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Divertimento Fotográfico II – Photographic Amusement II

1 Maio, 2012

Infelizmente não conheço os juízos de valor que fizeram os visitantes desta página ao verem as três imagens incluídas no post anterior. A primeira “As boas intenções” é uma fotomontagem. Numa fotografia que tinha em arquivo inseri um esboço digital (a minha falta de geito para o desenho é evidente) que pretende representar o moderno satanás. Assim a partir de uma imagem com motivos abstractos idealizei um inferno cheio de boas intenções vigiadas pelo diabo, uma figura não fotográfica. O resultado é uma nova imagem com uma mensagem cujo significado é totalmente diferente do da imagem inicial.

Na segunda imagem do post “Orquídeas Cultivo-NI” há uma falsificação. A imagem é real. As flores também existem, são reais mas não são naturais. São flores construídas, fabricadas.

A terceira imagem apresenta dois botões de rosa sobre os quais lancei algumas gotas de água a imitarem pingos de chuva para mais fàcilmente serem assimiladas a flores naturais. Mas aqui há um botão de rosa que não é natural. Será possível distingui-lo sem o recurso ao tacto.

Perante este caso talvez Sherlock Holmes tivesse o seguinte desabafo: ”Pois é meu caro Watson, para si não é possível mas acredite que qualquer naturalista medianamente arguto indicaria com facilidade qual é o falso e por exclusão qual é provavelmente o verdadeiro. Repare que o autor da imagem tentou acentuar a realidade deitando água sobre os botões de rosa como se fossem pingos de chuva e com esse gesto forneceu a chave para os distinguir. Ao simples olhar as folhas e as pétalas verdadeiras não absorvem a água. Com frequência vemos as gotas de orvalho ou os pingos da chuva rolarem pelas pétalas. Ora o botão da direita não apresenta gotas de água. Esta foi absorvida pelo papel ou pelo pano que imita as pétalas. O botão da direita não é natural”. Um dia fotografei um velho candeeiro na parede exterior de uma casa.

Candeeiro

Magnífica sombra, não é?

Noutra ocasião reparei que não havia sombra, mas a natureza oferecia um elemento menos frequente e não menos interessante. A luz do Sol incidente sobre o bordo superior do quebra-luz metálico era reflectida sobre a parede formando um arco de círculo de um branco brilhante.

Candeeiro

O arco de círculo desapareceu, mas a objectiva manteve-se dirigida para o candeeiro. Lembrei-me então de executar um pequeno programa existente na minha câmara. Não, não é uma topo de gama. Até estou convencido de que muitas câmaras digitais para amadores permitem executar “exposições múltiplas”. Foi o que eu fiz. Duas fotografias do candeeiro juntas originaram uma terceira imagem. Esta imagem com uma das duas primeiras originaram uma quarta imagem com três candeeiros. Um autêntico “milagre” da multiplicação.

Três Candeeiros

O sueco Oscar Rejlander e o inglês Henry Robinson que nos finais da década de 50 do sec. XIX laboriosamente reuniram e combinaram negativos para construirem as suas obras de arte ficariam perplexos com a facilidade proporcionada pela actual tecnologia de combinação de imagens.

Mas o divertimento, meio fotográfico e meio digital, ainda não acabou. Transferidas as imagens do cartão para o computador verifiquei que a última imagem tinha uma composição desequilibrada. Por isso decidi alterar o formato de horizontal para vertical e através do Copy-Paste do programa de edição e tratamento de imagens juntar mais um candeeiro. Pequenos ajustes na cor das áreas comuns e eis o resultado final.

Quatro Candeeiros

Este pequeno e simples exemplo mostra bem como no campo fotográfico a realidade anda de mãos dadas com a ficção. Há quem chame a isto manipulação de imagens embora para mim o termo manipulação se aplique com mais propriedade a quem a pratica mas não a declara, no momento em que as imagens são editadas publicamente, com a intenção de que não seja detectada. Este assunto é bastante controverso porque hoje todas as imagens passam pelo computador e são sujeitas a ajustes. Ninguém pode afirmar com segurança onde começa a manipulação. Voltaremos ao assunto noutra oportunidade.

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