Archive for Fevereiro, 2011

h1

Serra dos Candeeiros e Borboletas | Candeeiros Mountain & Butterflies

15 Fevereiro, 2011

 

Na passada Primavera visitei a Serra dos Candeeiros. Já não passava por lá há quatro ou cinco anos.

Entrei pela povoação Chãos e quando cheguei ao alto deparei-me com a velha pedreira que ali esventra uma zona nobre da Serra e cuja actividade liberta poeiras que cobrem toda a flora circundante. Mas esta era uma paisagem empoeirada já conhecida. O que me surpreendeu foi a presença de uma turbina eólica.

Pedreira e turbina eólica

Esta presença foi apenas o começo de um triste espectáculo.

Eu nem sou contra as chamadas “energias limpas”, pelo contrário, mas não estou de acordo que com três dezenas e meia de turbinas eólicas se degrade e elimine toda a paisagem natural de uma serra pertencente a um Parque que se diz “Natural”.

Tenho comigo um folheto em inglês, emitido pelo ex-ICN (actual ICNB), onde se escreveu: ”The Natural Park of the Serras de Aires e Candeeiros is a Protected Area…”.

É caso para perguntar:área protegida de quê ou contra quê?

Esta serra desenvolve-se em patamares que de SSW para NNE vão subindo de cotas atingem, um patamar de cotas máximas e voltam a descer. A localização menos agressiva para a paisagem seria a de escolher um ou dois patamares e nele(s) concentrar as turbinas em linhas perpendiculares á linha de crista da serra. Mas não, a solução escolhida foi a de colocar uma fiada de turbinas de ambos os lados da estrada que segue toda a linha de crista. Além disso colocou-se o Edifício de Comando/Subestação no topo Sul do parque eólico o que certamente veio aumentar o trânsito de viaturas a circular pelo alto da serra.

A Gralha-de bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) e outros seres emblemáticos da região devem andar encantados com o vaivém, de turbina em turbina, dos técnicos do parque eólico.

Turbinas seguindo a linha de crista

Para amenizar a minha tristeza consegui comprovar a presença na parte central da serra,a meio caminho entre Chãos e Vale de Ventos,onde a vegetação não atinge os 50 cm de altura,da rara e fugidia borboleta Euchloe tagis, a Branca-portuguesa. O meu amigo Eduardo Marabuto na sua Tese de Mestrado em Biologia da Conservação já tinha referido a sua presença no Maciço Calcáreo Estremenho em zonas de matagal nas proximidades de Porto de Mós e de Minde. Agora podemos dizer que ela também aparece nos terrenos abertos da área central da Serra dos Candeeiros.

Branca-portuguesa

A imagem é de má qualidade, mas serve para identificar a borboleta. O seu voo nervoso que reconheci e me levou a segui-la e a paragem forçada pelo assédio de um macho foram a chave para eu ver no terreno aquelas asas arredondadas tão características da espécie.

Um pouco mais tarde e um pouco mais a NNE, na zona do Serro Ventoso tive o prazer de ver pousada, em plena luz do dia,a borboleta nocturna Macrothylacia diagrama*, pertencente à família Lasiocampidae.

Macrothylacia diagrama

Macrothylacia diagrama

Termino deixando uma sugestão. Para que a designação dos Parques continue a incluir a característica de “Natural” e não andemos a enganar-nos a nós próprios e a quem nos visita, é conveniente e apropriado que os novos folhetos do ICNB ostentem em letras garrafais o seguinte aviso:

“Em Portugal tudo o que se constrói e destrói para cima e para baixo do solo é considerado “Património Natural”.

Para identificar a borboleta nocturna recorri às imagens do sítio:
http://www.lusoborboletas.org

Anúncios
h1

Graciphoto 11 P&B | B&W

10 Fevereiro, 2011

 

h1

Insectos I | Insects I

1 Fevereiro, 2011

Segundo a voz corrente “não há regra sem excepção”. Nesta secção podemos incluir todos os insectos com excepção das Borboletas e das Libélulas. A estes dou-lhes um tratamento nominal, em separado. São aqueles que fotografo com maior frequência.

Em Agosto dos anos de 2003,2009 e 2010 detectei em Tramagal/Abrantes, quase sempre no mesmo local e na mesma espécie de planta,um dormitório colectivo do que penso serem abelhas solitárias.A designação de “solitária”advirá de não fazerem ou viverem em enxame. Será? Mas continuemos. Entre o princípio e o fim da segunda quinzena desse mês o número de indivíduos, que de início pode ser entre 10 e 15, vai diminuindo quase todos os dias. No final de Agosto ou nos primeiros dias de Setembro só resta um que após uma pernoita também desaparece.

 

O último já não dorme na planta do dormitório. Escolhe uma planta próxima. Em 30Ago2009 um desses insectos não encontrou um local mais acolhedor que as agulhas aceradas de um espargo-bravo-menor (Aspargus acutifolius).

Tudo é estranho mas ao mesmo tempo encantador. Tenho pena de não conhecer a organização social destes insectos nem a sua correcta identificação. Nas minhas limitadas averiguações concluí que pertencem à família Megachilidae e ao género Anthidium que abrange cerca de trinta espécies. Mas tanto podem ser a Anthidium manicatum como a Anthidium florentinum ou qualquer das outras vinte e tal espécies. A observação no terreno só com a chamada “vista desarmada” é manifestamente insuficiente.

 

 

%d bloggers like this: