Archive for the ‘Árvores’ Category

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Amendoeiras em flor | Almond trees in flower

15 Dezembro, 2011

Finalmente um velho desejo concretizou-se. Já aqui tinha manifestado o meu pesar por nunca ter presenciado o espectáculo das amendoeiras em flor. Mas no passado Inverno fui à região do Douro Superior nos primeiros dias do mês de Março.E não estou arrependido. É realmente a natureza no seu máximo esplendor. Nas zonas onde há maior concentração de amendoeiras a visão das suas copas floridas é deslumbrante.

Amendoeiras em Castelo Melhor

Amendoeiras em Freixo Espada Cinta

Apenas percorri algumas zonas dos concelhos de Figueira de Castelo Rodrigo,Vila Nova de Foz Coa e Freixo de Espada à Cinta. Mas tenho a certeza que se estendesse a visita aos concelhos de Mogadouro, Torre de Moncorvo e Vila Flor o tempo não seria perdido. No entanto, e fazendo agora uma anotação final sobre o fenómeno que a natureza nos oferece anualmente,fica-se com a sensação que estamos a assistir às representações finais de um espectáculo grandioso e ímpar. Quero com isto dizer que se não houver renovação dos pomares a dimensão da floração irá gradualmente diminuindo e, o que é mais grave para a região, perdendo interesse turístico. Faço a observação mas desejo que esteja enganado.

Flores de Amendoeira

Flores de Amendoeira

Quem esteja perto de Freixo-de-Espada-à-Cinta e goste da ornitologia e da fotografia de aves tem uma paragem obrigatória, o Penedo Durão. Um local de excelência para ver e fotografar aves de grande porte,especialmente necrófagas.Além disso tem um bónus. Uma vista,daquelas de cortar a respiração, sobre o vale do rio Douro. A não perder sob qualquer pretexto.

Grifo no Penedo Durão

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Anda o Diabo à solta | The Devil’s on the loose

1 Julho, 2011

“A ameaça invisível. A háquea está a dominar a paisagem da serra.”

Com este título e sub-título saíu no jornal Público de 09Jan2011 uma notícia sobre uma árvore que tem vindo a invadir a Serra d´Arga no Minho,a ponto de pôr em risco a criação da Área de Paisagem Protegida da Serra d´Arga.Mas não é só o Minho que conhece os efeitos negativos desta infestante. Infelizmente ela já se espalhou um pouco por todo o país.Talvez não estejam ainda contaminadas as províncias de Tràs-os-Montes e Alto Douro, Beira Baixa e Beira Alta e Alto Alentejo.

A situação que conheço melhor é a do Ribatejo, designadamente a dos concelhos de Abrantes, Constância e Chamusca. Uma praga.

 
Afinal que árvore é esta? É uma árvore oriunda da Austrália cujo nome científico é Hakea sericea. Deram-lhe o nome vulgar de háquea-espinhosa mas no Ribatejo os seus bosques impenetráveis são conhecidos por “salinas”.

Bosque de háqueas

Há uma espécie do mesmo género que tem o designativo “saligna”mas a semelhança é casual. O termo “salinas”nasceu entre os caçadores porque os cães ao tentarem perseguir a caça dentro dos bosques de háqueas ficavam feridos e a sangrar como se tivessem sido atingidos por bagos de sal.As zonas de elevada densidade de árvores adultas são impenetráveis para o homem sem qualquer protecção.

O excelente Guia de Campo “As árvores e os arbustos de Portugal continental”editado pelo jornal Público e pela Fundação Luso-Americana com a produção de conteúdos da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) refere que estamos perante uma espécie considerada invasora (DL 565/99) cujas folhas em forma de agulha e extremamente aguçadas podem atingir 7 cm de comprimento. Leram bem,sete centímetros de comprimento.As flores são discretas e de cor branca ou rosada-pálida.

Flores de háquea

Como se demonstra pela imagem seguinte a quantidade de frutos produzidos por uma só árvore pode atingir números impressionantes.

Háquea com frutos

Segundo o livro atràs citado os frutos são “folículos lenhosos,robustos,com 3 – 4 cm,cor de chocolate,com crista e bico pendentes”. Dito por um não especialista:o fruto é como a lenha, cor de chocolate, com a forma de um ovo que se alonga no lado oposto ao do pé (a crista) e que termina com dois bicos ponteagudos.

Tudo nesta árvore pica, fere e invade.Admito que estes desconfortos não atinjam os responsáveis pela sua introdução no país com o argumento de ter boas aptidões para fazer sebes. Possivelmente até proporcionou viagens à Austrália por conta do orçamento de alguma empresa pública.

Mas, adiante. O mal está feito e tem de ser tratado. E o pior que se pode fazer nesta matéria está relatado na notícia do Público: ”A estratégia passou por queimar, no Verão passado, uma vasta área onde a infestante tinha proliferado. ”Queimar estas árvores acelera a abertura dos frutos e a queda na terra das suas duas sementes. Estas queimadas e os fogos de Verão são os principais agentes de disseminação da invasora.

Não sou especialista para dizer qual é a solução do problema mas posso afirmar com segurança que nunca será pelo fogo.Possívelmente pelo corte sistemático das árvores, de preferência quando ainda não há frutos, e recolha e queima em fornos de toda a matéria lenhosa. O problema não se resolve num só ano.Serão necessários vários anos e muitos euros.

Por curiosidade,e para preparar este escrito, colhi, fotografei e analisei o fruto da háquea-espinhosa. As duas imagens seguintes mostram o fruto,na primeira fechado e na segunda aberto.

Fruto de háquea

Fruto aberto com sementes

O fruto é um exemplo perfeito da simetria bilateral.Quando está maduro ou é causticado pelo fogo abre-se em duas metades iguais. Na primeira imagem é bem visível a sutura do plano de simetria. Ao fim de três dias o fruto que colhi estava aberto pelo plano de simetria sem qualquer acção da minha parte. Isto ocorre por efeito de duas mortalhas pretas, justapostas segundo o plano de simetria. Estas mortalhas são a componente alada das duas sementes pretas que se encontram alojadas em duas cavidades, uma de cada lado do plano de simetria. Quando o fruto abre e é batido pelo vento as mortalhas funcionam como párapentes ou pára-quedas das sementes.

Face à configuração do fruto com os dois cornichos no bico, aos efeitos nefastos das suas sementes e à extrema dificuldade em os eliminar,tenho de admitir que “Anda o diabo à solta”.  Aquilo são “sementes do diabo” (Devil´s seeds).

Depois de caírem à terra as mortalhas com as sementes,as partes lenhosas dos frutos ainda ficam na árvore com o aspecto que se vê na imagem.

Háquea com cascas de frutos

Segundo li no portal do ICNB a África do Sul está a ter bons resultados na erradicação da invasora através do seu controlo biológico,seja por agentes que destroem as plantas, seja por outros que comem as sementes ou ainda por outros que as destroem.

Lá diz o ditado:“Nem sempre o diabo é tão feio como o pintam. “Mas também há este : “Quando se declara a guerra o diabo alarga o inferno.”
Agentes biológicos !!?Cuidado !!!Uma solução precipitada ou mal estudada pode criar um novo e grave problema.

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A Árvore e o Fogo (IV) | The Tree and the Fire (IV)

1 Janeiro, 2009

Conjunto de três fotografias cujas imagens simbolizam os incêndios nas florestas.

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17 – CAMINHOS DO FOGO I

Na “Caminhos do Fogo I” o fogo entra na floresta deslocando-se da direita para esquerda.O primeiro plano e o lado esquerdo apresentam-se com algum verde porque estão menos queimados.

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18 – CAMINHOS DO FOGO II

A “Caminhos do Fogo II” representa um tronco de árvore a ser “comido”pelo fogo.

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19 – CAMINHOS DO FOGO III

Por sua vez a “Caminhos do Fogo III” pretende simbolizar pedaços de árvore e folhas a caírem em chamas.

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A Árvore e o Fogo (III) | The Tree and the Fire (III)

1 Outubro, 2008

14 –  DESFLORESTAÇÃO

15 –  DESFLORESTAÇÃO

Forças que pelos mais diversos motivos pretendem derrubar as árvores e eliminar as florestas, em especial de espécies protegidas por lei, ou que, muitas vezes, se situam em zonas de reconhecido interesse público ambiental onde este tipo de alterações carece de autorização prévia. A primeira imagem inclui um poste com linha telefónica.É que mesmo no caso do uso da politica do facto consumado tem de haver coordenação e comunicação.Há sempre coniventes.

16- NÃO HÁ ESTRELAS NO CÉU

É dia mas a escuridão abate-se sobre a terra. Avizinham-se momentos difíceis e muitas vezes evitáveis. Aquela luz é suave mas enganadora. Não há estrelas no céu. Foram para “outra guerra” e deixaram a floresta desprotegida.

Continua…

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A árvore e o fogo (II) | The tree and the fire (II)

30 Junho, 2008
Clique nas Fotos

O tratamento dado, por vezes, à floresta é mesmo este: sem pés nem cabeça. Mas também simboliza a relação do homem com a floresta. Na maioria dos casos só lhe interessa o tronco das árvores.

8 e 9 – SEM PÉS NEM CABEÇA I e II

Houve um incêndio. Muitas árvores foram queimadas. Umas morrem outras sobrevivem e voltam a rebentar.

Ninguém se preocupa em limpar a massa queimada e morta. País rico!?

10 – PÉ VIVO EM CORPO MORTO

A árvore é um ser vivo. Numa floresta há dezenas, centenas e até milhares de indivíduos. Como nós são todos diferentes embora pertençam à mesma espécie.Todos merecem ser bem tratados e de igual modo.

11 – TODAS DIFERENTES TODAS IGUAIS

Imagem construída com exposição múltipla. A limpeza faz-se retirando a massa morta e as espécies não desejadas. Neste caso a limpeza é a fogo porque aguarda o próximo incêndio.

12 – FLORESTA COM LIMPEZA A FOGO

Um velho provérbio diz “As árvores morrem de pé”. E uma da imagem faz jus ao provérbio. Morte por doença? Talvez, quem sabe? Duas certezas: não teve morte violenta nem morreu sozinha. Sempre teve junto de si familiares, vizinhos e amigos.

13 – UMA MORTE ASSISTIDA

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A Árvore e o Fogo | The Tree and the Fire

1 Abril, 2008
Clique nas Fotos

Uma conhecida empresa promove anualmente um concurso de fotografia para amadores e profissionais. O ano passado decidimos participar. Era necessário apresentar um tema com pelo menos 20 fotografias devidamente legendadas. Enviamos 23 e, como exigia o regulamento, impressas em papel e gravadas em CD. Passado o tempo previsto para a decisão do júri o conjunto foi-nos entregue num dos estabelecimentos da empresa embora com algumas peripécias características do rigor que as entidades dominantes costumam pôr nestas coisas. Pela forma como fizemos a embalagem tivemos a certeza que pelo menos as fotografias e o texto do CD não foram vistos por ninguém. Mistérios dos concursos com vencedor antecipado.

Nesta e nas próximas edições vamos apresentar o “material” enviado a esse concurso. Duas ou três das 23 Imagens já foram apresentadas em edições anteriores como é o caso da nº 1.

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1 – CAMINHO DA ALEGRIA

É uma alegria, para os olhos e para o espírito, passear por entre as alas de um pomar de pessegueiros em flor. Mas na vida moderna tudo se passa a correr. A beleza e o odor das flores são efémeros. O período de floração é curto. E nós temos pressa.

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2 – A AZINHEIRA ESCOLA

À sombra desta árvore muitas crianças tiveram aulas ao ar livre. Um ser magnífico “que já não sabe a idade”.

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3 – CHOUPOS – UMA MATERNIDADE A CÉU ABERTO

Tal como nas urbes os locais para habitação são escassos e sujeitos a grande concorrência.As reservas são feitas por ordem de chegada.Para garantirem um ninho vão para lá com meses de antecedência.E se alguém se lembrar de fechar o Centro de Saúde,neste caso de derrubar as árvores da Maternidade!O que é que acontece?Alguém sabe se há e onde ficam as alternativas?

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4 – NAS PROFUNDEZAS DO MONTADO

No meio da multidão escolhi um. Mas há ali qualquer coisa que me fez lembrar o género feminino. Sim, é um sobreiro mas antes de tudo uma árvore, feminina, criadora de riqueza.Tiraram-lhe as vestes. Ficou rubra. Mas tem nove anos para se recompor.

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5 – QUEM TEM CAPA SEMPRE ESCAPA

É uma exposição múltipla.Quanto mais cerrada é a copa maior é a nossa protecção. Na época do aquecimento global, dos buracos do ozono e dos melanomas é sempre bom ter por perto a mais natural das protecções solares.

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6 e 7 – EM TRONCO NU I e II

É a essência das árvores. A madeira,a sua seiva,a sua gema. A riqueza tanto pode estar no invólucro como no conteúdo ou em ambos.É mais certa no conteúdo.Ignorá-la ou desprezá-la não é próprio de um país pequeno e com tantas carências.

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