Archive for the ‘Orquídeas’ Category

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Orquídeas | Orchids – Erva-borboleta

15 Dezembro, 2012

Esta é uma orquídea de fácil identificação que até há pouco tempo pertencia ao género Orchis. Entretanto alguns dos grandes especialista na matéria consideraram que as suas características tinham maior correspondência com as do género Anacamptis. Por isso passou a ser a Anacamptis papilionacea.

Como o seu labelo faz lembrar as asas de uma borboleta é conhecida entre nós por Erva-borboleta.Embora ausente da Grã-Bretanha os botânicos locais designaram-na Pink butterfly orchid. Os franceses chamam-lhe Orchis papillon. Para os nossos vizinhos tanto pode ser”Hierba del muchacho” como Orquídea mariposa ou até Lírio rojo.

Apesar se ser uma espécie poliforma e com variações cromáticas os botânicos do Conselho Superior de Investigações Científicas de Madrid não aceitam a existência de subespécies. A justificação é sempre esta: os grupos classificados pela coloração das peças florais não têm correspondência com os do seu tamanho existindo plantas com caracteres intermédios em ambas as classificações. Os que não concordam admitem a existência de duas subespécies. A subespécie grandiflora de flores maiores e a subespécie papilionacea de flores mais pequenas. Àquela os franceses chamam subespécie expansa.

Esta orquídea é polinizada por himnópteros do género Eucera. Ocorre até aos 1300 metros de altitude e tem uma distribuição mediterrânica:  Península Ibérica, sul de França, Itália e Balcãs, Chipre,Turquia e norte de África. Em Portugal pode der vista entre Março e Junho no Baixo e Alto Alentejo, Estremadura, Ribatejo e Beira Litoral.

As imagens aqui apresentadas foram captadas no PNSAC.

Anacamptis papilionacea

Anacamptis papilionacea

Anacamptis papilionacea

Anacamptis papilionacea

Anacamptis papilionacea

Anacamptis papilionacea

Anacamptis papilionacea

Anacamptis papilionacea

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Orquídeas | Orchids – Ophrys scolopax e Orchis Morio

15 Agosto, 2012

As imagens destas duas orquídeas foram captadas em terras ribatejanas na berma da Estrada Nacional 118 entre Tramagal e Rossio ao Sul do Tejo no concelho de Abrantes. Tanta vez que por ali passei sem ter dado conta da presença destas pequenas beldades.

Qualquer delas está bem estudada embora não haja um entendimento generalizado sobre as respectivas classificações.

Para Daniel Tyteca, várias vezes aqui referido, a Ophrys scolopax é uma orquídea rara em Portugal. As flores deste grupo encontradas em Portugal são geralmente mais pequenas que as dos outros países europeus e Tyteca designou-as por Ophrys picta. A classificação parece que não obteve aceitação por parte dos especialistas internacionais. É o caso do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSCI) do Real Jardín Botánico de Madrid que na sua Flora Iberica (Vol.XXI) explícitamente refere “no se ha encontrado una separación neta …). Seguindo esta orientação podemos afirmar com segurança que as duas imagens seguintes são da Ophrys scolopax.

Flor dos passarinhos


Flor dos passarinhos

É claro que aquele livro apenas contempla as orquídeas da Península Ibérica. Dois dinamarqueses especialistas em orquídeas, Henrik Pederson e Niels Faurholdt, no seu livro “Ophrys – The Bee Orchids of Europe”editado pelos Royal Botanic Gardens, Kew, UK, 2007 conseguem ver e justificar a existência na Europa de seis subspécies da O.scolopax das quais duas em Portugal: a O. scolopax subsp. scolopax e outra com flores mais pequenas e mais abundante (a O. picta de Tyteca), a O. scolopax subsp.apiformis. Por aqui se vê que até num campo tão específico os europeus têm dificuldade em reunir consensos. Pela minha parte, como leigo assumido e por comodidade, refugio-me nas orientações do CSCI embora esteja ciente de que a longo prazo a evolução de algumas das subspécies pode dar origem a novas espécies.

Esta orquídea tem os seguintes nomes vulgares: Ophrys bécasse em França; Abejera ou Abejera becada em Espanha; Flor-dos-passarinhos em Portugal. O termo “scolopax” tem origem no latim e significa galinhola, o mesmo que em francês “bécasse”. Isto porque algum ornitólogo em tempos remotos (o mais certo é ter sido um botânico caçador) terá descoberto que o ginostémio da orquídea visto de perfil faz lembrar a cabeça e o bico da galinhola. Há gente com uma visão incrível.


Flor dos passarinhos

A Flor-dos-passarinhos pode ser encontrada no Algarve, no Baixo Alentejo, na Estremadura, no Ribatejo, na Beira Litoral e em Trás-os-Montes entre os meses de Março e Junho. É polinizada por abelhas solitárias do género Eucera. O problema sobre a classificação acima descrito ocorre também com a orquídea que se encontrava perto da anterior. De acordo com as actuais orientações da Sociedade Francesa de Orquidofilia a maioria das plantas do género Orchis passou a pertencer ao género Anacamptis. Assim em Portugal haveria apenas seis orquídeas do género Orchis já tendo em conta que a Aceras anthropophorum é agora a Orchis anthropophora.

Segundo este critério a orquídea da imagem seguinte seria a Anacamptis champagneuxii. Enfim,uma confusão.

Erva do salepo

Por enquanto manteremos as designações e decisões científicas do CSCI. A orquídea da imagem é a Orchis morio. Realmente ela foi durante muitos anos a Orchis champagneuxii em homenagem ao botânico francês Champagneux que viveu de 1774 a 1845.

O grupo Morio compreendia três subspécies: O. morio subsp. morio, a O. morio subsp. picta e a O. morio subsp. champagneuxii. O grupo caracterizava-se por ser poliformo com grande variabilidade de cores,dimensões, labelos com e sem pintas,número de tubérculos e de flores, etc. Os botânicos do CSCI estudaram e analisaram o assunto tendo concluído que há uma gradação de todos estes elementos, os quais numa mesma população podem variar de ano para ano,e que muitas vezes não é possível identificar uma determinada planta dentro dos critérios estabelecidos para cada subspécie. Por isso optaram por uma só espécie a Orchis morio.

Erva do salepo

Entre nós esta orquídea é vulgarmente conhecida por Erva-do-salepo ou Testículo-de-cão. Para os nossos vizinhos é a Cojón de perro ou Compañon. Em França é a Orchis bouffon e no Reino Unido a Green-winged Orchid.

A floração ocorre de Março a Julho e pode ser vista em todo o território continental com excepção do Minho e Douro Litoral.

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Orquídeas | Orchids – Orchis langei & Epipactis sp.

15 Maio, 2012

Em anos relativamente recentes a Orchis langei foi considerada uma raridade no nosso país. A situação era devida a erros de identificação. Esta orquídea faz parte do grupo da Orchis mascula e era confundida com a Orchis laxiflora. Segundo Daniel Tyteca o equívoco é justificável, porque a O. langei é também conhecida por O. mascula subsp. laxifloraeformis.

Para outros botânicos ela é a Orchis hispanica, porque a sua principal área de distribuição é a Espanha continental. Mas vai até um pouco mais a Norte tendo como limite setentrional o centro e leste dos Pirineus no Sul de França e um pouco mais a Sul com o seu limite meridional na cordilheira do Atlas marroquino. A Oeste estende-se para Portugal ao longo de uma faixa mais ou menos fronteiriça que de início só abrangia as províncias do Alto Alentejo, Beira Baixa e Trás-os-Montes. Em meados da década de 90 do século passado Tyteca refere a sua presença no Ribatejo, no concelho de Abrantes e em Casais Monizes no PNSAC ou nas suas imediações. Esta talvez seja a sua localização mais ocidental no território nacional. Talvez por serem pequenas populações e sem confirmação em datas posteriores o Real Jardín Botânico, CSIC no seu Vol. XXI da Flora Ibérica de 2005 ainda coloca sob reserva a presença da O. langei no Ribatejo. Mas pode retirar a restrição porque está confirmada a sua presença no concelho de Constância, tanto em Constância Norte como em Constância Sul ou seja a Sul e a Norte do rio Tejo. As próximas imagens foram captadas entre 13 e 18 Abril de 2011 nas imediações do Parque Ambiental de Santa Margarida (PASM) por amável indicação do meu amigo Tiago Lopes, responsável pela sua gestão. Para ele um forte abraço com os meus agradecimentos.

Orchis langei

Orchis langei

À semelhança do Limodorum abortivum a O. langei é considerada uma orquídea “Rara de baixo risco” (LR-lower Risk) e “Quase ameaçada” (nt-near threatened). A característica externa distintiva é a do labelo fortemente convexo, que faz lembrar uma joelheira vista de perfil, com a parte central esbranquiçada e com ou sem manchas violáceas. Os dois lóbulos laterais são de cor rosa e mais estreitos e curtos que o lóbulo central.

O seu período normal de floração ocorre entre Março e Julho em solos ácidos e secos,quase sempre sombrios, e dispersa entre matos pouco densos.

Orchis langei

As imagens da orquídea do género Epipactis foram captadas na freguesia de Tramagal, do concelho de Abrantes, a escassos metros das do Limodorum abortivum apresentadas em 1 de Março de 2012. Um só pé cuja identificação não é fácil e me coloca algumas dúvidas.

Analisei com cuidado as excelentes fotografias do livro Flora Ibérica acima referido, comparei-as com as minhas, e concluí que em princípio não se trata da Epipactis helleborine, porque as folhas são muito diferentes. Acredito ter fotografado flores da Epipactis tremolsii, mas como não tenho a certeza prefiro ficar-me pelo género.

Epipactis
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Epipactis
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Divertimento Fotográfico I – Photographic Amusement I

12 Abril, 2012

Já lá vão quase 175 anos que François Arago, físico, astrónomo e chefe da ala esquerda dos republicanos franceses fez uma comunicação à Academia das Ciências de França anunciando a construção de umas placas que conservavam a imagem óptica. A descoberta foi atribuída a Louis Jacques Daguerre. Isto passou-se em 1839 que é considerado o ano oficial da invenção da fotografia. Contudo o invento terá ocorrido em 1816 sendo seu autor Nicéphore Niepce.Logo apòs o seu nascimento oficial a fotografia foi considerada como uma cópia integral da realidade com efeitos imediatos em quase todas as actividades humanas.A fotografia era como um espelho. O que ela continha não podia sofrer contestação. Era a verdade.Mas este conceito não se manteve por muito tempo pois de imediato surgiu o retoque no processo de impressão seguido da combinação de dois negativos numa só imagem e do “soft focus”que aproximou a fotografia à pintura dando depois origem ao pictorialismo. Já no sec. XX as correntes artísticas e filosóficas como o cubismo, o dadaísmo e o surrealismo, entre outras, tiveram uma grande influência na fotografia levando muitos artistas a praticarem a fotomontagem. Reparem que eu escrevi artistas porque em muitos casos o autor da fotomagem, que pode incluir colagens, desenhos, etc., não é fotógrafo mas serve-se de fotografias de terceiros dando-lhes um enquadramento totalmente diferente do original. Começaram por ser apenas “Construtores”de imagens a partir de imagens já existentes mas muitos deles tornaram-se mesmo fotógrafos. Esta modalidade de criação artística beneficiou dos mais recentes avanços tecnológicos e chegou aos nossos dias com grande vigor e diversidade. É o caso, por exemplo, da publicidade que em muitos casos transmite a sua mensagem através da fotomontagem.

As boas intenções

Com o advento da fotografia digital a fotografia tradicional sofreu modificações estruturais que abrangem a captação de imagens, o seu armazenamento, edição,difusão e restauração. Como diz o grande teórico e mestre na arte criativa Joan Fontcuberta a fotografia afastou-se dos conceitos do verdadeiro e do falso. Hoje assume-se que é uma ficção que oscila entre mentir bem e mentir mal.

No primeiro caso o fotógrafo ou ,numa visão mais alargada, o artista, consegue enganar o público fazendo passar por real o que é fictício. O que mente mal também tenta enganar mas não consegue.

Este novo paradigma coloca uma questão interessante. Afinal qual é o melhor artista, o que mente bem ou o que mente mal? Chegaremos à conclusão de que preferimos ser enganados?

Orquídeas não identificadas

Botões rosa com orvalho

Obsv.: Aqui está parte do divertimento. Olha bem para estas imagens. Não há nada que te chame a atenção? É tudo fotográfico? É tudo natural? Que te parece?
A 2ª parte vem já aí. Não percas.

( Continua )

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Orquídea | Orchid – Limodorum abortivum

29 Fevereiro, 2012

Já aqui referi que um dos grandes especialistas em orquídeas portuguesas é o professor belga Daniel Tyteca.

O seu livro “The Orchid Flora of Portugal”, encontra-se, infelizmente, esgotado. Embora não se trate de um guia nele são apresentadas todas as espécies de orquídeas portuguesas no que respeita à sua distribuição, diversidade, taxonomia, estatuto de protecção, etc. Algumas espécies são comentadas em pormenor enquanto outras não tiveram esse privilégio. A Limodorum abortivum está entre estas últimas embora seja classificada como “Rara de baixo risco”(LR-lower risk) e “quase ameaçada”(nt-near threatened).

Comecemos por esclarecer que há quem considere que o designativo “abortivum”reside no facto de a planta provocar abortos se for comida por fêmeas grávidas de herbívoros. Penso que isto não é verdade e sei que a explicação é outra. O termo teve origem no aborto das suas folhas que ficam reduzidas a baínhas semelhantes a escamas.

O género Limodorum engloba duas espécies: a L. abortivum e a L. trabutianum. Antes da floração a parte aérea destas orquídeas assemelha-se visualmente a um espargo. Isto acontece porque o caule é erecto, arredondado, de cor violeta ou pardacenta e embaínhado por folhas do tipo brácteas. As duas espécies são muito parecidas mas quem saiba identificar o esporão distingue-as fàcilmente. O da trabutianum é rudimentar ou quase imperceptível e o da abortivum é direito ou ligeiramente arqueado,descendente e pode ultrapassar os 15 mm de comprimento. Além disso, aquela tem o labelo inteiro, espatulado ou ligeiramente convexo enquanto o desta é articulado, côncavo e com dois lóbulos laterais.

Há registos da presença da L.abortivum no Algarve, no Alto Alentejo (Évora e Portel), Estremadura (Cascais, Alcobaça…), Ribatejo e Tràs-os-Montes(Macedo de Cavaleiros). Sobre o Ribatejo o livro de Tyteca apenas refere a sua existência em Monsanto no concelho de Alcanena. Mas a sul do Tejo, em Tramagal, no concelho de Abrantes, há também uma pequena população que já foi assinalada na 1ª edição desta página em 2002.

Volvidos nove anos volto com imagens dessa população porque pela primeira vez encontrei uma planta com as flores bem abertas.

Limodorum abortivum

Limodorum abortivum

Limodorum abortivum

O meu contentamento foi ainda reforçado com a presença de um insecto não identificado. Um visitante que mais me pareceu um residente. Apesar de nunca ter saído de uma das orquídeas só consegui fotografá-lo com a ajuda de um amigo. De facto sempre que me aproximava com o equipamento ele deslocava-se e escondia-se do outro lado da planta.

Alguém sabe identificar este pequeno escaravarelho de dimensões idênticas às do escaravelho dos espargos?

Limodorum abortivum

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Aceras anthropophorum

1 Setembro, 2011

O termo Aceras tem origem no grego. De “A” que significa “Sem” e “Keras” que significa corno ou haste.

Ficamos logo a saber que as flores não têm haste ou seja não têm esporão. Mas já li algures que a pretendem renomear para “Orchis”. Por outro lado “Anthropos”significa “Homem” e “Phorum” “Que traz, que transporta”. É por isso que os ingleses lhe chamam “Man orchid”,os franceses “Homme-pendu ou Porte-homme”. Na península ibérica a voz popular foi dramatizada.”Flor del Hombre ahorcado”em Espanha e “Erva-do-homem-enforcado”em Portugal. Entre nós também é conhecida por “Flor dos rapazinhos”.

Planta vivaz com caule erecto,cilíndrico e com numerosas folhas. As folhas inferiores são em forma de roseta. Sépalas com os bordos vermelhos e formando um capuz. Flores amarelo-esverdeadas em espiga terminal, densa (até 50 a 60 flores) e erecta. Labelo trilobado, pendente e de cor amarelo-esverdeado a laranja.

Esta orquídea pode encontrar-se até aos 1300 m de altitude, isolada ou em colónias, em substractos calcáreos de meia-sombra a plena luz.

Aceras anthropophorum (colónia)

Em Portugal distribui-se pelo Algarve, Beira Litoral, Estremadura e Ribatejo. Na vizinha Espanha não é vista nas províncias que definem a nossa fronteira oriental com excepção de Huelva. Encontra-se em quase todas as regiôes de França – excepto Bretanha, Baixa Normandia e Limousin –, nas regiões calcáreas da Bélgica e no Reino-Unido as principais populações concentram-se na zona SE, Kent e Surrey.
Goza do estatuto de protegida na Bélgica e no Luxemburgo e em áreas regionais de França.

Aceras anthropophorum e O. italica

Nesta segunda imagem temos uma Aceras anthropophorum e ao lado uma Orchis italica. Em Portugal podem ver-se híbridos das duas plantas bem como da Aceras anthropophorum com a Orchis purpurea.
A imagem seguinte foi captada na Serra da Arrábida. É estranho que o livro “Flores da Arrábida, Guia de Campo”, escrito por dois especialistas, e que já vai em 2ª edição ( a 1ª edição é de 1998), não faça qualquer referência a esta orquídea.

Aceras anthropophorum

Terminamos com uma imagem onde se pode ver em pormenor as flores da espiga.

Aceras anthropophorum

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Orquídea | Orchid – Orchis collina / Orchis saccata

15 Dezembro, 2010

 

A designação desta orquídea tem origem no latim “collinus”que significa”da colina”. Por isso em França chamam-lhe “Orchis des collines”. Para os ingleses,embora a sua área de distribuição não inclua a Grã-bretanha,é a “Fan-lipped orchid”, talvez porque sendo o seu labelo inteiro tenha algumas semelhanças com um leque. Os nossos vizinhos espanhois, por razões que desconheço, chamam-lhe “orquídea pobre ou orquidilla”. Entre nós não há estes problemas, é apenas a “Orchis collina”.

Esta orquídea floresce em charnecas e sítios secos nas zonas de plena luz sobre substractos alcalinos e, outras vezes , calcáreos. É considerada uma planta robusta que se desenvolve até 40 cm de altura .O labelo sem pintas é geralmente rosa-vermelho.  No entanto,em 1999, na província de Almeria, Espanha, foi assinalada a variedade “flavescens”com o labelo de cor amarelada.

É uma orquídea com uma distribuição eminentemente mediterrânica tanto pela zona Sul da Europa do Sul como pela zona Norte da África do Norte. Mas sempre escassa e dispersa. Em França, apesar de protegida a nível nacional,parece que está extinta. Só existia no SE no pequeno Departamento de Var onde se situa a célebre estância de turismo de Saint-tropez.

Na vizinha Espanha a sua distribuição concentra-se na Andaluzia,especialmente nas províncias de Málaga, Granada e Almeria, e em menor densidade na Extremadura, nas províncias de Badajoz e de Cáceres. A sua presença estende-se ainda pelas províncias mediterrâneas de Murça e Alicante bem como à Ilha Maiorca nas Baleares. Segundo Manuel Parra e Estrella Dominguez, autores do livro “Guia de campo de las orquídeas silvestres da Andalucia” a O. collina está ausente das províncias de Huelva e Sevilha.

Contudo,os autores da “Flora iberica ,Vol.XXI” do Real Jardin Botânico, CSIC ,que é a grande referência para os estudos da flora peninsular,consideram que ela está presente na província de Sevilha. Em ambos os casos há acordo sobre a sua ausência da província de Huelva.

Qual a razão de tanto pormenor acerca da sua distribuição em Espanha? Apenas porque ela nos pode fornecer algumas pistas sobre a sua presença em Portugal.

A existência da O. collina em Portugal é muito recente. Segundo Daniel Tyteca (in Journal Europaischer Orchideen,1997) a primeira referência oficial é de Pinto Gomes em 1992 mas em termos pouco explícitos. O mesmo autor e investigador belga diz que não encontrou nenhum “especime” nos herbários Portugueses mas em Março de 1996 teve a oportunidade de observar e contar 33 indivíduos “of this very nice Orchis” em ambas as encostas da Serra de Ficalho no Baixo Alentejo.

Durante dois anos percorri sem sucesso esta Serra. Sem a ajuda do Eduardo Marabuto (vidé post de 15 Jan 2009) não sei quantos mais anos levaria para a encontrar. E andei sempre tão perto. Mas sendo escassa e dispersa não admira.

Tendo em atenção a sua ausência da província de Huelva creio que não vale a pena procurá-la para Sul de Vila Verde de Ficalho. Mas para Norte há boas hipóteses. Ela até já foi referenciada em Vale de Vargos a NNW de Vila Verde de Ficalho.

No livro “Orquídeas de Extremadura”de Pérez Chiscano/Gil Llano/Durán Oliva (Primera Edicion, Madrid, 1991), os autores referem a sua presença, por exemplo, em Valverde de Leganés, junto a Olivença, ou seja ,em frente ao Alandroal e em Jerez de los Caballeros a NE de Barrancos.

Além da sua escassez e dispersão existe outro facto que justifica ser pouco vista. É a sua precocidade. Em Portugal o pico da floração pode ocorrer na segunda quinzena de Fevereiro.

Orchis collina

Orchis collina

Orchis collina

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