h1

Libélulas – Observar e Fotografar | Dragonflies – To see and to Photograph

15 Janeiro, 2010

LIBÉLULAS | DRAGONFLIES

Observar e Fotografar – Parte II
To See and to Photograph – 2nd Part

Menos comum em Portugal é a Brachythemis leucosticta (8 e 9), de origem africana,  que segundo os especialistas tem vindo a deslocar-se de Sul para Norte devido à construção de barragens e de represas*. É uma espécie com acentuado dimorfismo sexual. Os machos adultos são inconfundíveis por serem os únicos no nosso país a terem uma grande mancha escura em cada asa .As fêmeas, apesar de menos conspícuas e de na sua maioria não terem a mancha escura nas asas, são também de grande beleza. Quando pousadas na areia são difíceis de localizar. Muitas vezes são apenas denunciadas pelo pterostigma, a mancha de cor amarela na ponta das asas.

8 – Brachythemis leucosticta

9 – Brachythemis leucosticta

É uma espécie que presta um serviço inestimável aos criadores de gado. As populações desta libélula vivem perto dos bebedouros do gado. Aí aguardam pela chegada das manadas e colocando-se ao lado dos animais caçam em voo as moscas e mosquitos que os incomodam e que são muitas vezes portadores de doenças.

Perguntar-se-á: Mas não é difícil aproximarmo-nos destes insectos para os fotografar a distâncias que por vezes não ultrapassam alguns centímetros? Umas vezes é e outras não é. Há acontecimentos e até fenómenos naturais que facilitam a aproximação.
As duas imagens seguintes são de um Anax parthenope (10 e 11) que se enrolou no fio de nylon da cana de pesca de um pescador. Para salvar o insecto foi necessário segurá-lo e cortar o fio de nylon por baixo das asas. Após a operação a libélula ficou um pouco entorpecida e foi possível colocá-la sobre um arbusto e fotografá-la durante os breves segundos em que se manteve pousada.

10 – Anax parthenope

11 – Anax parthenope

Este Anax está referenciado para Portugal tendo como limite setentrional da sua área de distribuição aproximadamente a zona de Évora**. Com o acidente atrás descrito, ocorrido no passado mês de Agosto, pode-se com segurança afirmar que já chegou à margem esquerda do rio Tejo, no concelho da Chamusca, por alturas do Castelo de Almourol. A norte do Tejo há apenas um registo da presença da espécie, mas tem mais de vinte anos e outro, recente, de 2007, na área urbana do Porto.

As libélulas têm inúmeros predadores entre os quais podemos citar as aranhas, as rãs, os sapos e as aves. As próprias libélulas, as de maior envergadura,  comem as mais pequenas.Uma das características mais marcantes destes insectos é o seu exclusivo e complexo sistema de fecundação. Esta só se concretiza na posição conhecida por roda (wheel em inglês) como a da imagem seguinte de um casal de Sympetrum fonscolombii (12).

12 – Sympetrum fonscolombii

Por vezes, encontram-se no campo libélulas presas em teias de aranha e em condições de serem fotografadas. Foi o que aconteceu com esta Calopteryx haemorrhoidalis (13), macho.

13 – Calopteryx haemorrhoidalis

Nem sempre é referido o contributo prestado pelas libélulas à sobrevivência das aves insectívoras, precisamente aquelas cujas populações têm vindo a regredir um pouco por todo o lado. Um dia, inesperadamente, um Abelharuco (14) – Merops apiaster – exibindo como troféu a sua libélula (não identificada) pousou perto do fotógrafo camuflado entre a vegetação.

14 – Abelharuco – Merops apiaster

Mas não devemos confiar no acaso. A maneira mais interessante de fotografar estes insectos é ao alvorecer de uma manhã fria de Outono. Nessa altura o insecto está paralisado pelas baixas temperaturas nocturnas e não reage à nossa aproximação. É um momento inesquecível para qualquer fotógrafo da natureza encontrar uma libélula, aqui uma Sympetrum spc.(15), coberta de gotas de orvalho e paralisada. Nesta imagem, captada numa manhã de Outubro, foram escurecidas algumas partes do fundo para salientar uma situação tão bela quanto efémera.

15 – Sympetrum spc

Por isso aqui deixamos um apelo aos interessados: Toca a levantar cedo e a pôr mãos à obra. Ah,além do equipamento fotográfico não se esqueçam do tripé, das botas de borracha e da lanterna de cabeça. Se puderem levar muita determinação e alguma paciência tanto melhor.

*  Field Guide to the Dragonflies of Britain and Europe, by Klaas-Douwe B Dijkstra.British Wildlife Publishing,2006,UK.
** LIBELLULA, Supplement 9, Atlas of the Odonata of the Mediterranean and North Africa, 2009, GdO, Bornsen, Germany.

2 comentários

  1. Caríssimo, prazer enorme compartilhar da sua busca. Também fotografo libélulas, aqui no sertão do Piauí. Só há uma contradição na sua explanação, as libélulas se dão à fotografia mais facilmente do que você relata. Só precisamos ter a esperteza de nos manter pacientemente parados num mesmo ponto, onde com certeza ela voltará sempre a pousar. Depois que a clicamos, as danadinhas se mostram animadas e permitem dezenas de registros. Faço isso todas as tardes, depos das 16:00h.


    • Eu tive o prazer de fotografar uma Libélula Brachythemis leucosticta macho, no dia 29/06/2014 dentro de minha casa, em Recife; e, ela pousou em meu braço e ficou alguns minutos quietinha, parecendo que era domesticada. Pesquisando na net, encontrei-a. No dia 05/07 fotografei outra libélula que creio ser a Brachythemis leucosticta.
      Tirei fotos belíssimas, mas não sei como postar, aqui e em outros sitesa que falam dessa libélula.
      Newmann Valgueiro



Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: