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Cabo Verde VII | Cape Verde VII

15 Outubro, 2012

Esta é a última edição sobre a minha visita a Cabo Verde. As imagens escolhidas são todas de S. Vicente, ilha onde pela primeira vez pisei território de Cabo Verde. Além disso, procurei que revelassem um ambiente que me tenha sensibilizado ou uma mensagem que coloca interrogações ou uma simples escolha segundo preferências fotográficas.

As duas primeiras imagens obedecem ao primeiro critério. São de um pequeno povoado que fica perto da Baía das Gatas e que se chama Salamansa. Pequeno e pobre mas onde não há canis nem galinheiros nem pocilgas.

E se os há têm as portas completamente escancaradas porque na via pública encontramos cães,galinhas e porcos a cada passo. Deambulam em plena liberdade e como o trânsito é reduzido também não causam grandes problemas. Confesso que a pobreza aliada à calma,tanto das pessoas como dos animais,me causaram uma forte impressão. Uma espécie de paraíso perdido. Para os entusiastas da bola quero dizer que ali é tudo pequenino e em ambiente tão familiar que o clube local tem o carinhoso nome de Benfiquinha.

Salamansa

Salamansa

A terceira imagem é de um graffiti que vi no Mindelo nas imediações da Praia da Laginha. Em meu entender representa uma baleia a tentar abocanhar uma ave.O repuxo do cetáceo parece estar encimado por três letras.
Qual o significado de tudo isto?Qual a mensagem que pretende transmitir?Para mim é ainda uma incógnita.

Graffiti no Mindelo

As duas imagens seguintes são as do critério fotográfico.Na primeira pode ver-se um prédio em construção na Baía das Gatas. As condições atmosféricas são ameaçadoras. Nuvens negras,pesadas,anunciando tormentas, abatem-se sobre a terra em plena escuridão. A separá-las a luz do horizonte de onde emerge o prédio em construção. Em 1922 numa situação semelhante Alfred Stieglitz recorreu à abstracção e apelidou estas nuvens de “Equivalent: Music No.1”. E assim nasceu o simbolismo nas imagens fotográficas. Elas não são aquilo que se vê mas aquilo que se pretende que seja visto. No meu caso dou-lhe um significado bastante diferente. A imagem simboliza o esforço do povo caboverdiano para combater as adversidades designadamente as que lhe são colocadas por um solo pobre e desertificado. Ainda assim vai ocupando o território e estabelecendo novas marcas. A segunda imagem é, pode dizer-se, o complemento desta. Captada a partir da povoação Calhau mostra ao fundo o vulcão Viana sem actividade, está extinto. A natureza acalmou, o homem vai ultrapassando os obstáculos e consolida a ocupação criando mais e melhores condições de vida. O monte vulcânico ao fundo, imponente e dominador, é o testemunho da origem e natureza da ilha.

Prédio em construção

Calhau com vulcão Viana

A terminar quero deixar uma homenagem aos alunos e professores das escolas do Mindelo pelos excelentes murais, mais de duas dezenas, que podem ser vistos na rua da Praia, perto do cais do Porto Grande, salvo erro em frente ao Cento Cultural. Eles terão sido feitos em 2006 e por isso alguns já apresentam sinais do tempo. É uma pena se não forem restaurados. O tema é aliciante. O Ambiente e a Perservação da Natureza. As mensagens são fortes e beneficiam duma ingenuidade cativante. Não resisti a trazer cópias no meu cartão digital.Vejam uma delas e tenho a certeza que concordam comigo. Parabéns aos seus autores. E assim me despeço de Cabo Verde com a memória na Sodade imortalizada por Cesária Évora. Até sempre.

Mural no Mindelo

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