Archive for the ‘Mestres da Fotografia’ Category

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2011 – Três Livros | Three Books

20 Outubro, 2011

No primeiro semestre do corrente ano foram dados à estampa dois livros que poderão interessar a quem visita esta página.
O primeiro é sobre Ernst Haas cuja carreira foi em dado momento prejudicada por pessoas influentes no mundo da fotografia americana nas décadas de 60 e 70 do século passado.Para estes críticos e detractores a fotografia de Haas era demasiado simplista e bastante comercial.Além disso,se por vezes se assemelhava a um certo tipo de pintura era por não ser suficientemente fotográfica. Acontece que Haas sendo um artista de grande sensibilidade tirava fotografias fora do contexto comercial apenas por puro prazer pessoal. Do seu espólio de 200000 diapositivos na Getty Images de Londres foram agora seleccionadas as imagens incluídas neste livro de William Ewing com um ensaio do historiador e curador Phillip Prodger sobre a carreira de Haas com o título “Ernst Haas-Another History of Color”. Estas 186 fotografias nunca antes publicadas provam que Haas estava longe de ser um fotógrafo fácil e puramente comercial.

Sobre-capa do livro

Vale a pena ler o ensaio para se compreender a personalidade e a grandeza artística do fotógrafo e analisar as 186 imagens que revelam a faceta menos conhecida da sua obra. Só um grande fotógrafo consegue transformar o óbvio e banal em complexo e extraordinário.Pura magia.
O outro livro é um guia de campo.Um livro pequeno,compacto,feito por finlandeses,com boas fotografias e muita informação sobre 444 espécies de borboletas diurnas da Europa.

Capa do Livro

É claro que Portugal sendo um país sem interesse comercial não é tratado com a devida atenção. Quando no final do livro são listados Guias Regionais seria de toda a justiça incluir o livro “borboletas de portugal”de Ernestino Maravalhas. Se o tivessem feito e consultado teriam evitado o erro de considerar a Aricia eumedon e a Lycaena virgaureae fora da fauna portuguesa.

A. eumedon na Serra da Nogueira

L. virgaureae no PN Montesinho

Apesar destas falhas, e eventualmente de outras, trata-se de um bom livro com informação pormenorizada e actualizada.

PS : E já que estamos em maré de livros devo confessar que eu próprio tenho pronto para impressão um livro cuja capa é a da imagem

É um livro com muitas imagens, todas as cores e, na sua maioria, com texto alusivo. Para mim este é o momento mais difícil, encontrar um editor. Eu sei, sabemos,que o tempo é de crise,mas não haverá por aí um Mecenas que aceite meter mãos à obra?

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Ernst Haas II (1921 – 1986)

1 Outubro, 2010

Apesar de nos ter deixado bastante cedo o seu legado fotográfico é impressionante: 250000 diapositivos e cerca de 100000 negativos a preto e branco. Sobre ele o fotógrafo profissional William Neil escreveu (Outdoor Photographer, Oct 2009, pag. 39): “I was fortunate to meet him… Besides being versatile,he was highly creative and innovative.To see Haas genius in full display check out his book, The Creation. “Este é sem dúvida o seu livro mais importante. No entanto, quem quiser ficar com uma ideia da sua evolução e da sua versatilidade fotográfica eu sugiro o livro “Ernst Haas,Color Photography”. É uma verdadeira retrospectiva   da carreira do fotógrafo com 153 imagens a cores abrangendo o período de 1950 a 1986,ou seja, todos os anos da sua vida profissional.

O que fez Ernst Haas de extraordinário para ficar tão conhecido logo no início dos anos 50 do século passado?  Ele e Eliot Porter foram dos primeiros a abandonar o preto e branco e a dedicarem-se à fotografia a cores.  Porter sempre fez fotografia clássica, especialmente de paisagens, com equipamentos de grande formato. Para ele o tripé foi sempre obrigatório. Ernst Haas foi, neste aspecto, o seu oposto. Adoptou o formato de 35 mm e era avesso ao uso do tripé. À rigidez de Porter opõe-se a flexibilidade de Haas.

A suas primeiras fotografias a cores são de Veneza, cidade que ele fotografou por várias vezes. De 1950 são bem conhecidas as suas fotografias de silhuetas de gôndolas e gondoleiros. Gôndolas e gondoleiros são marcas de Veneza. Mas porquê silhuetas? A película a cores disponível nessa época era a Kodachrome I de ASA 12. Uma película muito pouco sensível. Ao amanhecer ou ao entardecer o ambiente das gôndolas nos canais rodeados de edifícios é sombrio e impróprio para o uso da película a cores então existente. Admito que mesmo assim a terá usado mas a sua criatividade levou-o a procurar locais a céu aberto onde poderia obter imagens com contraste e cores mais saturadas. Se o fez ao amanhecer tinha na maioria das situações o lado do Sol como fundo. E, nestas circunstâncias, podemos afirmar que fotografava em contra-luz, ou seja, numa situação em que é usual dizer que os sensores da câmara são enganados e em que, tanto no modo automático como no manual, é necessário uma correcção que aumente o tempo de exposição. Mas Haas talvez não tivesse meios adequados para tirar partido dessa correcção. Por um lado a película de baixa sensibilidade, mesmo com a objectiva na sua máxima abertura, exigia exposições lentas. O problema agrava-se ao amanhecer e ao entardecer quando a luz ambiente é sempre fraca. Por outro lado,e é apenas uma suposição muito provável, não tinha tripé. Só lhe restava tentar as silhuetas. E foi o que fez. Com as gôndolas paradas os contornos ficaram bem definidos. Nesta minha imagem de duas árvores com copas diferentes do planalto mirandês também aconteceu uma situação idêntica.

Silhuetas

Caso o gondoleiro e a gôndola se movimentem durante o disparo as silhuetas ficam com os contornos suavizados,mal definidos.Se utilizarmos altas velocidades para congelar o movimento os objectos ficam nítidos.Haas,deliberadamente e/ou por dificuldades técnicas,fez o contrário.O efeito do “blur”(flou em francês ) é fascinante.

É conveniente referir que corria o ano de 1950 e a fotografia a cores dava os primeiros passos.

Dez anos mais tarde,em 1960, voltou a repetir a técnica mas escolheu uma gôndola mais vistosa.A proa está emoldurada com o que parece ser a figura de um cavalo-marinho.

Em 1954 e 1956 visitou Espanha e fotografou touradas. Nessa época os aspectos negativos desta actividade tinham pouca ou mesmo nenhuma expressão junto do público. Além disso Haas,poeta e sonhador,só via cor e movimento que ele pretendia exprimir nas suas fotografias substituindo a representação directa pela composição e pelo “blur”. Esta tendência abstracionista,  sem preocupação da nitidez,está na base da pouca importância que deu ao tripé durante a maior parte da sua carreira.
No caso das touradas também foi confrontado com cenas em zonas de sombra. Mas aqui, com a experiência já adquirida, ele sabia que para objectos com movimentos mais rápidos que o das gôndolas o disparo a baixas velocidades não era suficiente para obter os resultados pretendidos. Pela análise de muitas fotografias ele tinha notado que bastavam algumas partes do objecto estarem nítidas para que, na maioria dos casos,ele ficasse perfeitamente identificado. E isso conseguia-se movimentando a câmara no mesmo sentido do movimento do objecto. Ele até dizia que movimentava todo o corpo. A exploração desta técnica foi naquela época uma grande novidade e deu a Haas tamanha notoriedade que a revista Life o escolheu para realizar diversos foto-ensaios sobre desportos.

Para um maior detalhe devemos dizer que há vários tipos de movimento da câmara. Talvez o mais praticado seja o movimento rectilíneo conhecido por varrimento e que se usa,por exemplo,no caso de um cavalo a galope ou de um automóvel em movimento.

Cavaleiro Medieval

Outros,mais complexos,envolvem movimentos rectilíneos,circulares e até focais.

Procissão

Ao captar esta imagem aproveitei a palmeira para reduzir as altas luzes e ao mesmo tempo servir de moldura ao andor. A partir da década de 70 Haas começou a fotografar flores,actividade que manteve até ao fim da vida.Ele dizia que “as flores são como amigos silenciosos” e “photographing flowers is always a delight…”.Por isso vamos terminar oferecendo à sua memória duas amigas silenciosas.

A primeira é uma flor silvestre,característica da região mediterrânica com o nome vulgar de Pampilho-espinhoso (Pallenis spinosa). Pertence à família Asteraceae. Os nossos vizinhos chamam-lhe “Ojo de buey”.

Pampilho-espinhoso

A segunda é uma flor de jardim, um híbrido da família das liliáceas, conhecida entre os jardineiros e floristas por Coroa-imperial.

Coroa-imperial

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Ver ou não ver V| To see or not to see V

1 Setembro, 2010

To be or not to be that is the question.
To see or not to see that is one answer.

Ernst Haas,
Photographer

Cemitério Vegetariano

O Medo

O Mimo

O Véu

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Ernst Haas I ( 1921 – 1986 )

1 Junho, 2010

A descrição minuciosa da vida profissional deste fotógrafo ocuparia várias edições do Photográcio. Por isso vamo-nos cingir aos factos mais relevantes mas com a certeza de que abandonamos muitos aspectos que mereciam ser mencionados.

Em Junho de 2008, na secção Fotografia Criativa, já referimos parte do nosso pensamento acerca de Ernst Haas. Mas ainda não o tínhamos colocado na secção Mestres da Fotografia. E ele merece lá estar de pleno direito. Nasceu em Viena de Áustria a 02 de Março de 1921 e morreu em New York a 12 de Setembro de 1986 vítima de uma congestão cerebral. Na adolescência frequentou uma escola médica e o Instituto de Artes Gráficas de Viena. Em ambos os casos por curtos períodos. De 1943 a 1945 trabalhou num estúdio fotográfico e em 1947 deu-se a conhecer ao mundo com uma exposição individual a preto e branco na sede da Cruz Vermelha Americana em Viena com o título: “Regresso a casa dos prisioneiros de guerra austríacos. Dois anos depois começa a trabalhar na revista suíça Heute e recebe dois convites: um para integrar a equipa de fotógrafos da revista Life e outro de Robert Capa para ser membro da cooperativa Magnum Photos. Optou pela Magnum por considerar que lhe proporcionava mais independência e liberdade. Emigrou para os Estados Unidos da América em 1951 e a partir daí a sua carreira teve uma ascensão fulgurante.

Abandonou o preto e branco e passou a fotografar só a cores.Edward Steichen e Henri Cartier Bresson foram os seus fotógrafos favoritos. Talvez influenciado pelo francês escolheu como equipamento de trabalho as câmaras Leica M3 e M4 e, ocasionalmente, câmaras Pentax com objectivas Leica. As suas objectivas eram todas de distância focal fixa e tinham como extremos a de 21 mm e a de 400mm. Mais tarde passou a trabalhar com equipamento Leicaflex. Para close-ups utilizava a Micro-Nikkor 55 mm. Entre as películas elegeu a Kodachrome 25 e,  por vezes, a 64. Acerca do tripé escreveu: “I don´t use a tripod,so I can be flexible.”

A sua filosofia sobre a fotografia pode ser resumida nesta frase (tradução livre): “Para mim o supremo desafio da fotografia consiste em transformar um objecto a partir do que ele é naquilo que desejamos que ele seja.” A melhor concretização desta ideia talvez esteja numa das suas mais conhecidas fotografias, a “Holy Underwear”de 1958 na Califórnia. Ernst Haas era um visionário,”a free spirit” como disse Edward Steichen. É óbvio que um fotógrafo com as suas características não podia manter-se na Magnum Photos por muitos anos. Mesmo assim passou lá década de 50. Com as mortes em serviço de Robert Capa e Werner Bishop em 1954 passou a fazer parte do Board of Directors e em 1959 foi eleito presidente. Mas decorridos dois anos demitiu-se do cargo e ficou com o estatuto de colaborador.
Em 1962 escreveu, dirigiu e apresentou na NET-TV uma série de quatro programas com o título “The Art of Seeing”. A revista Life publicou várias vezes os seus trabalhos. Muitas outras deram à estampa as suas fotografias,  designadamente, a Paris-Match, a Esquire, a Holiday, a Queen , a Look ,etc. Por conta destas revistas e de outras organizações percorreu mais de dezasseis países espalhados pelos quatro continentes. Visitou a India e o México a convite dos respectivos governos. Durante dez anos andou pelos Himalaias tendo ficado fascinado com a flosofia de vida dos asiáticos. Nos princípios da década de oitenta, entre 1981 e 1983, o seu interesse pela cultura japonesa era quase uma obsessão. Neste período visitou cinco vezes o Japão.

Uma área que também o seduziu foi a da fotografia de cinema. É por isso que o seu nome aparece ligado a vários filmes, a saber: The Bible, Hello Dolly, Big Man, Heaven´s Gate, Moby Dick, West Side Story e Misfits (Os Inadaptados). Deste último são conhecidas as suas fotografias de John Huston, Marilyn Monroe, Clark Gable e Montgomery Clift.

Além disso, Haas concebeu e realizou diversos projectos fotográficos que ficaram registados em livro. O mais importante é, sem dúvida, “The Creation”, de 1971. Seguiram-se “In America” (1975), ”In Germany” (1977) e “Himalayan Pilgrimage”(1978). Após a sua morte surgiu”Ernst Haas: Color Photography” (1989) e “Ernst Haas in Black and White” (1992). Esta é, em síntese, a história de um mestre da fotografia que nos finais da segunda Grande Guerra trocou nove quilos de margarina por uma câmara Rolleiflex. Gostaríamos de terminar esta primeira parte com algumas fotografias de Ernst Haas. Mas isso iria contra os direitos de autor. Ele gostava de fotografar New York e nós gostamos de fotografar Lisboa. Desta escolhemos quatro imagens das quais salientamos as duas primeiras por serem verdadeiros símbolos representativos da nossa capital. A segunda, a do Campo Pequeno, é ainda reforçada pela presença de um avião da TAP.

Lisboa – Padrão dos Descobrimentos

Lisboa – Campo Pequeno

Lisboa – Natal 2009

Lisboa – Arquitectura de Fachada

Esta última imagem devia ter por título “Reflexos”, mas como estou numa zona urbana e os objectos reflectidos são edifícios prefiro a designação de “Arquitectura de Fachada”. A fotografia transforma uma realidade a três dimensões noutra a duas dimensões. Mas aqui essa transformação é feita pela fachada do edifício em frente que funciona como espelho. Nesta imagem aos objectos reflectidos juntam-se outros não reflectidos sendo por vezes difícil distingui-los. É isto que acontece entre a ficção e a realidade.

Obsv.: Na segunda parte iremos analisar as técnicas fotográficas de Ernst Haas.

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Eliot Porter (1901-1990)

15 Outubro, 2009

Eliot Furness Porter, fotógrafo, escritor, naturalista, químico e médico.

Nasceu em 1901 em Winnetka, Illinois, EUA.Estudou em Harvard. Por se ter licenciado em química e em medicina é, por vezes, referido como Dr Porter. De facto, após obter em 1929 o Medical Degree, deu aulas de bacteriologia e bioquímica na Escola Médica de Harvard, durante dez anos. E foi precisamente aos dez anos, quando passou umas férias na Penobscot Bay, que começou a fotografar as zonas costeiras do Maine. A partir daí só parou ao falecer em 1990.

Como era um apaixonado tanto pela fotografia como pela natureza tornou-se um verdadeiro especialista em ornitologia e na fotografia de aves. Mas também não foi por este tipo de fotografia que ficou tão conhecido. As suas fotografias de aves, como acontece com as de outros excepcionais praticantes, não fazem parte dos compêndios de história da fotografia. Apenas são incluídas em livros de aves, prática que as desqualifica face às fotografias que envolvam a figura humana (retrato, nus, moda, problemas sociais,etc.) e as paisagens. Até mesmo a flora tem, neste aspecto, um estatuto superior ao da fauna.

Só quem alguma vez fotografou aves pode dar o devido valor ao livro “Birds of North America – A Personal Selection”com texto e imagens de Eliot Porter. Uma maravilha. É certo que a fotografia daquela época, com aves a alimentarem os filhotes no ninho, está hoje condenada.Lembro que estou a falar de fotografias a cores, e que cores!!, das décadas de 40,50 e 60 do séc.XX.

No início da década de 30 Porter teve a sorte de ser apresentado a Ansel Adams e a Alfred Striglitz,duas das personalidades mais influentes no mundo da fotografia na primeira metade do séc.XX.Ao verem as suas imagens aconselharam-no a dedicar-se à fotografia a tempo inteiro.E foi o que ele fez.Em 1939 abandonou a carreira de professor em Harvard e passou o resto da vida viajando por todo o mundo a fotografar a natureza.

Em minha opinião ascendeu por mérito próprio à categoria de Mestre na fotografia de paisagens.

O seu primeiro livro só surge em 1962 quando já tinha 61 anos de idade. O sucesso alcançado com “In the Wildness is the Preservation of the World” foi de tal ordem que o Sierra Club, que o editou, a ele deve a sua reputação internacional.

Nos últimos vinte e oito anos de vida Porter escreveu mais de dez livros de fotografia. Tal como Ernst Haas foi um pioneiro na fotografia a cores conseguindo com elas as mesmas “nuances” de Ansel Adams com o preto e branco. Como era um especialista em química estabeleceu um acordo de fornecimento com a Kodak e ele próprio fazia a revelação das suas fotografias. É por isso que partilho da opinião do crítico Michael More expressa na revista View Camera (Jul/Ago e Set/Out2003): A obra de Porter tem sido subestimada ou ignorada pelos ”contemporary avand-garde critics”nas recentes antologias e revistas.

Grande parte do seu trabalho,feito com equipamento de grande formato,uma Linhof 4”x5”,pode ser visto no Amon Carter Museum,  em Fort Worth, Texas.

Da análise que efectuei a um número significativo das suas imagens da natureza retirei uma observação curiosa:o céu,com raras excepções,foi sempre excluído.Um verdadeiro “truque”de Mestre.Aproveitando este pormenor,e o estilo Porter sem a grandiosidade do 4”x5”,termino com quatro imagens sob o título comum de”O céu pode esperar…”.

09.10.15.01 Arribas Douro Internacional(Pormenor) Miranda do Douro Mai2009

09.10.15.02 Caminhos da água Alpiarça Out2008

09.10.15.03 Medronheiro,Giestas e Tojos Constância Abr2009

09.10.15.04 Verbascos Abrantes Mai2008

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Jonh Shaw, 1944

1 Março, 2009

Para ficar bem com a minha consciência devo referir a grande influência que teve na minha fotografia o fotógrafo americano John Shaw. Para mim ele está para a fotografia a cores como Ansel Adams esteve e está para a fotografia a preto e branco. Os livros de John Shaw, especialmente o primeiro, “The Nature Photographer’s Complete Guide”, publicado em 1984 e hoje esgotado, deram-me a conhecer os fundamentos da técnica e da composição fotográficas. Mas tanto no primeiro como nos cinco que se lhe seguiram a utilização da técnica, da composição, dos equipamentos e dos acessórios é descrita até aos mais ínfimos pormenores.

E as suas imagens são verdadeiros espelhos da sua escrita. De uma nitidez fantástica, luminosas, com completo controlo das altas e das baixas luzes e com composições perfeitas. Enfim, um mundo natural que já não parece deste mundo. Tudo isto não é nada fácil. Mas suspeito que, à semelhança de Ansel Adams, o seu trabalho em estúdio seja de grande rigor, metódico, exaustivo e analisado e corrigido ao pormenor com elevadíssimas ampliações. Esta atitude é absolutamente legítima mas posso não estar a ser justo, é apenas uma presunção.

A minha grande admiração por John Shaw não está só. Pelos seus pares nos EUA ele foi o primeiro a receber em 1997 o “Outstanding Photographer Award” concedido pela NANPA (North American Nature Photography Association). Em 2002 a Nikon proclamou-o “Legend Behind the Lens” e em 2006 a Microsoft designou-o “Icon of Imaging”. Num mercado tão competitivo como o americano isto quer dizer que estamos perante um fotógrafo “Fora de Série”.

Desde há vários anos John Shaw dedica-se ao ensino da fotografia, seja em seminários que se vão realizando nos diversos estados americanos, seja liderando safaris fotográficos, do Ártico ao Antártico, organizados pela empresa Joseph Van Os Safaris.

Recentemente John Shaw fez-me uma surpresa. No seu terceiro livro, “Focus on Nature”, há um pequeno capítulo sobre a presença humana na terra e a sua opinião de que a fotografia da natureza não devia excluir o homem. Mas as imagens desse capítulo não vão além de campos de trigo, de velhos armazene em madeira e de petróglifos com desenhos de índios americanos.

A primeira e única fotografia que lhe conhecia com uma figura humana só apareceu cinco anos mais tarde, em 1996,na sobrecapa do seu penúltimo livro, “Business of Nature Photography”.

Agora ao visitar o seu sítio na Internet – www.johnshawphoto.com – deparei com várias fotografias de ruas e janelas de localidades da Provença e uma inteira galeria sobre um rancho americano com cowboys e cavalos. Neste caso como em outros de conhecidos e laureados fotógrafos da natureza é recente e muito interessante a inclusão da figura humana nas suas obras. Mas a expicação do fenómeno está ainda por fazer.

No seu livro “Landscape Photography” John Shaw apresenta quatro imagens do mesmo local, representativas das quatro estações do ano, para enfatizar a influência do tempo na mudança de uma paisagem. Mas para este efeito não é preciso esperar um ano. A todo o momento muda a nossa percepção e visualização do mundo que nos rodeia. De forma mais modesta e menos qualificada registei as mudanças num campo de girassol durante os três meses do Verão as quais podem ser observadas nas três fotografias abaixo.

0601-campo-girassol-julhoI – Campo de Girassol em Julho

0602-campo-girassol-agostoII – Campo de Girassol em Agosto

0603-campo-girassol-setembroIII – Campo de Girassol em Setembro

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