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Ernst Haas I ( 1921 – 1986 )

1 Junho, 2010

A descrição minuciosa da vida profissional deste fotógrafo ocuparia várias edições do Photográcio. Por isso vamo-nos cingir aos factos mais relevantes mas com a certeza de que abandonamos muitos aspectos que mereciam ser mencionados.

Em Junho de 2008, na secção Fotografia Criativa, já referimos parte do nosso pensamento acerca de Ernst Haas. Mas ainda não o tínhamos colocado na secção Mestres da Fotografia. E ele merece lá estar de pleno direito. Nasceu em Viena de Áustria a 02 de Março de 1921 e morreu em New York a 12 de Setembro de 1986 vítima de uma congestão cerebral. Na adolescência frequentou uma escola médica e o Instituto de Artes Gráficas de Viena. Em ambos os casos por curtos períodos. De 1943 a 1945 trabalhou num estúdio fotográfico e em 1947 deu-se a conhecer ao mundo com uma exposição individual a preto e branco na sede da Cruz Vermelha Americana em Viena com o título: “Regresso a casa dos prisioneiros de guerra austríacos. Dois anos depois começa a trabalhar na revista suíça Heute e recebe dois convites: um para integrar a equipa de fotógrafos da revista Life e outro de Robert Capa para ser membro da cooperativa Magnum Photos. Optou pela Magnum por considerar que lhe proporcionava mais independência e liberdade. Emigrou para os Estados Unidos da América em 1951 e a partir daí a sua carreira teve uma ascensão fulgurante.

Abandonou o preto e branco e passou a fotografar só a cores.Edward Steichen e Henri Cartier Bresson foram os seus fotógrafos favoritos. Talvez influenciado pelo francês escolheu como equipamento de trabalho as câmaras Leica M3 e M4 e, ocasionalmente, câmaras Pentax com objectivas Leica. As suas objectivas eram todas de distância focal fixa e tinham como extremos a de 21 mm e a de 400mm. Mais tarde passou a trabalhar com equipamento Leicaflex. Para close-ups utilizava a Micro-Nikkor 55 mm. Entre as películas elegeu a Kodachrome 25 e,  por vezes, a 64. Acerca do tripé escreveu: “I don´t use a tripod,so I can be flexible.”

A sua filosofia sobre a fotografia pode ser resumida nesta frase (tradução livre): “Para mim o supremo desafio da fotografia consiste em transformar um objecto a partir do que ele é naquilo que desejamos que ele seja.” A melhor concretização desta ideia talvez esteja numa das suas mais conhecidas fotografias, a “Holy Underwear”de 1958 na Califórnia. Ernst Haas era um visionário,”a free spirit” como disse Edward Steichen. É óbvio que um fotógrafo com as suas características não podia manter-se na Magnum Photos por muitos anos. Mesmo assim passou lá década de 50. Com as mortes em serviço de Robert Capa e Werner Bishop em 1954 passou a fazer parte do Board of Directors e em 1959 foi eleito presidente. Mas decorridos dois anos demitiu-se do cargo e ficou com o estatuto de colaborador.
Em 1962 escreveu, dirigiu e apresentou na NET-TV uma série de quatro programas com o título “The Art of Seeing”. A revista Life publicou várias vezes os seus trabalhos. Muitas outras deram à estampa as suas fotografias,  designadamente, a Paris-Match, a Esquire, a Holiday, a Queen , a Look ,etc. Por conta destas revistas e de outras organizações percorreu mais de dezasseis países espalhados pelos quatro continentes. Visitou a India e o México a convite dos respectivos governos. Durante dez anos andou pelos Himalaias tendo ficado fascinado com a flosofia de vida dos asiáticos. Nos princípios da década de oitenta, entre 1981 e 1983, o seu interesse pela cultura japonesa era quase uma obsessão. Neste período visitou cinco vezes o Japão.

Uma área que também o seduziu foi a da fotografia de cinema. É por isso que o seu nome aparece ligado a vários filmes, a saber: The Bible, Hello Dolly, Big Man, Heaven´s Gate, Moby Dick, West Side Story e Misfits (Os Inadaptados). Deste último são conhecidas as suas fotografias de John Huston, Marilyn Monroe, Clark Gable e Montgomery Clift.

Além disso, Haas concebeu e realizou diversos projectos fotográficos que ficaram registados em livro. O mais importante é, sem dúvida, “The Creation”, de 1971. Seguiram-se “In America” (1975), ”In Germany” (1977) e “Himalayan Pilgrimage”(1978). Após a sua morte surgiu”Ernst Haas: Color Photography” (1989) e “Ernst Haas in Black and White” (1992). Esta é, em síntese, a história de um mestre da fotografia que nos finais da segunda Grande Guerra trocou nove quilos de margarina por uma câmara Rolleiflex. Gostaríamos de terminar esta primeira parte com algumas fotografias de Ernst Haas. Mas isso iria contra os direitos de autor. Ele gostava de fotografar New York e nós gostamos de fotografar Lisboa. Desta escolhemos quatro imagens das quais salientamos as duas primeiras por serem verdadeiros símbolos representativos da nossa capital. A segunda, a do Campo Pequeno, é ainda reforçada pela presença de um avião da TAP.

Lisboa – Padrão dos Descobrimentos

Lisboa – Campo Pequeno

Lisboa – Natal 2009

Lisboa – Arquitectura de Fachada

Esta última imagem devia ter por título “Reflexos”, mas como estou numa zona urbana e os objectos reflectidos são edifícios prefiro a designação de “Arquitectura de Fachada”. A fotografia transforma uma realidade a três dimensões noutra a duas dimensões. Mas aqui essa transformação é feita pela fachada do edifício em frente que funciona como espelho. Nesta imagem aos objectos reflectidos juntam-se outros não reflectidos sendo por vezes difícil distingui-los. É isto que acontece entre a ficção e a realidade.

Obsv.: Na segunda parte iremos analisar as técnicas fotográficas de Ernst Haas.

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