trithemis annulata

Esta é mais uma libélula de origem africana que entrou na Europa pelas vias mediterrânicas e que se
tem vindo a expandir para o Norte. O primeiro registo na Península Ibérica ocorreu em Espanha em 1981, mas no Sul de França a sua presença só foi assinalada em 1994.Em Portugal está referenciada desde 1983 e a sua área de distribuição já abrange, no mínimo, toda a parte sul e central do território continental até às margens do Mondego. A T. annulata é considerada uma espécie bastante comum.

Os machos nascem amarelados e no decurso do período de maturação tornam-se progressivamente alaranjados e depois vermelhos. Com a idade o tórax e o abdómen cobrem-se com uma pulverulência azul-violácea. Esta coloração e as pernas pretas são dois caracteres externos que os distinguem dos machos do Crocothemis erythraea. As fêmeas são castanho-amareladas com uma grande mancha amarela na base das asas posteriores e com marcas dorsais pretas nos segmentos 8 e 9 do abdómen. A mancha amarela e as marcas dorsais também estão presentes nos machos. Nestes as nervuras das asas são avermelhadas enquanto as das fêmeas são amareladas.

3 – Trithemis annulata macho

4 – Trithemis annulata fêmea

O género Trithemis engloba cerca de quarenta espécies a maioria das quais vive em África especialmente na zona da Etiópia. A T. annulata é a única que, até agora, se conseguiu estabelecer na Europa Continental. Um seu parente, a Trithemis arteriosa, com o abdómen um pouco mais delgado e os machos sem a pulverulência azul-violácea, pode ser encontrado nas Ilhas Canárias. A T. annulata vive em zonas de águas estagnadas bem como em rios e ribeiras de fracas correntes.

O seu período de voo estende-se de Abril a Novembro. Como verdadeiro insecto africano prefere os dias de céu limpo parecendo ser pouco sensível aos aumentos de temperatura. Por este facto é normal vê-lo ao Sol, em pleno meio-dia de um dia de calor, pousado nas pedras ou nos poleiros junto da margem da água. A sua posição mais frequente é conhecida por “obelisco”, isto é, com o abdómen voltado para o Sol para reduzir a área exposta à sua acção directa e a asas abertas e perpendiculares ao abdómen. Numa variante desta posição as asas são dirigidas para a frente de forma divergente e fazendo sombra sobre a cabeça.

5 – Trithemis annulata em “Obelisco”

6 – Trithemis annulata

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Abibes | Lapwings

15 Setembro, 2008

As quatro fotografias com aves não são de boa qualidade. Mas não resisto a apresentá-las, porque revelam um comportamento curioso que para mim foi uma autêntica novidade. Não sendo um especialista em ornitologia posso ir descrever uma banalidade conhecida de longa data. Mas se assim for também não vem por isso mal ao mundo.

No último mês de Janeiro fui ao estuário do Tejo. Para a fotografia a manhã estava bastante pior do que as previsões meteorológicas da véspera davam a entender. Fui até aos conhecidos arrozais da Giganta que nesta altura do ano apenas têm charcas e restolho de arroz. O tempo estava enevoado e o céu cinzento.

Se a câmara fotográfica fosse de rolo certamente ficaria no descanso. Com a digital, como “não pesa no orçamento”, fui-me entretendo com fotografias aos abibes (Vanellus vanellus). Estas aves no Inverno são muito gregárias. Vivem em grandes bandos que gostam de descansar em zonas abertas, especialmente as alagadiças, onde encontram um dos seus petiscos preferidos, as minhocas. À semelhança de outras aves o descanso na água é feito apenas sobre uma perna, mantendo-se a outra recolhida no aconchego das penas do abdómen. Foi isto que eu vi, que costumo ver, e que está documentado na fotografia 2.

1 – ABIBE

2 – BANDO DE ABIBES

Mas quando cheguei a casa e transferi as imagens para o computador deparei com algo de novo. Que nunca tinha observado nem li nada sobre o assunto. As duas fotografias seguintes são elucidativas.

3 – BANDO DE ABIBES

4 – BANDO DE ABIBES

Em ambos os bandos a maioria das aves tem uma perna pendurada ou, pelo menos, não recolhida. Talvez por acção do voo a perna fica inclinada para a rectaguarda. Isto não é vulgar. Mas penso ter encontrado uma explicação lógica para o fenómeno. Nesta altura do ano as águas estão frias e muitas vezes até geladas. Durante a noite estas aves passam muitas horas na posição de descanso ou seja com uma das pernas dentro de água.

Naturalmente que essa perna fica engadanhada, dormente, “anestesiada”. Mesmo que a ave se esforce, e sem dúvida que se esforça, não consegue recolhê-la durante o voo. É evidente que esta atitude não é da iniciativa das aves. É um comportamento forçado pelas condições meteorológicas. De sua iniciativa, certamente resultante de anos e anos de evolução, é o descanso sobre só uma das pernas para evitar que as duas fiquem entorpecidas.