Archive for Fevereiro, 2012

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Orquídea | Orchid – Limodorum abortivum

29 Fevereiro, 2012

Já aqui referi que um dos grandes especialistas em orquídeas portuguesas é o professor belga Daniel Tyteca.

O seu livro “The Orchid Flora of Portugal”, encontra-se, infelizmente, esgotado. Embora não se trate de um guia nele são apresentadas todas as espécies de orquídeas portuguesas no que respeita à sua distribuição, diversidade, taxonomia, estatuto de protecção, etc. Algumas espécies são comentadas em pormenor enquanto outras não tiveram esse privilégio. A Limodorum abortivum está entre estas últimas embora seja classificada como “Rara de baixo risco”(LR-lower risk) e “quase ameaçada”(nt-near threatened).

Comecemos por esclarecer que há quem considere que o designativo “abortivum”reside no facto de a planta provocar abortos se for comida por fêmeas grávidas de herbívoros. Penso que isto não é verdade e sei que a explicação é outra. O termo teve origem no aborto das suas folhas que ficam reduzidas a baínhas semelhantes a escamas.

O género Limodorum engloba duas espécies: a L. abortivum e a L. trabutianum. Antes da floração a parte aérea destas orquídeas assemelha-se visualmente a um espargo. Isto acontece porque o caule é erecto, arredondado, de cor violeta ou pardacenta e embaínhado por folhas do tipo brácteas. As duas espécies são muito parecidas mas quem saiba identificar o esporão distingue-as fàcilmente. O da trabutianum é rudimentar ou quase imperceptível e o da abortivum é direito ou ligeiramente arqueado,descendente e pode ultrapassar os 15 mm de comprimento. Além disso, aquela tem o labelo inteiro, espatulado ou ligeiramente convexo enquanto o desta é articulado, côncavo e com dois lóbulos laterais.

Há registos da presença da L.abortivum no Algarve, no Alto Alentejo (Évora e Portel), Estremadura (Cascais, Alcobaça…), Ribatejo e Tràs-os-Montes(Macedo de Cavaleiros). Sobre o Ribatejo o livro de Tyteca apenas refere a sua existência em Monsanto no concelho de Alcanena. Mas a sul do Tejo, em Tramagal, no concelho de Abrantes, há também uma pequena população que já foi assinalada na 1ª edição desta página em 2002.

Volvidos nove anos volto com imagens dessa população porque pela primeira vez encontrei uma planta com as flores bem abertas.

Limodorum abortivum

Limodorum abortivum

Limodorum abortivum

O meu contentamento foi ainda reforçado com a presença de um insecto não identificado. Um visitante que mais me pareceu um residente. Apesar de nunca ter saído de uma das orquídeas só consegui fotografá-lo com a ajuda de um amigo. De facto sempre que me aproximava com o equipamento ele deslocava-se e escondia-se do outro lado da planta.

Alguém sabe identificar este pequeno escaravarelho de dimensões idênticas às do escaravelho dos espargos?

Limodorum abortivum

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Moçambique V | Mozambique V

15 Fevereiro, 2012

Nesta quinta edição dedicada à Ilha de Moçambique apresentamos mais duas imagens captadas em finais da década de sessenta do século passado.

Ilha de Moçambique

A primeira é da rua dos Arcos e reune três meios de transporte existentes naquela época: a viatura automóvel, a bicicleta e o riquexó. Hoje, provavelmente, este último já não existe.

Ilha de Moçambique

A segunda apresenta uma cena de uma festa já referida em edições anteriores. É evidente que o primeiro olhar é imediatamente captado pela figura da mulheraça a meio da imagem. Ao bom velho estilo de Sofia Loren, neste caso africana. Mas eu permito-me chamar a atenção para as vestes da criança que vai ao colo, naturalmente da mãe, do lado direito da imagem. O corte do vestido, as peúgas brancas e o lacinho na cabeça. Tudo de meados do século passado e tìpicamente português. Uma delícia! Uma saudade!

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Graciphoto 23

10 Fevereiro, 2012

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Borboletas Nocturnas I | Moths I

1 Fevereiro, 2012

Lembro-me de aqui há tempos ter escrito que não fotografava borboletas nocturnas. A expressão não é correcta porque “mexe”com o conceito de borboleta nocturna. Para muita gente borboleta nocturna é aquela que voa de noite. Mas não é assim. Este é um tema muito discutido e que até sob o ponto de vista científico não conhece unanimidade. Para um leigo ou pouco mais que leigo, como é o meu caso, existem quatro passos essenciais para classificar uma borboleta em diurna (Ropalócero) ou nocturna (Heterócero) com base nas suas características externas.

1º – Cor das asas: Geralmente as diurnas têm asas de cores brilhantes e as das nocturnas são de cores baças. Mas há muitas excepções.

2º – Forma das antenas: As diurnas têm as antenas em forma de clava enquanto as das nocturnas são mais variáveis. Na sua maioria filiformes ou em forma de pluma. Mas também há muitas excepções.

3º – Posição das asas em descanso: Este é um dos critérios menos falível mas também conhece excepções. De um modo geral as diurnas descansam com as asas na vertical, por cima do abdómen, as da direita
encostadas às da esquerda. As nocturnas, ao contrário, descansam com as asas na horizontal por cima do abdómen ou numa posição ligeiramente inclinada ao estilo das duas abas de um telhado.

4º – Frenulum: Esta análise é um pouco mais técnica e exige que se pegue no insecto. Nenhuma borboleta diurna possui esta pequena estrutura. Também algumas borboletas nocturnas não a possuem.
Mas, talvez por capricho da natureza, todas as borboletas nocturnas com antenas em clava e que vivem na Europa têm frenulum. O frenulum é um freio, uma estrutura constituída por uma ou várias cerdas que liga a asa anterior à posterior em cada lado do abdómen.
Nas seis imagens seguintes apresentamos três espécies de borboletas que voam de dia e que pelos passos 1 e 2 seriam de facto borboletas diurnas. Pelo passo 3, que admite algumas excepções, ainda poderia haver a dúvida de serem ou não borboletas diurnas. Mas o passo 4 é não só determinante como exclusivo. Só as borboletas nocturnas possuem frenulum. É o caso. Estas espécies pertencem ao género Zygaena e à família Zygaenidae. São conhecidas cerca de 1000 espécies das quais umas 60 na Europa e destas cerca de 15 em Portugal. É uma família ainda pouco estudada. Além das cores brilhantes e antenas em clava possuem trombas compridas e asas anteriores estreitas. O seu voo é lento e fàcilmente afectado pelo vento. Eventuais predadores evitam-nas porque as suas cores indicam que são venenosas. Contêm cianeto. A primeira das espécies é a Zygaena trifolii, uma das mais comuns e que se identifica pelas cinco manchas vermelhas nas asas anteriores. Há uma espécie semelhante, a Zygaena filipendulae, com seis manchas também vermelhas.

Z. trifolii

Z.trifolii

A segunda é a Zygaena sarpedon com a cabeça e o torax pretos, a cintura vermelha e com três manchas em cada asa anterior. Como é uma espécie com poucas escamas por vezes as manchas são apenas vestigiais.

Z. sarpedon

Z. sarpedon

Por fim a Adscita sp. que também pertence à família Zygaenidae mas cuja identificação não é possível só com base em caracteres externos. Creio que todas ou quase todas as espécies do género Adscita são de cor verde metálico e só é possivel identificá-las através de análise laboratorial. Agradeço ao meu amigo Eduardo Marabuto, um biólogo especializado em borboletas, as considerações que me transmitiu sobre a impossibilidade em identificar só por imagens as espécies do género Adscita.

Adscita sp.

Adscita sp.

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