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Dedaleira | Foxglove

30 Setembro, 2011

Um pequeno livro intitulado “A Photographic Guide to Wild Flowers of Britain and Europe”de Paul Sterry e Bob Press, editado pela New Holland em 1995 inclui uma imagem desta planta e o respectivo texto começa com a seguinte frase: ”The bell-shaped flowers make this one of western Europe´s most distinctive plants”. Eu concordo com a afirmação. Mas, atenção, estamos na presença de uma planta bastante tóxica e por isso os mais jovens ou os menos esclarecidos devem ser alertados para os perigos com o seu manuseamento. Embora a cor e o formato sejam bastante apelativos não devemos tocar nas flores. Deixemos essa tarefa para os abelhões e para profissionais da saúde. É verdade,  esta planta apesar de tóxica é medicinal. Infusões e macerões de folhas secas feitas sob vigilância médica ou farmacêutica podem ser usadas para suprir necessidades cardiotónicas devido à presença de uma droga,a digitalina. Quem diria que estamos na presença de uma flor do coração.

Dedaleira

A Dedaleira, com o nome científico de Digitalis purpurea, é também conhecida por erva-dedal e abeloura. É uma planta da família das Escrofulariácias, bienal ou vivaz, de caule erecto e que pode atingir mais de metro e meio de altura.Flores em cacho,cada uma em forma de dedo ou dedal, de cor purpura, rosada e até vermelha com pintas escuras na parte interna. A floração ocorre de Maio a Setembro. Encontra-se muitas vezes nas bermas de caminhos,em terrenos artificialmente modificados e por isso se diz que faz parte da vegetação ruderal.

Dedaleira

Abelhão e Dedaleira


Dedais

Dedais

Refira-se ainda que na região mediterrânea existem outras espécies pertencentes ao género Digitalis como é o caso da ferruginea, da laevigata, da lanata, da obscura e da viridiflora.
Mas a espécie “purpurea”é a mais conhecida. O seu historial como planta medicinal remonta ao século XVIII.

O homem que introduziu a Dedaleira na prática médica foi William Withering, um inglês nascido em 1741 em Wellington e que concluíu o curso de medicina em 1766. Na altura a Dedaleira era o único medicamento conhecido para o tratamento da Hidropisia, nome dado ao excesso de serosidade (líquido) no organismo. A sua utlização como tónico cardíaco com base na digitalina só surgiu talvez duzentos anos mais tarde. Já no século XIX o avô de Charles Darwin, o Dr. Erasmus Darwin, usou a planta com tão bons resultados que lhe dedicou uns versos. Mas não foi o único. Na poesia italiana é bem conhecido o poema “Digitale Purpurea” da autoria do poeta Giovanni Pascoli. E a um nível mais popular há também em Itália uma banda de música metálica com o nome científico da planta.

Parece que ninguém fica indiferente perante Dedaleira. Mas, cuidado, nunca se deve meter na boca qualquer parte da planta.Este atrevimento ou descuido pode ser fatal.

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