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Voos VI | Flies VI

14 Janeiro, 2012

Aqueles que buscam este título com a intenção de verem imagens nítidas de aves em voo vão ficar desiludidos. Nesta sexta edição há três diferenças em relação às anteriores. Ausência de insectos, uma só espécie de ave e nitidez ausente ou reduzida.

A ave escolhida é a Abibe-comum (Northern Lapwing) uma invernante comum do Continente e rara nos Açores e na Madeira. O seu voo do tipo mariposa não é muito rápido, ocorre na maioria dos casos em campo aberto e portanto sem a interferência de árvores e de outros elementos que podem prejudicar a composição.

Abibe

A primeira imagem está nítida mas tem o inconveniente,sob o ponto de vista estético, de incluir o excremento do gado bovino. Para um naturalista além de mostrar a enorme envergadura das asas acrescenta alguns elementos sobre o habitat da ave. E se fosse acompanhada do som-ambiente seria possível ouvir o chamamento de alarme, um estridente pi-uí. O ornitólogo não ficaria tão satisfeito porque não são visíveis várias partes do corpo da ave nem as cores da respectiva plumagem. A fotografia pode ser boa mas para efeitos de identificação fica um pouco aquèm da ilustração.Para os bons guias de aves esta é preferida* em detrimento daquela. Nesta série de voos da Abibe não preocupei com as preferências quer dos naturalistas quer dos ornitólogos. Desculpem o egoísmo mas apenas procurei satisfazer as preferências artísticas de um fotógrafo amador e amante da natureza ou seja, as minhas preferências.


Abibe

A segunda imagem além de bastante descentrada tem ainda um alguma nitidez levando-me a reduzir um pouco mais a velocidade do disparo. Convém ter presente que,quando a ave levanta voo e se afasta,os segundos iniciais são cruciais. Por outro lado são de evitar as imagens com as duas asas na horizontal porque grande parte do peito fica encoberto. Na imagem seguinte esse inconveniente está minimizado porque não há qualquer propósito ilustrativo e o flou das asas é um elemento que a valoriza.

Abibe

Por fim as duas imagens que sob o ponto de vista estético me satisfazem plenamente.

Abibe

Abibe

Aquilo que vou escrever pode fazer aflorar alguns sorrisos a visitantes menos crédulos.Há um certo misticismo na captura destas imagens. A concentração é de tal ordem que conduz a um total alheamento do meio envolvente. O equipamento é uma segunda natureza que se manuseia como fazendo parte da visão. Só existo eu e a ave. E o meu desejo é que a sua imagem fique registada nos sensores da câmera no preciso momento em que a sigo com o olhar mas não com a nitidez a que a vista sã, felizmente, está condicionada. O anátema da reprodução automática que em épocas passadas foi utilizado para menosprezar a fotografia está completamente ultrapassado. Estes momentos de abstracção, tão raros e difíceis de alcançar, estão cheios de magia.

*No passado mês de Outubro foi editado um livro com o título “Aves de Portugal”. Hélder Costa, um dos melhores ornitólogos do nosso país, em co-autoria com Eduardo de Juana e com as excelentes ilustrações de outro espanhol, Juan Varela, deu à estampa um guia de campo com a avifauna do Continente, e das Ilhas dos Açores, da Madeira e das Selvagens. Um guia para ter na mochila junto dos binóculos ou para transportar no porta-luvas da viatura. Os meus parabéns, embora um pouco atrasados, a Helder Costa.

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