Archive for the ‘Borboletas’ Category

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Borboletas nocturnas III | Moths III

1 Novembro, 2013

A última edição deste tema teve lugar em 1 de Junho de 2012. Volto ao assunto e com uma das mesmas borboletas, a Macroglossum stellatarum, conhecida por Colibri ou Beija-flor, porque consegui algumas imagens que revelam a sua actuação em voo e o extraordinário emprego do seu proboscídeo na captação do nectar. As duas últimas são para mim as melhores e menos comuns.

 

Colibri

Colibri

Colibri

Colibri

Colibri

Colibri

Colibri

Colibri

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Borboletário | Butterfly House II

15 Junho, 2013

Voltamos a este tema para apresentar imagens das borboletas que voavam no Borboletário em finais de Maio. Hoje serão muitas mais.

Comecemos por salientar que esta obra proporciona a todos os visitantes uma forma fácil e rápida de conhecer as diversas metamorfoses das borboletas. Fenómeno que muitos poucos terão oportunidade de presenciar cá fora. Por outro lado há uma aproximação física à natureza que revela não só a sua complexidade mas também as suas fragilidades. E isto é muito importante na formação dos mais jovens por estimular comportamentos visando a sua conservação. É inegável o valor da conhecida frase “Só se ama o que se conhece”.

As minhas imagens foram captadas sem o recurso a dois acessórios muito usados em ambientes interiores, o tripé e o flash, e na minha opinião saíram razoáveis. Quanto menor perturbação melhor. O que é que eu fiz? Apenas alterei o ISO para valores da ordem 200-400. Mas os melhores juízes são os visitantes desta página.

Papilio anchisiades

Papilio anchisiades

 Morpho peleides

Morpho peleides

Heliconius melpomene

Heliconius melpomene

Caligo memnon

Caligo memnon

Heliconius charithonius

Heliconius charithonius

Escolhi para última imagem a Heliconius charitonius, borboleta conhecida por Zebra e com larga distribuição pelas Américas, por dois motivos interessantes. Primeiro, é a única borboleta que faz depósitos de pólen na boca para depois consumir os nutrientes à medida que vão sendo dissolvidos pelos químicos da sua saliva.

Segundo, por vezes os machos não esperam pela eclosão das fêmeas e realizam as cópulas com estas já desenvolvidas mas ainda no estado de pupas. O mais comum é aproveitarem os momentos imediatos à eclosão quando as fêmeas ainda não voam. Durante o acto o macho transfere para a fêmea um químico que vai funcionar como um “cinto de castidade”que afasta os futuros pretendentes. E eu pensava que o machismo só existia entre os seres humanos!!!

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Borboletário | Butterfly house

5 Junho, 2013

É hoje inaugurado no Parque Ambiental de Santa Margarida no concelho de Constância um Borboletário com borboletas diurnas dos climas quentes que em regra são maiores e mais vistosas que as do nosso património natural.É mais uma iniciativa do concelho de Constância na área ambiental,a juntar a tantas,e que vai trazer ao Parque grupos escolares e muitos particulares interessados em ver de perto estes magníficos insectos.
Para aguçar apetites deixamos aqui duas imagens de uma borboleta asiática pertencente à família Nymphalidae, a Hypolimnas bolina. A primeira imagem mostra a face inferior da fêmea e a segunda a face superior do macho.

Hypolimnas bolina fêmea

Hypolimnas bolina fêmea

Hypolimnas bolina macho

Hypolimnas bolina macho

Volteremos a este assunto.
Para mais informações contactar o Tlf.249 736 929 ou por email para:
parqueambiental@cm-constancia.pt

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Borboleta Diurna II – Butterfly II – Aporia crataegi

16 Maio, 2013

A bonita e inconfundível borboleta Aporia crataegi  pertence à família Peridae e voa de Abril a Agosto até aos 2000 metros de altitude. Há apenas uma geração anual.

A sua distribuição abrange toda a Europa, Norte de África e estende-se pela Ásia até ao Japão.

Extinta em Inglaterra, Holanda e República Checa e em declínio em França (Lafranchis, 2000 e Maravalhas, 2003). Na Rússia é uma das borboletas mais comuns e as suas lagartas já têm provocado grandes prejuízos nos pomares de frutíferas. Lá é relativamente frequente verem-se centenas e até milhares destas borboletas, especialmente machos,concentradas nas charcas de estradas de terra batida ou em praias arenosas (Haahtela et al., 2011).

As suas lagartas,bastante pilosas,alimentam-se de folhas de pilriteiro (Crataegus monogyna), Pereira brava (Pyrus bourgeana) e de fruteiras do género Prunus. Em Inglaterra, embora ausente, chamam-lhe a Black-veined white, é a Gazé para os franceses e a Blanca del
majuelo para os espanhóis. Majuelo em espanhol é pilriteiro em português.

 Aporia crataegi

Aporia crataegi

É interessante notar que esta borboleta é rara ou está ausente da maior parte das ilhas do Mediterrâneo. Na vizinha Espanha distribui-se por todo o território mas está ausente (seria interessante saber porquê) da  depressão do Guadalquivir e é pouco abundante na zona de Sevilha (Manuel Diaz,1998).

Em Portugal encontra-se bastante dispersa decrescendo os seus efectivos de Norte para Sul.  Recentemente apareceu no Nordeste algarvio (Maravalhas,2003) situação que é confirmada por um registo no “Atlas de las mariposas diurnas de la Península Ibérica e islas Baleares” editado em 2004 pela Sociedad Entomológica Aragonesa. De facto este Atlas apresenta apenas quatro registos desta borboleta a sul do Tejo e infelizmente nenhum deles é do Ribatejo. Até hoje.

 Aporia crataegi

Aporia crataegi

Diga-se em abono da verdade que a partir de 2003 fotografei esta borboleta duas ou três vezes nos arredores de Bragança mas nunca a tinha visto mais a sul. O ano de 2010 foi uma autêntica excepção que me permitiu fotografá-la em dois locais distintos a sul do rio Tejo.

O primeiro,a que corresponde a primeira imagem,ao lado da margem direita da ribeira da Foz já perto da ponte da Foz sobre a EN118 e portanto também perto da margem esquerda do rio Tejo (UTM: ND571677). Registo fotográfico de 29 de Abril de 2010.

 Aporia crataegi

Aporia crataegi

 Aporia crataegi

Aporia crataegi

O segundo, onde captei as restantes imagens,fica uns quilómetros mais a sul. Foi em 5 de Maio de 2010 junto da ribeira da Coruja por alturas do Vale do Corvo (UTM: ND614565). Mas aqui não vi apenas uma borboleta. Vi várias e fotografei algumas pugnando pela sobrevivência da espécie. Na penúltima imagem o casal está ser incomodado por um pretendente que chegou atrasado. Era uma pequena população que se reuniu numa zona onde há pilriteiros e pereiras bravas.Desde 2010 que voltaram a desaparecer sem deixar rasto. É certo que se trata de um insecto migrador mas mesmo assim é um pouco esquisito.

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Borboleta Diurna I / Butterfly I – Brintesia circe

1 Janeiro, 2013

 

A borboleta diurna Brintesia circe pertence à família Nymphalidae e à subfamília Satyrinae. Alguns estudiosos preferem colocá-la no género Kanetisa sendo portanto a Kanetisa circe.Enredos da taxonomia.
Vulgarmente é conhecida entre os ingleses por Great Banded Grayling,para os espanhois é o Rey Mozo e os franceses chamam-lhe Le Silène.Alguém sabe o seu nome em português? Há em cada ano uma geração que voa de Junho a finais de Setembro entre os 400 e os 1600 metros de altitude. A fêmea é maior que o macho. Nos voos após o acasalamento ela deixa cair os ovos entre a vegetação. As respectivas lagartas têm actividade nocturna e alimentam-se de diversas gramíneas.

 

Brintesia circe

Brintesia circe

Já conhecia esta espécie por tê-la fotografado no Alvão e na Serra da Estrela. O Atlas de 2004 da Sociedad Entomológica Aragoneza indica que o insecto prefere as zonas do interior da metade Norte da Península Ibérica sendo escassa na metade Sul. Para Portugal há uma referência isolada a Sudeste de Santiago do Cacém (Silva Cruz e Gonçalves,1974). E além de uns registos na fronteira por alturas da Serra de São Mamede todo o restante Alentejo (Alto e Baixo),o Ribatejo e o Algarve estão completamente em branco. Vamos acabar com este deserto no Ribatejo. Fiz um registo fotográfico na freguesia de Tramagal do concelho de Abrantes em Junho de 2009. E em 2012 tenho várias observações, também em Junho, na zona do Carvalhoso (UTM: ND645593), perto da povoação Bicas do concelho de Abrantes,  e na própria freguesia de Tramagal (UTM: ND 644672). As três imagens aqui expostas foram captadas nesta vila.

Brintesia circe

Brintesia circe

Brintesia circe

Brintesia circe

A 17 de Setembro de 2012 voltei a ver, também em Tramagal, mais um exemplar desta borboleta o que de certo modo confirma o seu período de voo.

 

 

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Borboletas Nocturnas II | Moths II

1 Junho, 2012

No passado mês de Fevereiro apresentámos três espécies de borboletas da família Zygaenidae. Borboletas que voam de dia mas que são consideradas borboletas nocturnas. Hoje continuamos com duas espécies da família Sphingidae que também voam de dia mas que pelos mesmos motivos estão também classificadas como borboletas nocturnas.

A primeira, bastante comum,aparece com frequência em jardins e pela sua velocidade e  comportamento constitui um desafio permanente aos fotógrafos da natureza. O seu nome científico é Macroglossum stellatarum.

Nos países de língua inglesa é conhecida por “Hummingbird hawkmoth” dada a semelhança com o Colibri ou Beija-flor na forma de captar o néctar. Os franceses chamam-lhe “Moro-sphinx” e os espanhóis surpreendentemente escolheram “Cola de paloma” ou seja “Rabo de pomba”. A comunidade portuguesa que se interessa por borboletas usa chamar-lhe “Colibri” ou “Beija-flor”.

Tal como a ave que lhe dá nome esta borboleta tem a capacidade de efectuar voos estacionários durante os quais estende o seu longo proboscídeo para sugar o nectar das flores.E,como diria o mestre Cartier-Bresson,este é o “momento decisivo” para o fotógrafo clicar no disparador da câmara.

Beija-flor

Beija-flor

As lagartas da M. stellatarum alimentam-se de plantas das famílias Rubiaceae e Asteraceae. No primeiro caso podemos citar,por exemplo, o Amor-de-hortelão e no segundo o Cardo-do-coalho. O Inverno é normalmente passado no estado de crisálida mas por vezes há insectos que lhe conseguem sobreviver. Por isso em Invernos menos rigorosos é possivel ver esta borboleta durante todo o ano.

Um dos seus comportamentos mais intrigantes é que não gosta de voar nos períodos do dia em que a temperatura atinge os máximos valores. Os especialistas que a estudaram alegam que nesses períodos é acometida de um certo torpor que a impelem a descansar. Para voar de flor em flor prefere o período da manhã depois de desaparecer a friagem da noite e ao fim do dia nas duas últimas horas antes de anoitecer.

Em certo momento, que agora deduzo ter sido de entorpecimento, observei uma destas borboletas a alimentar-se e que, de repente, se afastou das flores para pousar numa zona sombria. Como nunca tinha visto a borboleta pousada aproveitei para a fotografar.

Beija-flor

Há uma outra borboleta aparentada com esta e também pertencente à família Sphingidae. É a Hemaris fuciformis. Os ingleses ch amam-lhe “Broad-bordered bee hawkmoth” e os franceses “Sphinx bourdon”. Os espanhois, talvez para contrariar os ingleses ,deram-lhe o nome de “Cristalina borde estrecho”. Em Portugal creio que ainda não tem nome.

As suas lagartas alimentam-se de plantas do género Lonicera (Madressilva). A literatura a que tive acesso é omissa sobre a possibilidade de sobreviver ao Inverno. Tal como a sua “prima” passa a estação fria no estado de crisálida dentro de um casulo de seda escondido no solo.

O acontecimento mais marcante desta espécie ocorre durante o primeiro voo do insecto. Na fase final da eclosão pode dizer-se que a borboleta nasce com as asas cobertas de escamas. Mas durante o primeiro voo muitas das escamas caem e grande parte das asas fica transparente. Com este comportamento fica mais parecida com uma abelha e menos sujeita a ataques de predadores.

Hemaris fuciformis

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Borboletas Nocturnas I | Moths I

1 Fevereiro, 2012

Lembro-me de aqui há tempos ter escrito que não fotografava borboletas nocturnas. A expressão não é correcta porque “mexe”com o conceito de borboleta nocturna. Para muita gente borboleta nocturna é aquela que voa de noite. Mas não é assim. Este é um tema muito discutido e que até sob o ponto de vista científico não conhece unanimidade. Para um leigo ou pouco mais que leigo, como é o meu caso, existem quatro passos essenciais para classificar uma borboleta em diurna (Ropalócero) ou nocturna (Heterócero) com base nas suas características externas.

1º – Cor das asas: Geralmente as diurnas têm asas de cores brilhantes e as das nocturnas são de cores baças. Mas há muitas excepções.

2º – Forma das antenas: As diurnas têm as antenas em forma de clava enquanto as das nocturnas são mais variáveis. Na sua maioria filiformes ou em forma de pluma. Mas também há muitas excepções.

3º – Posição das asas em descanso: Este é um dos critérios menos falível mas também conhece excepções. De um modo geral as diurnas descansam com as asas na vertical, por cima do abdómen, as da direita
encostadas às da esquerda. As nocturnas, ao contrário, descansam com as asas na horizontal por cima do abdómen ou numa posição ligeiramente inclinada ao estilo das duas abas de um telhado.

4º – Frenulum: Esta análise é um pouco mais técnica e exige que se pegue no insecto. Nenhuma borboleta diurna possui esta pequena estrutura. Também algumas borboletas nocturnas não a possuem.
Mas, talvez por capricho da natureza, todas as borboletas nocturnas com antenas em clava e que vivem na Europa têm frenulum. O frenulum é um freio, uma estrutura constituída por uma ou várias cerdas que liga a asa anterior à posterior em cada lado do abdómen.
Nas seis imagens seguintes apresentamos três espécies de borboletas que voam de dia e que pelos passos 1 e 2 seriam de facto borboletas diurnas. Pelo passo 3, que admite algumas excepções, ainda poderia haver a dúvida de serem ou não borboletas diurnas. Mas o passo 4 é não só determinante como exclusivo. Só as borboletas nocturnas possuem frenulum. É o caso. Estas espécies pertencem ao género Zygaena e à família Zygaenidae. São conhecidas cerca de 1000 espécies das quais umas 60 na Europa e destas cerca de 15 em Portugal. É uma família ainda pouco estudada. Além das cores brilhantes e antenas em clava possuem trombas compridas e asas anteriores estreitas. O seu voo é lento e fàcilmente afectado pelo vento. Eventuais predadores evitam-nas porque as suas cores indicam que são venenosas. Contêm cianeto. A primeira das espécies é a Zygaena trifolii, uma das mais comuns e que se identifica pelas cinco manchas vermelhas nas asas anteriores. Há uma espécie semelhante, a Zygaena filipendulae, com seis manchas também vermelhas.

Z. trifolii

Z.trifolii

A segunda é a Zygaena sarpedon com a cabeça e o torax pretos, a cintura vermelha e com três manchas em cada asa anterior. Como é uma espécie com poucas escamas por vezes as manchas são apenas vestigiais.

Z. sarpedon

Z. sarpedon

Por fim a Adscita sp. que também pertence à família Zygaenidae mas cuja identificação não é possível só com base em caracteres externos. Creio que todas ou quase todas as espécies do género Adscita são de cor verde metálico e só é possivel identificá-las através de análise laboratorial. Agradeço ao meu amigo Eduardo Marabuto, um biólogo especializado em borboletas, as considerações que me transmitiu sobre a impossibilidade em identificar só por imagens as espécies do género Adscita.

Adscita sp.

Adscita sp.

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