Archive for Novembro, 2009

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Orquídea | Orchid – Orchis mascula

15 Novembro, 2009

A etimologia desta orquídea, mascula, do latim “masculus”, ou seja, macho, viril,  tem origem no aspecto das suas partes subterrâneas o qual é reforçado pela configuração fálica e postura do esporão de muitas flores.

É uma das orquídeas mais comuns de Portugal. Encontra-se em todo o território continental com excepção de uma área mais ou menos coincidente com o Douro Litoral. Em Espanha apenas não existem registos da sua presença na região da Corunha. Globalmente a sua área de distribuição abrange toda a Europa e estende-se pelo NW de África e W da Ásia. Esta ampla disseminação deve-se ao facto de germinar numa grande variedade de solos sendo, no entanto, mais frequente em terrenos calcários. A espécie está legalmente protegida na Bélgica e no Luxemburgo.

Entre nós é vulgarmente conhecida por Escroto-canino, Pata-de-lobo, Salepeira-maior e Satírião-macho. Os ingleses chamam-lhe, simplesmente, Early-purple orchid. Os franceses além de Orchis mâle dão-lhe nomes curiosos: Pentecôte, Soupe-à-vin e Mâle-fou. Para os nossos vizinhos é Cañamón, Sangre-de-Cristo, Satirión macho,etc.

Alguns especialistas consideram que a espécie é constituída por quatro subespécies das quais só duas existem em Portugal: a O. mascula subsp. mascula e a O. mascula subsp. olbiensis. Nesta a inflorescência é menos densa variando o número de flores entre 6 e 15. Naquela o número de flores é maior que 15 podendo chegar às 50. Outros especialistas consideram que a “olbiensis” é uma espécie independente da “mascula”. Para um terceiro grupo, e esta parece ser a mais recente tendência, não existem subespécies.

As flores são de cor vermelha-púrpura ou violáceas e, por vezes, rosadas ou brancas. A variedade de flores brancas é a mais rara e tem origem numa anomalia da pigmentação conhecida por hipocromia. Os botânicos não atribuem a este fenómeno relevância taxonómica classificando-o como variedade na forma albiflora.

09.11.15.01 O.mascula

O. mascula

09.11.15.02 Duas O.mascula

O. mascula

09.11.15.03-O.mascula

O. mascula

09.11.15.04-O.mascula

O. mascula

09.11.15.06-O.olbiensis

O. olbiensis

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A Bandeira | The Flag

1 Novembro, 2009

No próximo dia 01 de Dezembro passa mais um ano sobre a Restauração da Independência Nacional. É um feriado nacional e por  isso a Bandeira Nacional é hasteada com pompa e circunstância nos principais edifícios públicos, monumentos e quartéis. Atendendo à passagem desse feriado considerei oportuno publicar com alguma antecedência as imagens e o texto que se seguem.

09.11.01.01 Uma cobertura de varanda

Uma cobertura de varanda

09.11.01.02 Um pano roto

Um pano roto

09.11.01.03 Uma águia é maior e que voa mais alto

Uma águia maior que voa mais alto

09.11.01.04 Uma carneirada-Lanudos sem cabeça

Lanudos sem cabeça

Para o Campeonato Europeu de Futebol (Euro 2004),realizado em Portugal, mobilizou-se a população através da distribuição maciça e gratuita da Bandeira Nacional. A iniciativa teve o maior sucesso pois a ela aderiram, entusiasticamente, não só clubes e organismos ligados ao futebol mas também altas entidades do nosso sistema político-administrativo. Para um político, para qualquer político, convém participar em manifestações simpáticas e que envolvam grandes massas populacionais. É a maneira de alcançar uma boa posição para as eleições que vierem a seguir. Mas este é outro campeonato.

No Euro 2004 Portugal não atingiu o objectivo principal mas obteve um honroso 2º lugar. E foi lindo ver em muitas casas e jardins,tanto nas cidades como nas vilas e aldeias, as bandeiras nacionais novas a tremular ao vento. Mas com esta acção banalizou-se um dos principais símbolos da unidade nacional.

Segundo os dicionários banalizar significa tornar vulgar, o que quer dizer tornar baixo, ínfimo, reles, etc. Foi isso que fez boa parte da população. A situação fez-me lembrar a imagem dos “Lanudos sem cabeça”. Já no século XXI, com tanta escolaridade obrigatória, há gente que parece não ter cabeça ou se a tem é a um nível rasteirinho. Só assim se compreende que a nossa bandeira seja tão maltratada. Ou então o culto dos símbolos nacionais já não faz parte dos programas escolares. Mas nisto não quero acreditar.

Tendo como único apelo a colocação da bandeira nacional nas varandas e janelas as entidades que o promoveram são responsáveis por uma falha grave. Os grandes símbolos são para os grandes momentos e os grandes momentos são sempre breves. Aquele apelo devia ser acompanhado do pedido de retirada das bandeiras logo após o campeonato do Euro 2004 e o tecido que materializa o símbolo ser guardado em local digno para uso posterior. Isto não foi feito. Sem pretensos nacionalismos ou patriotismo quero aqui deixar registado o meu protesto pelo espectáculo degradante, presente um pouco por todo o lado, de que está a ser vítima um símbolo nacional e de que as imagens são prova irrefutável. A causa do futebol é, actualmente,uma causa muito popular mas não é uma causa pública. Quem andou a incentivar a distribuição das bandeiras tem agora um dever a cumprir: pedir à população, usando os mesmos meios de comunicação que foram mobilizados para o Euro 2004, para recolher a Bandeira Nacional, esclarecer que ela é muito mais que um simples trapo e que quando está hasteada é ela que faz sombra sobre todas as outras e nunca o contrário.

Possivelmente nada será feito. Mas então não se queixem que há um desinteresse generalizado pela causa pública.

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