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Abibes | Lapwings

15 Setembro, 2008

As quatro fotografias com aves não são de boa qualidade. Mas não resisto a apresentá-las, porque revelam um comportamento curioso que para mim foi uma autêntica novidade. Não sendo um especialista em ornitologia posso ir descrever uma banalidade conhecida de longa data. Mas se assim for também não vem por isso mal ao mundo.

No último mês de Janeiro fui ao estuário do Tejo. Para a fotografia a manhã estava bastante pior do que as previsões meteorológicas da véspera davam a entender. Fui até aos conhecidos arrozais da Giganta que nesta altura do ano apenas têm charcas e restolho de arroz. O tempo estava enevoado e o céu cinzento.

Se a câmara fotográfica fosse de rolo certamente ficaria no descanso. Com a digital, como “não pesa no orçamento”, fui-me entretendo com fotografias aos abibes (Vanellus vanellus). Estas aves no Inverno são muito gregárias. Vivem em grandes bandos que gostam de descansar em zonas abertas, especialmente as alagadiças, onde encontram um dos seus petiscos preferidos, as minhocas. À semelhança de outras aves o descanso na água é feito apenas sobre uma perna, mantendo-se a outra recolhida no aconchego das penas do abdómen. Foi isto que eu vi, que costumo ver, e que está documentado na fotografia 2.

1 – ABIBE

2 – BANDO DE ABIBES

Mas quando cheguei a casa e transferi as imagens para o computador deparei com algo de novo. Que nunca tinha observado nem li nada sobre o assunto. As duas fotografias seguintes são elucidativas.

3 – BANDO DE ABIBES

4 – BANDO DE ABIBES

Em ambos os bandos a maioria das aves tem uma perna pendurada ou, pelo menos, não recolhida. Talvez por acção do voo a perna fica inclinada para a rectaguarda. Isto não é vulgar. Mas penso ter encontrado uma explicação lógica para o fenómeno. Nesta altura do ano as águas estão frias e muitas vezes até geladas. Durante a noite estas aves passam muitas horas na posição de descanso ou seja com uma das pernas dentro de água.

Naturalmente que essa perna fica engadanhada, dormente, “anestesiada”. Mesmo que a ave se esforce, e sem dúvida que se esforça, não consegue recolhê-la durante o voo. É evidente que esta atitude não é da iniciativa das aves. É um comportamento forçado pelas condições meteorológicas. De sua iniciativa, certamente resultante de anos e anos de evolução, é o descanso sobre só uma das pernas para evitar que as duas fiquem entorpecidas.

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