Archive for Julho, 2011

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Moçambique IV | Mozambique IV

31 Julho, 2011

Nesta edição apresentamos duas imagens do património arquitectónico da Ilha de Moçambique.

A primeira foi captada na chamada Contra-Costa. Enquadrada pelos ramos de uma casuarina pode ver-se a praia e o Fortim de Santo António. A construção original deste fortim começou no último quartel do século XVI. Durante os séculos XVII e XVIII ter-se-âo feito várias obras e remodelações mas só no século XIX, em 1820, foi dado como definitivamente construído. Inicialmente funcionou como importante ponto de defesa da Ilha. Depois veio a ser prisão e mais tarde asilo para velhos.

Paisagem com Fortim de Sto. António

Fortaleza da Ilha de Moçambique
(Pormenor)

Sobre a segunda imagem não tenho a certeza se faz parte da Fortaleza de S. Sebastião se da capela que lhe fica ao lado, a Capela de Nossa Senhora do Baluarte. Em qualquer caso trata-se de um pormenor lindíssimo e de alto nível artistico que revela a nossa presença naquelas paragens. Segundo notícias recentes que li na Internet grande parte das obras arquitectónica da Ilha encontra-se bastante degradada e alguma até completamente abandonada. É uma pena. Ambos os conjuntos estão, desde 1991, classificados pela UNESCO como Património Mundial.

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Uma cena de outro Mundo | A scene from other World

15 Julho, 2011

Em conversa com pessoa amiga, que estava furiosa por se ter esquecido de um compromisso a que dava grande importância, ouvi-lhe o seguinte desabafo: “Eu devia era ir para o outro mundo apanhar  Sol…” Neste caso é fácil deduzir que “o outro mundo” é qualquer lugar com excepção daquele onde a pessoa se encontra. Mais dificil é saber o que é o mundo: a Terra, o Sistema Solar, a Via Láctea ou esta e outras galáxias?

Por vezes também se houve uma expressão do género: Aquilo foi  “uma cena do outro mundo”. As pessoas estão-se a referir a qualquer coisa que sai fora do habitual. Assistiu-se ou viveu-se um acontecimento extraordinário que admitimos poder existir fora da Terra.

Mas, não vale a pena ir tão longe.

Na década de noventa do século passado um conhecido fotógrafo americano resolveu presentear os amigos com um postal de Boas Festas onde se via um urso branco a perseguir um pinguim. É claro que estamos perante”uma cena do outro mundo”. Neste nosso mundo, a Terra, os ursos brancos e os pinguins (não sabemos se existem fora da Terra) nunca se encontram porque aqueles só vivem no Pólo Norte e estes no Polo Sul. A fotografia com a pretensa perseguição foi conseguida através de uma hábil manipulação informática que juntou uma fotografia de um urso e outra de um pinguim, ambos em paisagem com gelo. Esta “cena do outro mundo foi obtida com uma falsa fotografia.

Mas, não vale a pena ir tão longe.

Todos sabemos que o Rouxinol – Luscinia megarhynchos – é uma ave difícil de fotografar. O seu canto inconfundível apenas revela, na maioria dos casos,a presença do seu autor por ser executado em posições encobertas pela folhagem. É por isso que o Guia de Aves de Lars Svensson e Peter Grant, o Guia de Campo mais completo das Aves de Portugal e da Europa, editado pela Assírio & Alvim com a
colaboração de conhecidos ornitólogos da SPEA, refere que ele “é mais ouvido do que visto”. É de facto uma ave bastante tímida que tem como habitat matas ribeirinhas e zonas de vegetação densa.

Rouxinol

Atendendo a estas características quando vemos um Rouxinol, apesar de jovem, a comer numa malga será adequado dizer que estamos na presença de “uma cena do outro mundo”.

Rouxinol a comer larvas de mosca

Rouxinol a comer larvas de mosca

Estas duas imagens foram captadas no meu quintal.

Mas, não vale a pena ir tão longe.

Nem apanhar Sol, nem construir uma fotografia falsa, nem ir ao meu quintal. A partir de agora para ver  “uma cena do outro mundo” basta visitar esta página na Internet.

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Graciphoto 16

10 Julho, 2011

 

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Anda o Diabo à solta | The Devil’s on the loose

1 Julho, 2011

“A ameaça invisível. A háquea está a dominar a paisagem da serra.”

Com este título e sub-título saíu no jornal Público de 09Jan2011 uma notícia sobre uma árvore que tem vindo a invadir a Serra d´Arga no Minho,a ponto de pôr em risco a criação da Área de Paisagem Protegida da Serra d´Arga.Mas não é só o Minho que conhece os efeitos negativos desta infestante. Infelizmente ela já se espalhou um pouco por todo o país.Talvez não estejam ainda contaminadas as províncias de Tràs-os-Montes e Alto Douro, Beira Baixa e Beira Alta e Alto Alentejo.

A situação que conheço melhor é a do Ribatejo, designadamente a dos concelhos de Abrantes, Constância e Chamusca. Uma praga.

 
Afinal que árvore é esta? É uma árvore oriunda da Austrália cujo nome científico é Hakea sericea. Deram-lhe o nome vulgar de háquea-espinhosa mas no Ribatejo os seus bosques impenetráveis são conhecidos por “salinas”.

Bosque de háqueas

Há uma espécie do mesmo género que tem o designativo “saligna”mas a semelhança é casual. O termo “salinas”nasceu entre os caçadores porque os cães ao tentarem perseguir a caça dentro dos bosques de háqueas ficavam feridos e a sangrar como se tivessem sido atingidos por bagos de sal.As zonas de elevada densidade de árvores adultas são impenetráveis para o homem sem qualquer protecção.

O excelente Guia de Campo “As árvores e os arbustos de Portugal continental”editado pelo jornal Público e pela Fundação Luso-Americana com a produção de conteúdos da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) refere que estamos perante uma espécie considerada invasora (DL 565/99) cujas folhas em forma de agulha e extremamente aguçadas podem atingir 7 cm de comprimento. Leram bem,sete centímetros de comprimento.As flores são discretas e de cor branca ou rosada-pálida.

Flores de háquea

Como se demonstra pela imagem seguinte a quantidade de frutos produzidos por uma só árvore pode atingir números impressionantes.

Háquea com frutos

Segundo o livro atràs citado os frutos são “folículos lenhosos,robustos,com 3 – 4 cm,cor de chocolate,com crista e bico pendentes”. Dito por um não especialista:o fruto é como a lenha, cor de chocolate, com a forma de um ovo que se alonga no lado oposto ao do pé (a crista) e que termina com dois bicos ponteagudos.

Tudo nesta árvore pica, fere e invade.Admito que estes desconfortos não atinjam os responsáveis pela sua introdução no país com o argumento de ter boas aptidões para fazer sebes. Possivelmente até proporcionou viagens à Austrália por conta do orçamento de alguma empresa pública.

Mas, adiante. O mal está feito e tem de ser tratado. E o pior que se pode fazer nesta matéria está relatado na notícia do Público: ”A estratégia passou por queimar, no Verão passado, uma vasta área onde a infestante tinha proliferado. ”Queimar estas árvores acelera a abertura dos frutos e a queda na terra das suas duas sementes. Estas queimadas e os fogos de Verão são os principais agentes de disseminação da invasora.

Não sou especialista para dizer qual é a solução do problema mas posso afirmar com segurança que nunca será pelo fogo.Possívelmente pelo corte sistemático das árvores, de preferência quando ainda não há frutos, e recolha e queima em fornos de toda a matéria lenhosa. O problema não se resolve num só ano.Serão necessários vários anos e muitos euros.

Por curiosidade,e para preparar este escrito, colhi, fotografei e analisei o fruto da háquea-espinhosa. As duas imagens seguintes mostram o fruto,na primeira fechado e na segunda aberto.

Fruto de háquea

Fruto aberto com sementes

O fruto é um exemplo perfeito da simetria bilateral.Quando está maduro ou é causticado pelo fogo abre-se em duas metades iguais. Na primeira imagem é bem visível a sutura do plano de simetria. Ao fim de três dias o fruto que colhi estava aberto pelo plano de simetria sem qualquer acção da minha parte. Isto ocorre por efeito de duas mortalhas pretas, justapostas segundo o plano de simetria. Estas mortalhas são a componente alada das duas sementes pretas que se encontram alojadas em duas cavidades, uma de cada lado do plano de simetria. Quando o fruto abre e é batido pelo vento as mortalhas funcionam como párapentes ou pára-quedas das sementes.

Face à configuração do fruto com os dois cornichos no bico, aos efeitos nefastos das suas sementes e à extrema dificuldade em os eliminar,tenho de admitir que “Anda o diabo à solta”.  Aquilo são “sementes do diabo” (Devil´s seeds).

Depois de caírem à terra as mortalhas com as sementes,as partes lenhosas dos frutos ainda ficam na árvore com o aspecto que se vê na imagem.

Háquea com cascas de frutos

Segundo li no portal do ICNB a África do Sul está a ter bons resultados na erradicação da invasora através do seu controlo biológico,seja por agentes que destroem as plantas, seja por outros que comem as sementes ou ainda por outros que as destroem.

Lá diz o ditado:“Nem sempre o diabo é tão feio como o pintam. “Mas também há este : “Quando se declara a guerra o diabo alarga o inferno.”
Agentes biológicos !!?Cuidado !!!Uma solução precipitada ou mal estudada pode criar um novo e grave problema.

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